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Dr. TikTok: os riscos de usar redes sociais para diagnosticar doenças

Dr. TikTok: os riscos de usar redes sociais para diagnosticar doenças

Criadores de conteúdo que não são especialistas podem levar pessoas a diagnósticos errados, e com isso problemas de saúde podem ser agravados

Publicado em 5 de agosto de 2023 às 08:51

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Estudante utiliza aplicativos de pesquisa e TikTok para juntar dinheiro
Pessoas impactadas pelo conteúdo podem tomar esses diagnósticos como verdades absolutas. (Pexels)

Você já se distraiu durante uma aula? Já perdeu ou esqueceu coisas por aí? Já sentiu seu coração palpitar por causa de algo que estava acontecendo ou prestes a acontecer? Em tempos de TikTok, esbarrar com conteúdos em que alguém relata sinais como esses e conta que foi diagnosticado com algum tipo de distúrbio ou doença é comum.

Alguns criadores de conteúdo — pacientes, não os especialistas — chegam até mesmo a sugerir que, se a pessoa do outro lado da tela se identificou com algum tópico, pode ter o problema também. Com isso, têm aumentado os casos de autodiagnóstico. Especialistas alertam, porém, que a prática é perigosa.

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Não são especialistas dando esses diagnósticos. Não são pessoas formadas, que estudaram profundamente essas questões. Não se faz diagnóstico sem ter minimamente um estudo, sem conhecer o paciente, observar o meio em que vive, as interações sociais

Professora Luizane Guedes Mateus
Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
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Ela pontua ainda que há o risco de as pessoas impactadas pelo conteúdo acabarem tomando esses diagnósticos como verdades absolutas, inclusive, adotando rótulos para si que, muitas vezes, nem mesmo estão corretos.

“Outro risco importante é que a pessoa acaba não buscando de fato tratamento para aquilo que a incomoda. O autodiagnóstico, por qualquer meio que seja, já é um problema. A pessoa deve buscar ajuda de um profissional.”

O professor de Medicina da Universidade Vila Velha (UVV) e especialista em Imunologia e Pediatria, Fabrício Prado, observa que um diagnóstico precisa cumprir critérios que vão muito além de experiências cotidianas.

É uma lógica semelhante ao que se percebe ao fazer uma busca por sintomas e possíveis doenças na internet. O especialista explica que as informações fornecidas, mesmo em sites e canais de profissionais da área, são feitas de forma geral, sem considerar as especificidades de cada caso, de modo que nem sempre atender a alguns critérios significa que se trata, de fato, de determinado problema.

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É um assunto realmente muito pertinente de ser debatido, porque, cada vez mais, com acesso à internet, as pessoas tendem a procurar e consumir esse tipo de conteúdo, e é algo bastante danoso. Sem uma orientação adequada, os riscos são inúmeros

Fabrício Prado 
Professor de Medicina da UVV e especialista em Imunologia e Pediatria
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Ele pontua, por exemplo, que, ao fazer um autodiagnóstico, passível de erro, algumas pessoas chegam até mesmo a iniciar tratamentos dos quais não precisam. Em alguns casos, isso envolve a automedicação, que pode, inclusive, levar ao desenvolvimento de complicações.

“Temos muito autodiagnóstico em relação ao peso, por exemplo. As pessoas acabam fazendo dietas erradas, que ocasionam problemas imunológicos. E, no Brasil, também há muito autodiagnóstico de dor, que leva à automedicação, sendo que temos remédios potentes liberados sem receita. E não são só problemas físicos. São comuns os casos de autodiagnóstico de ansiedade, depressão, doenças psicossociais.”

Prado destaca ainda outro problema: mesmo em casos em que o diagnóstico é correto, sem ajuda especializada, a doença, síndrome ou distúrbio acaba não sendo tratada de maneira correta ou nem mesmo é tratada, o que agrava ainda mais a situação.

Doenças e transtornos com autodiagnóstico frequente, segundo especialistas:

  • Ansiedade
  • Depressão
  • TDAH (Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade)
  • Autismo
  • Transtornos alimentares
  • Dores em geral

Orientação é para que pacientes busquem ajuda especializada em casos de sintomas ou suspeitas.

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