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Escolas investem em aula 3D e ioga pela internet para ajudar alunos

Inovações tecnológicas e lúdicas são usadas para vencer o obstáculo do ensino virtual e fazer com que os alunos tenham o melhor acesso aos conteúdos

Publicado em 01/11/2020 às 08h08
Professor Diogo Moreira dá aula usando tecnologia 3D
Professor Diogo Moreira dá aula usando tecnologia 3D. Crédito: Divulgação/Escola São Domingos

Figuras tridimensionais, plataformas para avaliar a leitura, criação de personagens fictícios, uso de aplicativos e games populares e até aulas de ioga. Essas são algumas ferramentas utilizadas por escolas e por professores do Espírito Santo para enfrentar o desafio da educação à distância durante a pandemia do novo coronavírus. Inovações tecnológicas e lúdicas empenhadas para vencer o obstáculo do ensino virtual e fazer com que os alunos tenham o melhor acesso aos conteúdos.

Apesar de o governo estadual ter liberado o retorno às aulas presenciais no mês de outubro, muitos pais ainda não se sentiram seguros para mandar os filhos de volta para as escolas. E, mesmo para os que optaram pelo retorno, foram muitos os meses de ensino virtual, em que professores e alunos tiveram que se adaptar a um novo formato de aprendizagem.

Além do ensino por meio do computador, através de aulas transmitidas em vídeo, era preciso mais para atrair a atenção dos alunos, desde a educação infantil até o pré-vestibular. Para isso, escolas e corpo docente desenvolveram novas ferramentas e ações além do vídeo e disponibilização de materiais. São inovações tecnológicas e adaptações no formato do ensino para que o conteúdo chegue da melhor maneira possível ao estudante.

No campo das inovações, escolas investiram em formatos interativos para que professores dessem uma outra dimensão do conteúdo para os alunos. E dimensão, neste caso, não é exagero. Entre as novas ferramentas adotadas durante a pandemia, a Escola São Domingos, em Vitória, implantou uma plataforma em que os professores utilizam figuras tridimensionais e cenários de realidade aumentada, para a apresentação do conteúdo de uma forma mais concreta, como explicou o gerente de operações da instituição, Henrique Carneiro.

“São mais de 1.500 modelos 3D, que podem ser utilizados por professores de todas as disciplinas. O educador consegue manipular o objeto, dando zoom, girando, aproximando e apontando na tela para o aluno, permitindo que ele vivencie de forma muito mais concreta o que está aprendendo. Se antigamente o professor precisava desenhar no quadro, ou mostrar uma imagem em um projetor, por exemplo, uma célula e suas subpartes, hoje ele pode utilizar o modelo 3D para uma percepção mais concreta. Esse é o grande objetivo, trazer uma experiência que engaje mais e torne a aprendizagem mais significativa”, disse.

Diogo Moreira, ministrando aula de Biologia em 3D na Escola São Domingos
Professor dá aulas presenciais e pela internet. Crédito: Ricardo Medeiros

Para uma adaptação aos novos formatos, a escola criou um setor específico de tecnologia, onde funcionários e professores foram treinados e capacitados para o uso das ferramentas de forma com que os recursos integrem elementos do mundo real com informações virtuais. “Nesse setor temos uma equipe para acompanhar, ajudar e indicar aos educadores o uso das ferramentas. Eles fazem desde o mapeamento de uma ferramenta interessante no mercado até a implantação na sala de aula.”

Outras instituições aprimoraram ou passaram a utilizar mais ferramentas que já eram disponíveis para a aplicação do conteúdo para os alunos. É o caso da Escola Americana de Vitória, também no bairro Bento Ferreira. Uma plataforma já estabelecida na rotina dos professores e estudantes, que antes tinha um funcionamento complementar, passou a ser essencial durante o ensino virtual. Trata-se de um ambiente on-line que mede o nível de leitura dos alunos à distância.

O estudante entra na plataforma, faz a leitura de textos disponibilizados de uma forma que o áudio fica armazenado. O professor, de posse da gravação, analisa o nível de leitura do estudante e disponibiliza materiais mais complexos ou mantém conteúdos do mesmo nível para uma melhor prática.

“Esse era um recurso complementar. Durante a pandemia a gente priorizou. As crianças conseguiam acessar e a gente fazia isso de forma remota. Conseguimos trabalhar muito a leitura”, explicou a diretora pedagógica da Escola Americana de Vitória, Andrea Buffara.

Alunos da Escola Americana praticam leitura em plataforma online, avaliados por professores
Aluna pratica leitura em plataforma on-line e é avaliada por professores. Crédito: Divulgação / Escola Americana

Plataformas de interação direta com os alunos foram utilizadas das mais diversas formas para chamar a atenção dos estudantes e fazer com que os conteúdos fossem absorvidos de várias maneiras.

Outra instituição que utilizou essas ferramentas para estimular o aprendizado foi o Centro Educacional Leonardo Da Vinci, em Vitória. De acordo com o coordenador do ensino fundamental II e médio do Centro, João Duarte, aplicativos de questionários (Kahoot) e murais colaborativos (Padlet) são instrumentos importantes para que os professores consigam acompanhar o aprendizado em tempo real e também a longo prazo.

“Algumas oferecem resultados imediatos e outras mais a médio e a longo prazo. No questionário gamificado (Kahoot), por exemplo, a devolutiva do aluno mostra durante a aula se o conteúdo ficou bem trabalhado. Já no mural colaborativo (Padlet), o professor avalia a evolução do aluno ao longo do processo de ensino”, destacou.

REDE ESTADUAL

E o exemplo de como as plataformas de interação podem promover diversas formas de aplicação do conteúdo, são os métodos utilizados pela professora de Química da rede estadual de ensino, Nádia Toniato.

Ela, que leciona para alunos do ensino médio nas escolas estaduais Eurico Salles, em Itaguaçu, e Professora Aleyde Cosme, em Itarana, faz a aplicação do conteúdo em diversas mídias por meio de apenas uma plataforma: o Padlet, algo como um mural colaborativo, já citado e também utilizado por escolas da rede particular.

Através dele, a professora disponibiliza para os alunos conteúdos em áudio, no formato de podcast, vídeo de exemplos do dia a dia do que está sendo estudado, vídeos de explicações da própria professora para os alunos e plataformas para simulados específicos da disciplina. “A ideia é instigar, oferecer vários estímulos de aprendizagem. De repente um aluno aprende melhor ouvindo, outro aprende melhor vendo. O objetivo é identificar a melhor forma de cada um absorver os conteúdos”, disse.

APLICATIVOS E GAMES POPULARES

Algumas escolas se apegaram aos queridinhos das crianças e adolescentes na internet como forma de engajar ainda mais os alunos na disseminação dos conteúdos. Qual pai nunca ouviu o filho ou a filha falarem da plataforma on-line de vídeos Tik Tok? Ou do jogo de construção em blocos Minecraft?

A Escola da Ilha, também localizada em Vitória, apostou em aulas utilizando as ferramentas para despertar ainda mais o interesse dos estudantes, como explica o professor de Matemática do ensino fundamental II Jardel Miguel.

“O Tik Tok veio em um projeto em que os alunos deveriam criar um enredo em cima de temas tecnológicos. Eles leram, sintetizaram as informações, juntaram as partes mais relevantes em vídeos curtos de 30 segundos a 1 minuto e conseguiram fazer as edições utilizando o celular. Agora, eles conseguem pegar informações mais relevantes em textos e vídeos mais longos e sintetizar de maneira mais direta e objetiva. Já o Minecraft foi para o ensino da geometria de posição, descritiva. Para aguçar a percepção espacial dos alunos”, destacou.

O professor de Geografia Marcio Padovani, do Colégio Salesiano, criou personagens para deixar aulas mais atrativas
O professor de Geografia Marcio Padovani criou personagens para deixar aulas mais atrativas. Crédito: Divulgação / Colégio Salesiano

Já o professor de Geografia Márcio Padovani, do Colégio Salesiano de Jardim Camburi, na Capital, teve uma sacada e tanto para virar a chave e prender mais a atenção dos estudantes. Ele criou personagens utilizando aplicativos de celular. “De início, gravei aulas muito formais. E percebi que não eram atrativas. Então, comecei a inserir personagens às minhas aulas utilizando filtros de aplicativos. Os personagens trouxeram alegria às aulas e ajudaram os alunos a fixarem os conceitos”, contou.

O resultado? Não podia ser outro. Mais atenção e produtividade dos pequenos, mesmo assimilando os conteúdos à distância. “A visualização das aulas aumentou e o aprendizado também”.

DESAFIOS

As plataformas tecnológicas para diferentes aplicações dos conteúdos são muitas. No entanto, para algumas disciplinas não gera tanto efeito. É o caso da Educação Física. Como manter alunos ativos fisicamente no ensino remoto? A Escola Monteiro, em Vitória, por exemplo, desenvolveu atividades com o uso de objetos do dia a dia.

“Os professores começaram a vislumbrar atividades que pudessem ser feitas dentro do próprio espaço de casa. O sofá, uma cadeira, a parede. O retorno foi muito positivo. Para se ter ideia, pais também faziam as aulas”, disse.

Além do compromisso de cumprimento da grade curricular, a escola viu uma demanda criada por conta da pandemia: alunos desenvolvendo problemas de peso, de sono, entre outros, por conta do longo período de confinamento.

Professora Renata Spinassé, do Colégio Renovação, dando aulas de ioga à distância para os alunos
Professora Renata Spinassé dando aulas de ioga à distância para os alunos. Crédito: Arquivo pessoal

Se no começo da pandemia o desafio era de alguma forma criar mecanismos para os alunos liberarem energia, com o passar do tempo o obstáculo tornou-se o desgaste mental criado pelo isolamento social. Observando essa necessidade, o Colégio Renovação, em Vitória, começou a promover aulas de ioga.

“Para a preservação mental das crianças e das famílias que ficaram em casa, nós fizemos as aulas de ioga. Desde a educação infantil até o ensino médio. Para priorizar o equilíbrio emocional, um momento de reflexão, fugindo um pouco dos conteúdos programáticos. Isso também deu condição de ajudar no aprendizado”, destacou a pedagoga e dona da instituição, Rafaela Emerick.

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