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Taxa de transmissão da Covid-19 segue em aceleração no interior do ES

Além da taxa de transmissão maior do que a da Grande Vitória, interior também tem maior média móvel de óbitos no Espírito Santo

Publicado em 02/04/2021 às 16h32
Interior do ES apresentou alta de 60% no ritmo de contágio do coronavírus em duas semanas
Interior do ES apresentou alta de 60% no ritmo de contágio do coronavírus em duas semanas. Crédito: Divulgação / IJSN

A taxa de transmissão do novo coronavírus no Espírito Santo continua em alta. É o que aponta o último relatório apresentado pelo Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), do Instituto Jones do Santos Neves (IJSN), sobre o ritmo de contágio (rt) da doença no Estado. A situação mais delicada, e que já influencia diretamente nos resultados a nível estadual, é a do interior. Em algumas regiões, o ritmo de contágio já passa de 2, o que significa que 100 infectados podem passar a doença para outras 200 pessoas.

O relatório apresentado mostra os números do ritmo de contágio no dia 12 de março. Na ocasião, o Espírito Santo apresenta o rt de 1,43, e consolida um mês de aumento da transmissão da doença em todo o território capixaba, visto que nas últimas quatro medições, o índice vem apresentando alta: 0.82 em 19/02; 1.1 em 26/02; 1.28 em 05/03 e 1.43 em 12/03.

Taxa de transmissão apresenta aumento pela quarta semana seguida no Espírito Santo
Taxa de transmissão apresenta aumento pela quarta semana seguida no Espírito Santo. Crédito: Divulgação / IJSN

INTERIOR EM ALTA

Diferente da Grande Vitória, onde o ritmo de contágio apresentou uma ligeira queda em comparação à última semana - de 1.28 em 05/03 para 1.16 no dia 12/03 - o interior vem mostrando uma disparada na alta da transmissão da doença. Há duas semanas, o rt no interior era de 1.01. Depois, ele passou para 1.3 em 05/03 e agora apresenta um índice de 1.61 no dia 12/03. Uma alta de aproximadamente 60% na transmissão do vírus.

Interior do ES apresentou alta de 60% no ritmo de contágio do coronavírus em duas semanas
Interior do ES apresentou alta de 60% no ritmo de contágio do coronavírus em duas semanas. Crédito: Divulgação / IJSN

Um dos trechos que puxam essa alta é a região Nordeste do Estado. No último relatório, o rt era de 1.1 no dia 05/03. De acordo com a última atualização, referente ao dia 12/03, o ritmo de contágio passou para 2.02. Ou seja, praticamente dobrou em apenas uma semana.

No Nordeste capixaba, taxa de transmissão já é maior que 2. O que significa que 100 pessoas contaminadas podem contaminar mais de 200
No Nordeste capixaba, taxa de transmissão já é maior que 2. O que significa que 100 pessoas contaminadas podem contaminar mais de 200. Crédito: Divulgação / IJSN

Segundo o diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, a velocidade de transmissão ainda preocupa. Mesmo na Grande Vitória, que apresentou uma ligeira queda, o marcador acima de 1 indica que a doença continua sendo transmitida com rapidez.

“Reduziu um pouco mas continua alto, próximo de 1.2. Significa que a cada 10 pessoas contaminadas na Grande Vitória, a gente tem a possível transmissão para outras 12 pessoas, fazendo o arredondamento. Então, ainda é um número alto”, disse.

Sobre o interior, Lira destaca a expansão da segunda fase da pandemia. Para ele, diferente da Grande Vitória, o interior não apresentou uma queda brusca entre a segunda e a terceira fase, o que significa que a doença apresenta uma tendência de maior expansão no momento atual. Além disso, a circulação de novas variantes no interior do Estado contribuem para a alta nas regiões.

“A Grande Vitória está há 3 semanas com a taxa de transmissão acima de 1, está com um ritmo acelerado. O interior vem a quatro semanas com a taxa acima de 1. Está mais forte o crescimento da velocidade de transmissão do vírus no interior. Combinado a isso, temos as novas variantes concentradas em municípios do interior”.

MÉDIA DE MORTES

Espírito Santo atingiu maior média móvel de óbitos da pandemia nos últimos sete dias
Espírito Santo atingiu maior média móvel de óbitos da pandemia nos últimos sete dias. Crédito: Divulgação / IJSN

A média de mortes também traz um panorama sobre o avanço da doença no interior. Até o dia 1 de abril, a média móvel de óbitos dos últimos 7 dias mostra que o interior apresenta mais mortes do que na Grande Vitória, diferente de outros momentos da pandemia.

“A média móvel de óbitos no interior está mais forte do que na Grande Vitória, e já é a maior média desde o início da pandemia. Supera o primeiro e o segundo pico. E ainda está subindo, a média está aumentando. Muitos municípios do interior tiveram o primeiro impacto maior entre dezembro e janeiro. Eles tiveram um número menor de mortes no primeiro pico, no segundo tiveram uma expansão mais forte e estão mantendo agora na terceira fase da pandemia”, destacou.

Média móvel de óbitos no interior, no topo da imagem, já é maior do que a média móvel de mortes por coronavírus na Grande Vitória, com dados na parte inferior da imagem)
Média móvel de óbitos no interior, no topo da imagem, já é maior do que a média móvel de mortes por coronavírus na Grande Vitória, com dados na parte inferior da imagem. Crédito: Divulgação / IJSN

EFEITOS DA QUARENTENA

Lira prevê os primeiros efeitos da quarentena já nos próximos relatórios. Mesmo com a taxa de isolamento ainda abaixo das expectativas, o ritmo de contágio deve apresentar queda.

“Apesar da taxa de isolamento não ter crescido tanto, a gente vai perceber os primeiros efeitos da quarentena. Mas, se a população continuar fazendo sua parte, os efeitos serão maiores, tanto na confirmação de casos, na taxa de transmissão e na pressão sobre os leitos”, completou.

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