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Falta de professores faz curso não abrir novas turmas na Ufes em 2026

Falta de professores faz curso não abrir novas turmas na Ufes em 2026

Departamento diz que decisão foi motivada pela defasagem no quadro de docentes efetivos; universidade afirma estar buscando o MEC para solucionar o problema

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 17:21

Ufes
Ufes diz ter procurado o MEC para a liberação de vagas para novos professores Crédito: Carlos Alberto Silva

O Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) publicou, na última segunda-feira (19), uma nota anunciando que não serão abertas novas vagas para os ingressantes de 2026. O comunicado ocorre em meio à ausência do curso no quadro de opções do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), aberto no início desta semana e com encerramento nesta sexta (23).

Na carta, a Coordenação do Curso de Terapia Ocupacional ressalta que a decisão foi motivada pela quantidade reduzida de professores efetivos vinculados ao departamento, o que gerou dificuldades na oferta de disciplinas do curso. A chefia ainda reforça que a atitude foi pontual, com o objetivo de melhorar a organização do corpo docente e a qualidade de ensino aos estudantes. A Ufes afirma que vem buscando com o Ministério da Educação a liberação de vagas para o magistério superior.

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Falta de professores faz curso não abrir novas turmas na Ufes em 2026

Atualmente, o curso conta com 13 professores efetivos, número que a coordenação considera abaixo do necessário para cumprir o projeto pedagógico. Segundo a coordenadora do curso, Giovanna Bardi, o currículo atual foi estruturado para funcionar com, pelo menos, 22 docentes.

"Não está diferente de outras universidades parceiras. A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) tem mais de 20 docentes. A UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) tem mais de 20 docentes. A UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) tem mais de 20 docentes. Então, quando faz esse levantamento, a gente vê que o desfalque realmente procede", diz Giovanna.

Prioridades diferentes

A decisão de suspender a entrada de novos estudantes ganhou força após a aprovação de dois novos cursos de Medicina na Ufes, nos campi de Alegre e São Mateus, ambos com previsão de grande número de professores efetivos. A medida deixou clara, segundo a coordenadora, que não haveria outra forma de ajudar.

“A última medida que a gente não tinha feito ainda seria não ofertar as vagas do Sisu este ano. Então, foi como prosseguimos”, completa Giovanna.

A coordenação afirma que a suspensão tem fundamentação pedagógica e técnica. Com menos docentes do que o previsto, o curso enfrenta dificuldades para ofertar todas as disciplinas do currículo, o que gera atrasos na formação dos alunos.

“Pausando durante um ano essa entrada, conseguimos ofertar menos disciplinas, porque não temos dado conta de ofertar todas do currículo. Conseguimos enxugar um pouco esse número e cuidar melhor dos alunos que já estão no curso, garantindo que possam ter mais qualidade”, explica.

Procura por substitutos

Uma das alternativas utilizadas historicamente pela universidade é a contratação de professores substitutos, mas Giovanna afirma que essa solução deixou de funcionar, pois vários profissionais da área tendem a seguir no mercado, visto a defasagem no salário oferecido pela instituição.

“Hoje em dia os terapeutas ocupacionais não têm interesse em ser substituto na Ufes, porque o salário está muito defasado. Eles olham a divulgação da vaga e nem prestam. A gente abre processo seletivo e, às vezes, não tem nenhum inscrito.”

Além disso, o mercado de trabalho para terapeutas ocupacionais no Espírito Santo estaria aquecido, o que torna a carreira acadêmica temporária pouco atrativa.

O que diz a Ufes?

Em nota, a Administração Central da Ufes informa que reconhece as dificuldades enfrentadas pelo curso e afirma que, há mais de cinco anos, solicita ao Ministério da Educação (MEC) a liberação de vagas para professores do magistério superior.

Segundo a universidade, o pedido mais recente foi encaminhado em abril de 2025, mas até o momento não houve autorização para novos concursos.

A Ufes explica ainda que, em novembro de 2025, reuniu-se com representantes do curso e do Centro de Ciências da Saúde para tentar manter a oferta de vagas no Sisu 2026. No entanto, ressalta que, conforme o estatuto da instituição, cabe aos departamentos definir a oferta de vagas, de acordo com o número de professores disponíveis, a infraestrutura e a estrutura curricular.

A universidade afirma que a suspensão é pontual e tem como objetivo reorganizar o corpo docente para a oferta das disciplinas, com previsão de retorno das vagas no Sisu 2027

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