Publicado em 16 de dezembro de 2021 às 16:23
A população do Espírito Santo terá que aguardar a chegada da vacina da Pfizer específica para crianças para que seja iniciada a imunização desse grupo. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), há 393.089 pessoas entre 5 e 11 anos no Estado que poderiam tomar a nova vacina, contudo, a pasta ainda aguarda orientações do Ministério da Saúde.>
A Sesa ressaltou que a imunização de crianças é fundamental para protegê-las e permitir o alcance de 90% de cobertura vacinal da população total. “Vacinas são seguras, eficazes e devem ser disponibilizadas para toda a população. A imunidade de rebanho não é opção de saúde pública para nenhuma faixa etária”, disse o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes.
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta quinta-feira (16) o uso da vacina da Pfizer para imunizar crianças a partir de 5 anos contra a Covid-19. Com isso, a bula do produto no Brasil passará a indicar essa nova faixa etária. Até então, o uso só era permitido no país em pessoas com mais de 12 anos.
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Agora, cabe ao Ministério da Saúde decidir quando iniciar essa vacinação. Mas isso não deve ocorrer imediatamente porque a pasta ainda não pediu a compra de doses específicas para a faixa etária.>
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Segundo a Pfizer, o contrato para fornecimento de 100 milhões de vacinas em 2022 inclui a possibilidade de entrega das versões modificadas do imunizante, tanto para combater a nova variante ômicron como para proteger crianças. A farmacêutica confirmou que nenhum a dose pediátrica foi enviada ao Brasil.>
A empresa disse que não é preciso realizar um aditivo no contrato. Para garantir a entrega das doses específicas das crianças, basta um pedido do ministério. A Pfizer não informou em quanto tempo pode enviar essas vacinas após ser acionada pela Saúde. Gestores do ministério estimam que as doses comecem a chegar no próximo mês. Procurada, a pasta não se manifestou.
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A resolução da Anvisa prevê que as crianças recebam duas doses de 10 microgramas num intervalo de 21 dias e deverá ser publicada na edição extra do Diário Oficial da União nesta quinta.>
As vacinas da Pfizer aplicadas no grupo de 5 a 11 anos e nos mais velhos têm o mesmo princípio ativo, mas algumas diferenças na composição.>
A dose destinada às crianças equivale a um terço daquela indicada ao grupo de 12 anos ou mais. O frasco do imunizante dos mais jovens tem coloração laranja justamente para diferenciar o produto.>
Esse frasco da vacina das crianças também comporta mais doses e pode ficar armazenado por mais tempo (até dez semanas) em temperaturas de 2°C a 8°C, intervalo usado em refrigeradores convencionais do SUS. Já o outro modelo se mantém por até 31 dias nessas condições.>
Para começar a aplicação, o governo também precisará inserir o novo público no plano de vacinação da Covid e organizar a entrega das doses específicas aos Estados.>
A medida, no entanto, deve enfrentar resistência do próprio presidente Jair Bolsonaro (PL). Em declarações recentes, o chefe do Executivo tem levantado dúvidas sobre a segurança e eficácia dos imunizantes, especialmente nos mais jovens.>
Diretores da Anvisa receberam ameaças por causa da análise do pedido da Pfizer. A agência solicitou, mas não recebeu, proteção policial da sua cúpula e dos técnicos mais expostos.>
O diretor-presidente da agência, Antonio Barra Torres, comentou o episódio durante o comunicado desta quinta.>
"O acirramento dessa violência antivacina vai num viés crescente e é importante que falemos enquanto há tempo, antes que ameaças como essas e outras se concretizem", disse.>
Representantes da agência também fizeram questão de ressaltar que os benefícios da vacina superam os riscos.>
De acordo com Mendes, a Pfizer apresentou resultados de estudos realizados com aproximadamente 4.000 crianças que mostram uma eficácia de 90% do imunizante quando aplicado neste grupo.>
"O perfil de segurança da vacina, quando comparado com o do placebo, é muito positivo. Quando a gente observa qualquer reação [adversa], não tem uma diferença importante entre placebo e vacina. E não há relato de nenhum evento adverso sério, de preocupação, não há um relato de casos graves ou mortalidade por conta da vacinação comparado com o placebo", explicou.>
O diretor ainda afirmou que os estudos da Pfizer mostram que o grupo que tomou placebo apresentou uma incidência maior de casos de Covid-19 comparado com quem tomou a vacina. Além disso, o imunizante apresentou eficácia contra a variante delta.>
Nos testes, a farmacêutica dividiu as crianças em três grupos e administrou doses diferentes do imunizante para avaliar qual a ideal a ser aplicada nos mais jovens. Em seguida, elas foram divididas em em dois grupos, com dois terços tomando a vacina, e um terço, placebo.>
A Anvisa fez 17 recomendações para o Ministério da Saúde seguir quando iniciar a imunização da nova faixa etária.>
A agência sugere, entre outros pontos, que a vacinação das crianças seja iniciada após o treinamento completo das equipes de saúde e que ela ocorra em locais específicos, diferente dos adultos.>
A sala também deve ser exclusiva para aplicação da vacina contra a Covid, não devendo ser aproveitada para aplicação de outras vacinas, mesmo que pediátricas.>
Por precaução, a Anvisa também orientou que a vacina da Pfizer não seja administrada de forma concomitante com outras, mesmo que do calendário infantil.>
As crianças que completarem 12 anos no intervalo entre a primeira e a segunda deverão finalizar o ciclo com a dose reduzida.>
Outra orientação da agência é para que não seja utilizado o modelo de drive-thru na imunização desse público e que as crianças permaneçam nos locais de vacinação por aproximadamente 20 minutos após serem imunizadas para o acompanhamento de alguma reação adversa.>
Nos próximos dias, o órgão deve avaliar o pedido do Butantan para usar a Coronavac na imunização de crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. O pedido foi recebido nesta quarta e a Anvisa tem 30 dias para se pronunciar.>
Esse é o segundo pedido do laboratório para indicação do imunizante para essa faixa etária. O primeiro, apresentado em julho, foi avaliado pela Anvisa e negado por causa da limitação de dados dos estudos apresentados naquele momento.
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Desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, a Coronavac está autorizada para uso emergencial no Brasil desde 17 de janeiro deste ano para maiores de 18 anos.>
* Com informações de Folhapress
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