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Vírus em descoberta

Estudo reforça relação entre o perfil genético e a resposta à Covid-19

A pesquisa do Centro de Estudo do Genoma Humano e de Células-Tronco, da USP busca descobrir e diferenciar os genes de proteção e de risco e como eles atuam no organismo

Publicado em 14 de Setembro de 2020 às 19:34

Redação de A Gazeta

Publicado em 

14 set 2020 às 19:34
Cientistas desenvolveram um novo exame de sangue capaz de detectar cinco tipos de câncer de forma precoce
Cientistas buscam descobrir sobre o novo coronavírus Crédito: Edward Jenner/ Pexels
Estudos do Centro de Estudo do Genoma Humano e de Células-Tronco, da USP, mostram uma variação de resposta à Covid-19 de acordo com o perfil genético de cada indivíduo. A variabilidade é vista entre pacientes que apresentaram quadros graves, mesmo sem comorbidades, e outros que sequer apresentaram sintomas da doença. A pesquisa busca descobrir e diferenciar os genes de proteção e de risco e como eles atuam.
Segundo a professora titular de Genética e diretora do Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco, da Universidade de São Paulo, Mayana Zatz, a estratégia é comparar esses dois casos: pessoas que tiveram formas graves e morreram em decorrência do novo coronavírus e, por outro lado, os assintomáticos.
"Se a gente conseguir identificar os genes, isso pode ter aplicação imediata com a mudança de comportamento de cada um. Alguns terão que se proteger mais e outros poderão retomar as atividades normais", explicou.
As amostras de autópsias são cedidas pela Faculdade de Medicina da USP. No outro lado da pesquisa, a análise daqueles que não tiveram sintomas é baseada em diferentes grupos de pessoas.
A professora explica que um dos grupos é composto por casais discordantes. Isso é, que apresentaram quadros diferentes da Covid-19. Há também a análise de gêmeos, que segundo Mayana Zatz, têm influência não apenas do ambiente, como no primeiro grupo, mas de genética.
Os dados já analisaram três pares de gêmeos fraternos (idênticos), entre eles apenas um apresentou quadros semelhantes da doença. Outros cinco pares monozigóticos, entre seis estudados, tiveram quados semelhantes. Isso é, um teve sintomas e o outro também teve.
Outro grupo buscado pelos pesquisadores é o de idosos acima dos 95 anos que tiveram formas leves ou foram assintomáticos durante o período da doença.
Em entrevista ao jornalista Fábio Botacin, durante o CBN Cotidiano desta segunda-feira (14), Mayana Zatz defendeu que os avanços na descoberta da doença só são possíveis com investimentos na ciência e em tecnologia.
"É um vírus que estamos aprendendo muito. É importante que as autoridades entendam a importância da ciência. Tudo isso que está sendo estudado é resultado de investimento dos últimos anos. Espero que os governantes priorizem o investimento em ciência e tecnologia", finaliza.

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