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MP cobra aplicação de mais de 54 mil vacinas armazenadas no Sul do ES

Segundo o MP, 54.792 doses que foram retiradas pelos municípios na Superintendência Regional de Saúde da Região Sul ainda estão armazenadas nas câmaras refrigeradas das cidades. Municípios afirmam que números estão desatualizados

Cachoeiro de Itapemirim / Rede Gazeta
Publicado em 10/06/2021 às 11h06
Quem tiver com o prazo da segunda dose vencendo, precisa aguardar até que uma nova remessa da vacina chegue ao município
MP notifica municípios que estão com doses de vacina armazenadas no Sul do ES. Crédito: Matheus Martins/TV Gazeta Sul

Os municípios da Região Sul do Estado foram cobrados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para que não estoquem vacinas contra a Covid-19. A notificação ocorreu durante uma reunião virtual com os secretários municipais de 26 municípios, nesta quarta-feira (9). A cobrança é de planejamento e adoção de providências imediatas para que a população integrante dos grupos prioritários seja efetivamente vacinada com a primeira dose da vacina.

O MPES questionou a diferença constatada entre a quantidade de doses distribuídas e a quantidade aplicada da primeira dose (D1) nos municípios. "Conforme dados verificados pelo Ministério Público no painel Covid-19 do Estado do Espírito Santo e as informações do Ministério da Saúde em relação às doses distribuídas e aplicadas da D1, 54.792 doses das vacinas que foram retiradas pelos municípios na Superintendência Regional de Saúde da Região Sul ainda estão armazenadas nas câmaras refrigeradas dos municípios, sem que tenham sido aplicadas", informou o MPES.

“Estamos em meio a uma pandemia, precisamos levantar onde estão essas doses, e por que ainda não foram aplicadas. Se temos mais de 50 mil doses armazenadas somente na Região Sul, sem aplicação, estamos prejudicando toda a população capixaba. É necessário que essas vacinas não apenas cheguem nos municípios, mas que sejam efetivamente aplicadas. A vacina precisa estar no braço da população priorizada nesse momento, e não em câmaras refrigeradas”, cobrou a promotora de Justiça e coordenadora do Gabinete de Acompanhamento da Pandemia (GAP-Covid-19), Inês Thomé.

Ainda de acordo com o MPES, é preciso que os municípios adotem medidas o mais rápido possível para permitir que mais pessoas sejam vacinadas, com estratégias como, oferta das vacinas em horários diferenciados e a realização da busca ativa. Também foi pedido que as prefeituras agilizem os registros das doses já aplicadas e, ainda, não informadas.

A coordenadora também questionou a demora para a retirada das doses que chegam à Superintendência Regional de Saúde. "Temos dados de que as vacinas chegam, e alguns municípios demoram quase uma semana para buscar as doses e, depois, ainda temos a demora para o início da imunização. É de suma importância que a Campanha Nacional de Vacinação avance com planejamento e responsabilidade para alcançarmos uma imunização coletiva satisfatória", disse.

EXPLICAÇÃO DAS PREFEITURAS

Ainda de acordo com o MPES, durante a reunião, as prefeituras explicaram que as informações do painel estão defasadas porque o número de doses aplicadas é maior que o registrado e que isso vem acontecendo por falta de recursos humanos para inserir os dados no sistema do Ministério da Saúde.

Outra dificuldade apresentada pelas prefeituras foi em atingir determinados públicos prioritários devido às dificuldades logísticas. A orientação de Thomé é que as secretarias municipais realizem, com urgência, mutirões para a inserção dos vacinados no sistema do Ministério da Saúde para permitir a atualização dos dados.

O MPES informou que realizará reuniões para tratar do mesmo tema com os municípios das outras regiões do Estado.

UM MUNICÍPIO JÁ HAVIA SIDO NOTIFICADO

Um município da Região Sul do Espírito Santo foi notificado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) depois de ter estocado vacinas contra a Covid-19 em câmaras frias. O caso foi descoberto após uma visita de técnicos da Superintendência Regional Sul de Saúde na cidade. O nome do município não foi informado pela Sesa e o motivo não foi esclarecido. 

A irregularidade teria acontecido no final do mês de maio, quando havia um cenário de escassez de vacinas, que levou ao atraso na aplicação da segunda dose da Coronavac no Estado. Procurada pela reportagem de A Gazeta, a Sesa informou, por meio de nota, que enviou ao Ministério Público do Espírito Santo um relatório com as não-conformidades identificadas pelos técnicos da Superintendência Regional Sul de Saúde, em visita realizada na Rede de Frio de um município da região.

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