Repórter / [email protected]
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 18:18
A placa BRA49CC, que não existe oficialmente, foi flagrada quase 6 mil vezes em apenas 35 dias pelo cerco inteligente de segurança em estradas do Espírito Santo. Apesar do número expressivo, nenhum condutor foi multado ou teve a moto apreendida no período, de acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES) e a Polícia Civil. A placa é vendida na internet e vem sendo utilizada para burlar a legislação, segundo especialistas. >
Como A Gazeta revelou, a partir de um levantamento feito pelo Detran, entre 1º de janeiro e 5 de fevereiro deste ano, a placa foi identificada 5.923 vezes no Estado. Outra sequência não oficial que vem sendo utilizada é a SHI49CC, flagrada 420 vezes. >
Vendidas como item decorativo, com preços entre R$ 20 e R$ 40, as placas fazem referência a 49 cilindradas, que representam os ciclomotores abaixo de 50 cilindradas, ou "cinquentinhas", muitas vezes elétricos, que vêm tomando as ruas das cidades nos últimos anos. Ambas não correspondem a nenhum veículo registrado no Brasil e não seguem o padrão Mercosul — apenas simulam o código alfanumérico. >
Essas identificações decorativas eram compradas pelos donos de veículos mesmo antes da exigência de placas. No entanto, mais recentemente, passaram a ser adquiridas e instaladas com o objetivo de burlar fiscalizações. Isso porque, em 2023, uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) confirmou a exigência de licenciamento e emplacamento. O prazo para regularização terminou em dezembro de 2025. >
>
Mesmo com os flagrantes pelo cerco inteligente, não houve punições aos condutores relacionadas a essas placas irregulares no Estado. De acordo com a Polícia Civil, não existe, neste ano, registro de apreensão de veículos com as sequências alfanuméricas mencionadas. O Detran-ES, por sua vez, disse não ter registrado aplicação de multas referentes à infração.>
Segundo o Detran-ES, embora a legislação preveja multas, o fato de o veículo flagrado não ter registro oficial (placa atribuída) impede o processamento das infrações.>
Além do Espírito Santo, cidades como São Paulo (SP) também estão em alerta com o uso da placa comprada na internet. Em setembro, por exemplo, a Guarda Civil Metropolitana paulista apreendeu uma moto com o item e conduziu a motociclista à delegacia, onde ela foi autuada por adulteração de sinal identificador de veículo automotor.>
Na cidade, foram 10,9 mil ocorrências entre junho e julho de 2025, o que levou o prefeito Ricardo Nunes (MDB) a pedir ao governo federal a volta do lacre metálico em placas de motos, para dificultar a circulação de veículos com o item falso.>
Não existe um consenso jurídico sobre a penalidade que pode ser aplicada a quem utiliza a placa BRA49CC. O Código Brasileiro de Trânsito (CTB) prevê que, se placas como essa forem interpretadas como identificação "em desacordo com as especificações e modelos estabelecidos pelo Contran", pode haver infração média (4 pontos) e multa de R$ 130,16.>
Ainda está prevista a retenção do veículo para regularização e apreensão das placas irregulares. As mesmas penalidades valem para aquele que confecciona, distribui ou coloca placas de identificação não autorizadas pela regulamentação.>
Já se for entendido que se trata de uma identificação falsificada, a infração é gravíssima (7 pontos), o que pode resultar na apreensão e remoção do veículo, além de multa de R$ 293,47.>
Também pode haver prisão. De acordo com o Artigo 311 do Código Penal, quem adultera, remarca ou suprime número de placa, ou qualquer sinal identificador de veículo, pode ser condenado a uma pena de três a seis anos de reclusão. >
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta