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Publicado em 10 de junho de 2021 às 11:28
Desde 1998, quando fez um curso profissionalizante de balconista e garçom na cidade de Aracruz, no Norte do Espírito Santo, servir passou a ser rotina diária na vida do paraibano Alcihélio Lima Rodrigues, de 41 anos. Mas desde o dia 1º de janeiro deste ano, ele também passou a servir ao eleitor. Momentaneamente, o habitual avental do serviço foi substituído pelo terno e gravata que a função de vereador lhe exige. >
Cecéu, apelido que carrega desde a infância, elegeu-se no último pleito municipal e, até o fim de 2024, também tem a função de servir da melhor maneira possível não apenas os 1.192 eleitores que nele confiaram o voto (foi o segundo mais votado na última eleição), mas toda a população aracruzense. Isso porque o vereador não abandonou e nem pretende deixar de lado a profissão que desempenha há mais de duas décadas.>
Alcihélio Lima Rodrigues, o Cecéu
Vereador e garçom em AracruzHá três anos, Cecéu é coordenador da equipe de garçons de uma churrascaria do município. Para que as ocupações política e profissional não conflitem, ele conta com a confiança dos patrões, donos do restaurante, e também do povo. Ele, aliás, garante que uma complementa a outra.>
"As sessões são sempre nas segundas-feiras à noite e meu trabalho de garçom é de quarta a domingo. Então não há conflito de horário, mas caso ocorra uma extraordinária ou precise estar presente no gabinete, meus patrões entendem a situação e me liberam. O importante é atender da melhor maneira os clientes nas mesas e também o eleitor. O que muda é só o local físico, mas minha função segue sendo em prestar um serviço de qualidade, seja ao eleitor ou aquele que deseja comer um churrasquinho", brincou Cecéu.>
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Se há poucos meses ele estava acostumado a ouvir pedidos por uma picanha mal-passada ou um pãozinho de alho, agora ele também vê os pedidos incluírem uma troca de lâmpada, pintura de rua e outros serviços que não cabem no espeto ou na bandeja de inox.>
"Ao longo da minha vida de garçom já fui do 'boteco copo sujo' e cheguei até a servir governador do Estado, mas agora eu também sou um representante do povo, fui eleito para isso. Então quando vou às mesas, os clientes me reconhecem e também pedem para dar uma olhadinha na rua deles, um problema que ocorra no bairro e muitas outras coisas. Acho isso muito bom, pois concilio as duas funções. Não me permito ser destes vereadores que somem após serem eleitos. Mas acontecem muitas brincadeiras com os clientes e também me divirto com as situações", detalhou Cecéu.>
Embora garçom, Alcihélio também formou-se em História, é pós-graduado em História Social do Brasil e em Ensino de Jovens e Adultos (EJA), lecionando na unidade prisional do município. >
Natural de Nova Floresta, cidade pequena do interior da Paraíba, ele mudou-se com a família para Aracruz ainda quando tinha dois anos de cresceu no bairro Morobá, onde já foi líder comunitário. >
"Eu falo que só falta o título de cidadão aracruzense para eu me sentir como um nascido da cidade (risos). Gosto muito de desempenhar as duas funções e elas são complementares. Obviamente que ser um vereador exige mais dedicação e postura, pois se está lidando com os anseios de toda uma população, muitas vezes por pedidos sérios. O importante é atendê-los tão bem da mesma forma que sirvo um cliente", concluiu. >
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