Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sejus acata pedido

Direção de 7 presídios no ES vai mudar após recomendação de MPES e MPC

Tanto o Ministério Público de Contas quanto o órgão estadual identificaram o descumprimento de legislação na nomeação dos profissionais que estão no cargo

Publicado em 31 de Março de 2025 às 19:52

Aline Nunes

Publicado em 

31 mar 2025 às 19:52
Presídio de Segurança Máxima em Viana: muitos presos, pouco espaço
Sete presídios terão mudanças na direção, conforme anunciou a Sejus Crédito: Tati Belling/Ales
Após recomendação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e do Ministério Público de Contas (MPC), a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) — órgão responsável pela gestão do sistema penitenciário capixaba — vai trocar sete diretores de presídios, na Grande Vitória e no interior. Os profissionais deixarão o cargo por não ter a formação exigida por lei para desempenhar a função. 
Em entrevista para A Gazeta, o secretário de Estado da Justiça, Rafael Pacheco, disse que a troca dos diretores pode acontecer ainda esta semana, antes do prazo final estabelecido pelos órgãos ministeriais. O secretário explica que tentou demonstrar que a legislação é muito antiga, que tem dispositivos em conflito com outras mais atuais e algumas em desuso. Mas frisa que, se o entendimento do Ministério Público é pela substituição, ele vai adotar a medida. "Eu nunca me insurgi em cumprir a lei", ressalta.
Um dos argumentos usados, acrescenta o secretário, foi a reserva de mercado definida pela lei estadual que criou a Polícia Penal. Contudo, Rafael Pacheco conta que já escolheu os substitutos. "O sistema penitenciário é muito delicado, sensível. Um movimento equivocado e temos um problema. Já fiz a escolha para causar o menor impacto possível na estrutura."
Direção de 7 presídios no ES vai mudar após recomendação de MPES e MPC

Recomendação

A Sejus recebeu duas notas recomendatórias. A do MPES é assinada pelo promotor de Justiça Pedro Ivo de Sousa, que, na notificação emitida na última quinta-feira (27), pontua que o procedimento seria para apurar a situação de ilegalidade da nomeação dos diretores em desconformidade com a Lei de Execução Penal, do ano de 1984. No artigo 75 dessa legislação, ficou estabelecido que, para ocupar esse cargo, o profissional precisar ter diploma de nível superior em Direito, Psicologia, Ciências Sociais, Pedagogia ou Serviço Social
Os diretores que serão substituídos, no entanto, têm formações distintas. Um deles é bacharel em Marketing. Dois fizeram curso superior de Ciências Contábeis e outro, em Tecnologia em Administração de Pequenas e Médias Empresas. Dois são graduados em Administração e mais um fez Administração e Logística, com pós-graduação em Segurança Pública. Eles estão distribuídos nas seguintes unidades prisionais:
  • CDPV II - Centro de Detenção Provisória de Viana II
  • CPFCI - Centro Prisional Feminino de Cachoeiro de Itapemirim 
  • PEVV I - Penitenciária Estadual de Vila Velha I
  • PEVV II - Penitenciária Estadual de Vila Velha II
  • PEVV V - Penitenciária Estadual de Vila Velha V
  • PSME I - Penitenciária de Segurança Média I
  • PSMECOL - Penitenciária Semiaberta Masculina de Colatina
O promotor pontua que existem decisões judiciais pelo país que sustentam o que está definido pela lei em relação à formação dos diretores de presídio.
No documento, Pedro Ivo deu um prazo de até 20 dias para a Sejus adotar as medidas administrativas necessárias para fazer a substituição dos sete profissionais. Embora de caráter recomendatório, a notificação também pretende prevenir, segundo consta no documento, a responsabilidade civil e administrativa, dando à secretaria a possibilidade de fazer os ajustes agora para que, no futuro, não alegue desconhecimento sobre as exigências legais. 
O MPC já havia feito recomendação à Sejus no dia 17, também com foco na formação dos diretores. No ofício enviado por Rafael Pacheco em resposta ao órgão ministerial, o secretário disse que seria preciso conferir outra interpretação à lei, pois, em sua avaliação, "o propósito essencial da norma é garantir que os diretores possuam competências técnicas e gestoras para lidar com a pluralidade de demandas no âmbito prisional."
"Há, inclusive, diversos projetos de lei em andamento que propõem alterações na Lei de Execução Penal, de modo a modernizá-la e torná-la compatível com os ditames atuais. Por isso, é plausível argumentar que formações não previstas explicitamente na norma, mas que promovam competências equivalentes ou complementares, atendem ao espírito da lei", pontua Rafael Pacheco na manifestação enviada ao MPC. 
Citando a graduação dos sete diretores, o secretário defende que as áreas de formação contribuem para a gestão eficaz de recursos e equipes. 
"Não basta uma adequada formação teórica, mas também é imprescindível que o candidato ao cargo tenha outros requisitos que componham suas competências, como capacidade de gestão sob alta pressão, conhecimentos em segurança, ações operacionais e medidas de ressocialização", destaca o secretário.
Rafael Pacheco, ainda no documento do MPC, lembrou que seria importante considerar que houve a criação da Polícia Penal no Espírito Santo, e os cargos de diretor e diretor-adjunto nas unidades prisionais são privativas de servidores dessa carreira. "Considerando o cenário atual, pode haver dificuldade em encontrar profissionais com formação estritamente alinhada ao artigo 75, aliados à experiência administrativa necessária. E a substituição de diretores competentes pode gerar lacunas administrativas e prejudicar a continuidade dos serviços." 
No entanto, o procurador de contas Luciano Vieira deu 30 dias para o secretário fazer a substituição dos diretores de presídios que não têm a qualificação exigida na Lei de Execução Penal. 
Questionado se poderia recorrer à Justiça para manter os diretores, considerando que os órgãos ministeriais não acataram seus argumentos, Rafael Pacheco reforça que vai cumprir as recomendações. 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
'Minha avó mutilou minha filha às escondidas com apenas 6 meses': o ciclo da mutilação genital que mulheres colombianas lutam para encerrar
Imagem de destaque
Museu Vale vai ser restaurado e abrigará novo espaço cultural em Vila Velha
Mulher roncando
Roncar é perigoso? Especialista explica os riscos e como tratar o problema

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados