Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Imunização

Covid-19: vacina obrigatória vira polêmica e pode parar no STF

A expectativa pelo surgimento de uma vacina contra o novo coronarívus reacendeu uma antiga discussão e  se transformou em uma disputa política. Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar caso de pais que não querem vacinar o filho

Publicado em 21 de Outubro de 2020 às 20:11

Redação de A Gazeta

Publicado em 

21 out 2020 às 20:11
CoronaVac está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan e produzida em parceria com a empresa chinesa Sinovac
CoronaVac está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan e produzida em parceria com a empresa chinesa Sinovac Crédito: Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress
A expectativa pelo surgimento de uma vacina contra o novo coronavírus reacendeu uma antiga discussão sobre a obrigatoriedade ou não da aplicação do imunizante na população. A polêmica, que virou uma disputa política entre governadores e o Ministério da Saúde, pode parar ainda no  Supremo Tribunal Federal (STF). 
Em São Paulo, o governador João Doria já adiantou que a CoronaVac, vacina que está sendo desenvolvida no Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, será obrigatória em todo o estado, e que medidas legais serão adotadas em casos de contrariedade. Por outro lado,  no mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro disse que a vacina será oferecida pelo Ministério da Saúde, mas "sem impor ou tornar a vacina obrigatória".
Acirrando ainda mais uma disputa política, na manhã desta quarta-feira (21),  o presidente desautorizou o Ministério da Saúde a comprar 46 milhões de doses do Coronavac, alegando que os brasileiros não serão feitos de cobaia. 

PAIS ENTRARAM COM AÇÃO NA JUSTIÇA

Na esfera jurídica, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir, ainda este ano, sobre a obrigatoriedade da vacina em uma ação em que os pais de uma criança de São Paulo contestam “tratamentos médicos invasivos”, baseados em sua filosofia de vida. A decisão dos ministros pode abrir precedentes para que outras pessoas que se recusem a se submeter à vacinação recorram ao judiciário.
Especialistas jurídicos entendem que o impasse sobre a vacina não é uma novidade. A doutora em bioética, pós-doutora em saúde coletiva e coordenadora do doutorado em Direito da FDV, Elda Bussinguer, relembra o caso da Revolta da Vacina, ocorrido em 1904, como uma questão juridicamente resolvida. 
“O Ministério da Saúde tem o poder de definir quais vacinas serão obrigatórias no país, respaldado pelo Programa Nacional de Imunizações, que é uma lei”, afirma. “Há que se cuidar para que o direito brasileiro não seja desautorizado a todo momento para não colocar a sociedade em uma situação de instabilidade”, pondera Bussinguer.
O advogado e professor de direito constitucional, Caleb Salomão, concorda que essa discussão sobre vacina não é de agora. “Existem comunidades em nosso país que, há muito tempo, se revoltam contra a exigência legal de submeter seus filhos aos protocolos de biossegurança, por isso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad) trouxe essa previsão de obrigatoriedade de vacinação”, explica.
Salomão entende que envolver o STF para tais casos não é positivo para o país, já que, segundo ele, existe uma legislação consolidada sobre o assunto, e, ainda, uma obrigação recentemente reforçada pelo atual presidente sobre a possibilidade da vacina compulsória como medida de combate à pandemia, da Lei 13.979, assinada em fevereiro desde ano. “Os tribunais brasileiros reconhecem o direito coletivo, e, mesmo com toda essa discussão, acredito que a saúde coletiva será priorizada”, pontua.
“Apesar de ter amparo legal, ninguém será obrigado a ser vacinado à força. Há soluções, que deverão ser pensadas, para sancionar o cidadão que não cumpriu com sua obrigação prevista em lei de imunizar a si mesmo e a sua família, como a exemplo de outros países: não ter acesso à crédito ou financiamento público, à matrícula em instituição de ensino pública, entre outras possibilidades”, conclui o professor.
Indagada sobre um possível crescimento da discussão da obrigatoriedade da vacina na esfera judicial,  Elda Bussinguer acrescenta: “Com essa polarização surgindo, podemos até ter um aumento de ações no STF nesse sentido. Mas, ainda que eu não possa afirmar, acredito que o tribunal irá manter a supremacia do interesse público e coletivo, pois é uma obrigação dele e, assim sendo, não pode ir contra a saúde pública”, pondera. 

BENEFÍCIOS DA VACINA

O médico infectologista Lauro Ferreira Pinto Neto alertou que estamos em meio a um período de aumento dos casos entre jovens que se cansaram do confinamento e resolveram não seguir mais os protocolos de segurança, além dos casos confirmados de reinfecção. “Precisamos da vacina porque ainda tem gente morrendo. Temos que melhorar a imunização das pessoas para que elas parem de adoecer”, aponta o médico.
Segundo o especialista, a vacinação contribui para a saúde pública por ser uma ferramenta de bloqueio da disseminação da Covid-19 entre a população. “Vacinar é um ato de proteção individual, mas, sobretudo, é um ato solidário. Ao tomar a vacina, protegemos o outro e o vírus tem mais dificuldade de circular, gerando o efeito que chamamos de imunidade de rebanho”, pontua.
O médico acrescenta que quanto mais pessoas imunizadas com a vacina, menor será o gasto dos cofres públicos. “Um estudo do banco mundial diz que a vacina é um grande investimento, pois gera economia para o país. É um custo-efetivo, já que, prevenindo a doença, evita-se o gasto com internação, tratamento médico, medicação e, ainda, evita a queda de produtividade da empresa pela falta de um funcionário doente”, conclui.
Na opinião do médico infectologista Carlos Urbano, o melhor caminho é conscientizar a população da importância da vacina. “É fundamental que este seja o único discurso: que o risco da vacina é mínimo comparado ao risco da doença. Não discuto a origem de vacina. Se ela for boa, segura e aprovada pela Organização Mundial da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), recomendo que toda a população tome. Eu serei o primeiro da fila”, defende.
(*) Karolyne Bertodo é aluna do 23° Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob supervisão das editoras Joyce Meriguetti e Érica Vaz.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Rodízio de comida japonesa do restaurante Banzai
Restaurantes do ES com rodízio de comida japonesa para ir no Dia do Sushi
Imagem de destaque
Helder Salomão perdeu ganhando e sai fortalecido das eleições no ES
Close-up de mãos segurando ampulheta
Chegou a hora de fazer uma pausa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados

Fale com a gente

Escolha o canal de sua preferência para assinar A Gazeta ou tirar dúvidas.