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Risco elevado

Pesquisa mostra efeitos de comorbidades em pacientes com Covid no ES

O problema de saúde preexistente tem impacto diferente por faixa etária, e aumenta a possibilidade de um quadro clínico mais grave

Publicado em 10 de Agosto de 2020 às 18:39

Redação de A Gazeta

Publicado em 

10 ago 2020 às 18:39
Teste de glicemia para diabético; diabetes
Teste de glicemia para diabético: pessoas com diabetes infectadas pelo coronavírus têm risco maior de morte na faixa etária de 30 a 39 anos Crédito: Shutterstock
Uma pesquisa conduzida por dois professores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), usando os dados da Covid-19 informados pelo governo, indica os efeitos das comorbidades em pacientes infectados pelo coronavírus no Estado. Problemas de saúde preexistentes como fator de risco já eram conhecidos, porém, o estudo agora relaciona os casos mais graves a comorbidades por faixa etária. 
Pesquisa mostra efeitos de comorbidades em pacientes com Covid no ES
Adonai José Lacruz, professor da Ufes e do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), conta que foram extraídos dados do Painel Covid-19, ferramenta do governo do Estado com acompanhamento diário sobre a doença, para identificar o grau de risco na população que é infectada pelo coronavírus. 
"Vimos que, na faixa etária mais alta, o índice de letalidade é maior. O governo informa 3%, que é um dado verdadeiro para a letalidade no Estado, mas é muito diferente por faixa etária. Até 4 anos, é menos de 1%; acima de 70 anos, mais de 20%. E pensamos: será que as comorbidades afetam de maneira igual todas as pessoas?"
Adonai Lacruz - Professor e coordenador do laboratório de análise de dados da Ufes
Na primeira fase da pesquisa, foram observadas as faixas etárias de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos, que concentram 46% dos casos de Covid-19 no Espírito Santo.
Adonai José Lacruz, professor do Ifes e da Ufes
Adonai José Lacruz, professor do Ifes e da Ufes, está conduzindo pesquisa sobre comorbidades e a Covid-19 Crédito: Acervo pessoal
Adonai Lacruz, que é coordenador do laboratório de análise de dados da Ufes e realiza o estudo em parceria com o professor Hélio Zanquetto Filho, ressalta que foram separadas as pessoas que não tinham comorbidade daquelas que apresentavam um problema de saúde exclusivo.
De 30 a 39 anos, segundo o estudo, a diabetes foi a comorbidade que mais elevou o risco para os pacientes.  Nessa faixa etária, para quem não tinha nenhum problema de saúde preexistente, a possibilidade de morte era de 0,52%. Para os diabéticos, saltou para 5,84%. Associando mais uma comorbidade - pulmão - o risco subiu para 10,67%.
No grupo seguinte, até 49 anos, a comorbidade mais importante foi a renal, elevando de 1,29% para 9,4% o risco de morte. "Nem todas as comorbidades afetam todas as idades, e algumas são mais severas que outras", constata o professor. 
Nas outras faixas etárias, como o número de mortos (entre os mais novos) e o de sobreviventes (entre os mais idosos) não é elevado, Adonai Lacruz explica que é mais complexo fazer uma análise consistente dos dados. 
As informações para o estudo foram extraídas no dia 27 de julho do Painel Covid-19, e foram utilizados os dados sobre casos confirmados que, no horário coletado, eram referentes a 77.201 pessoas. Dessas, foram feitas observações relacionadas a pacientes sem comorbidades e com comorbidade exclusiva como, por exemplo, a diabetes. Deste grupo, havia 58.019 curados e 2.411 mortes. 
Adonai Lacruz afirma que as pesquisas vão continuar e a expectativa é de que os dados apurados possam servir de subsídio para ações em saúde pública. 

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