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Picado por cobra em praia de Vila Velha conta por que pegou animal

Sem saber se o animal era ou não venenoso, estudante narra drama após ferimento; segundo relatos, muitos banhistas estavam no local, inclusive crianças

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 27/12/2021 às 20h18
Acidente com Gabriel aconteceu na Praia da Costa, na altura do food park da Rua Erothildes Penna Medina
Acidente com Gabriel aconteceu na Praia da Costa, na altura do food park da Rua Erothildes Penna Medina. Crédito: Acervo pessoal | Montagem A Gazeta

Picado por uma cobra na Praia da Costa no domingo (26), o estudante Gabriel Brunelli Costa revelou como tudo aconteceu e por que resolveu pegar o animal na mão. Aproveitando o primeiro domingo de verão, ele jogava bola com amigos quando a namorada saiu da água, avistou a serpente e começou a gritar. "A cobra ficou tomando capote, tentava subir e a maré arrastava. Uma hora, ela chegou muito perto da areia", conta o rapaz.

Gabriel Brunelli Costa

Estudante da área de segurança pública

"Quando cheguei próximo, muitas crianças estavam em volta e minha namorada queria salvar o animal. Tive medo da cobra machucar alguém ou mesmo que o animal morresse, e acabei pegando. Assumi o risco"

Com o movimento do mar e a tentativa de pegar a serpente pela cabeça, o jovem de 24 anos acabou picado. "Ela deu um bote muito rápido e fincou os dentes na minha mão. Eu mesmo abri a boca dela e a levei até os guarda-vidas, mas foi nítido que eles não sabiam ao certo o que fazer, assim como eu", confessa.

Naquele momento, por volta das 14h30, ele ouviu dos profissionais que poderia deixar a serpente na restinga e assim o fez, considerando que lá seria o habitat natural dela. Um vídeo feito por um banhista que presenciou a cena mostra o animal se rastejando em uma área de areia com pequenas vegetações. Confira:

Mãe de um amigo de Gabriel , a dona de casa Patrícia Vitor Tomazini estava na praia e ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não conseguiu ajuda porque, segundo ela, ouviu como resposta que não havia ambulância disponível naquela hora. "Ele passou mal, teve náuseas e ficou tonto", lembra.

Acompanhado de amigos, o estudante foi levado por um deles de carro ao Pronto Atendimento (PA) da Glória, também em Vila Velha, onde ele tomou soro e ficou cerca de três horas em observação até receber alta. "Fizeram um exame de sangue em mim e não havia indício de veneno", conta Gabriel.

Gabriel tem 24 anos, mora no Aribiri e como já tinha servido ao Exército tinha alguma experiência com animal silvestres
Gabriel tem 24 anos, mora no Aribiri e como já tinha servido ao Exército tinha alguma experiência com animal silvestres. Crédito: Acervo pessoal

Diante da negativa de envenenamento, ele questionou o médico por que teria passado mal. A resposta dada pelo profissional foi um conjunto de fatores. "Eu estava de jejum desde as 7h e minha glicemia estava muito baixa. Soma-se a isso o calor e, principalmente, a alta adrenalina. Cheguei a ficar enjoado e a ter um pequeno lapso de memória", revela.

Assustada com o ocorrido, Patrícia — que é uma "tia de consideração" para Gabriel — revela que ele tem um ímpeto de ser o "Tarzan na vida real" e que o episódio gerou um grande "burburinho" na Praia da Costa. Ela também confessa que tem verdadeiro pavor de cobra (nome que ela sequer citou durante a entrevista para A Gazeta).

Patrícia Vitor Tomazini

Dona de Casa

"O meu marido viu o bicho na água, e o Gabriel indo. As crianças estavam em volta, querendo participar do momento, sem conseguirem mensurar o perigo daquilo ali"

Presente durante todo o ocorrido, ela também reclama do atendimento prestado pelos guarda-vidas da região. "Eles não sabem agir nesse tipo de situação ou nos direcionar. As pessoas não estão dando a devida atenção para esses casos. Ontem foi o Gabriel, mas e se fosse uma criança?", questiona.

O QUE DIZ A PREFEITURA DE VILA VELHA

Em nota, a Prefeitura de Vila Velha afirma que os guarda-vidas prestaram atendimento e orientação após o ocorrido e que estes acionaram o Corpo de Bombeiros, que enviou uma ambulância, que não teria sido aguardada pela vítima. Durante todo o tempo, um deles também esteve com o rapaz.

"A Coordenação de Salvamar informa que os profissionais não têm treinamento para manipular qualquer tipo de animal e que, nessas situações, apenas orientam aos banhistas que se afastem. O protocolo é acionar os serviços de referência, como a Polícia Ambiental e o Samu, quando necessário", esclarece.

A reportagem de A Gazeta demandou a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), responsável pelo Samu, sobre o relato de não atendimento por falta de ambulâncias disponíveis. O texto será atualizado quando houver retorno.

VI UMA COBRA. E AGORA?

A Prefeitura de Vila Velha orienta que os banhistas não manipulem animais silvestres e que acionem guarda-vidas ou qualquer autoridade policial. "O serviço de resgate pode ser solicitado por meio da Ouvidoria Municipal (162) ou direto no Ciodes (190), para a Polícia Militar Ambiental", finaliza.

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