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Racismo

Desenhos no Centro de Vitória são protestos por vidas negras perdidas

Marielle Franco, Ágatha Félix, George Floyd... Tatuadora moradora do Centro de Vitória, Luara Monteiro desenhou pessoas  que perderam a vida brutalmente
Redação de A Gazeta

Publicado em 

09 jun 2020 às 21:34

Publicado em 09 de Junho de 2020 às 21:34

Desenhos de Luara Monteiro como manifesto por vidas negras perdidas no Centro de Vitória
Desenhos de Luara Monteiro como manifesto por vidas negras perdidas no Centro de Vitória Crédito: Internauta | A Gazeta
São muitas as formas de protesto contra o racismo que têm surgido em todo o mundo nas últimas semanas — e cada uma delas é válida. Há alguns dias, quem passa pelo Centro de Vitória pôde notar uma manifestação através de desenhos de pessoas pretas que foram mortas nos últimos tempos. A autora é a tatuadora Luara Monteiro, que também expõe seu trabalho no Instagram.
Luara é formada em artes plásticas e moradora do Centro e, durante muito tempo, se dedicou à fotografia, ao design e a projetos sociais. Em entrevista à reportagem de A Gazeta, Luara explicou que o desenho está muito presente em seu cotidiano e, como mulher negra, ela pensou em expor os desenhos que já estavam prontos há algum tempo.
"A questão do racismo tem sido muito urgente. Eu já estava desenhando, queria colocar esses retratos na rua, mas estava esperando. Penso que esse foi o momento. Pensei se eu colocava ou não, mas é para as pessoas entenderem e verem que não é uma coisa de agora. Somos muitos, e estamos morrendo todos os dias por motivos muito diferentes", frisou.
Desenhos de Luara Monteiro como manifesto por vidas negras perdidas no Centro de Vitória
Desenhos de Luara Monteiro como manifesto por vidas negras perdidas no Centro de Vitória Crédito: Internauta | A Gazeta
A tatuadora aproveitou para chamar atenção de que, no Brasil e no Espírito Santo, a maioria das vítimas da Covid-19 é a população negra — e expor os desenhos foi uma forma de "deixar que a cidade fale".
"Fiquei pensando se deveria assinar os desenhos ou não, mas resolvi deixar meu nome lá para quem quisesse conversar. É isso, é uma urgência, estou muito triste com a situação atual do país. O governo quer apagar uma parte da história. Sou autônoma, sou do setor da cultura, e a cultura está nesse embate. É uma população linda nos desenhos. E eu quis trazer isso: a beleza do povo que está morrendo "
Luara Monteiro - Tatuadora
Questionada sobre o intuito de colar os cartazes na rua, Luara explicou. "Toda vez que levamos um trabalho para a rua, é sempre uma provocação, e ao mesmo tempo eles deixam de ser seu. Vi que algumas pessoas levaram os cartazes, tiraram com muito cuidado, não rasgaram".
Mas nem sempre é o que acontece com os trabalhos expostos. A tatuadora compartilhou uma situação, em que já expôs um projeto no Centro de Vitória que não foi bem interpretado por quem visualizou. "Já tive outro trabalho onde fotografei várias peles de mulheres e colei na rua. Muitas pessoas ficaram indignadas com uma foto de umbigo, por exemplo. Causou um rebuliço", comentou.

"VAMOS DEIXAR A VOZ DA CIDADE FALAR"

Perguntada sobre o feedback das pessoas sobre o trabalho que faz, Luara revela que não sabe muito bem o que as pessoas acham, mas que é sempre uma provocação — e que o importante é deixar a voz da cidade falar. "A cidade fala muito. Se a gente começar a olhar para ela, ela fala muito com a gente", disse.
"Aqui em Vitória tem muitos artistas que têm essa luta e não é de hoje. Tem a cultura urbana, o hip hop, essa é uma pauta antiga — e agora tudo se junta, a necessidade de democracia, lutas feministas. Vamos precisar guerrear em vários âmbitos "
Luara Monteiro - Tatuadora
Em relação aos protestos que têm acontecido ao redor do mundo, a artista destacou a importância. "O racismo é estrutural. Aqui ou lá, vemos ele em muitas faces, em todos os lugares. É uma luta de toda a sociedade: prestos, brancos. Precisamos mudar essa realidade", completou.
Por fim, Luara pede apenas por igualdade. "Que a população negra tenha mais oportunidades: na TV, no rádio, em todos os espaços que nos é de direito. Não estamos pedindo nada que não seja de direito nosso. Tenhamos mais pessoas negras, mulheres, homens, crianças, em todos os lugares. Não só nas páginas policiais", finalizou.
Desenhos de Luara Monteiro como manifesto por vidas negras perdidas no Centro de Vitória
Desenhos de Luara Monteiro como manifesto por vidas negras perdidas no Centro de Vitória Crédito: Internauta | A Gazeta

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