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Publicado em 14 de abril de 2023 às 11:48
Neste sábado, 15 de abril, completa-se um ano da morte da modelo Luísa Lopes, atropelada na Avenida Dante Michelini, em Vitória, pela corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, que havia bebido antes de dirigir. Desde então, a motorista foi proibida pela Justiça de dirigir e não teve a prisão pedida, nem se sentou ainda no banco dos réus. >
O caso tramita no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) e os últimos andamentos no processo ocorreram em março, com manifestações do Ministério Público Estadual e da defesa da motorista. >
A Justiça acatou a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Espírito Santo em dezembro de 2022. Na ocasião, o MPES denunciou Adriana por homicídio doloso – quando há a intenção de matar – com a capacidade psicomotora alterada, pedindo que ela fosse proibida de dirigir. O órgão justificou que a liberdade da corretora não oferece riscos à sociedade, solicitou que ela não fosse presa preventivamente.>
Na denúncia, o Ministério Público fez uma solicitação à Justiça para a acusada ir a júri popular. O pedido foi aceito pela juíza Lívia Regina Savergnini Bissoli Lage, mas a audiência de instrução, que antecede essa etapa, ainda não foi marcada. >
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Depois que a Justiça aceita a denúncia do Ministério Público, a próxima etapa é a audiência de instrução. Nessa oportunidade, o juiz interroga o réu e ouve as testemunhas da acusação e a defesa.>
Se o magistrado decidir pela pronúncia do réu, admite a acusação feita e encaminha o processo para julgamento pelo Tribunal do Júri. O advogado Marcos Vinicius Sá, que defende a família de Luísa Lopes, declarou para A Gazeta que a ré já foi citada e apresentou a defesa. Assim, a audiência pode ser designada a qualquer momento.>
"Luisa era filha única, e os pais estão desolados com a perda dela. A família aguarda a responsabilização de Adriana, que de forma irresponsável consumiu bebida alcoólica na condução do veículo automotor, fora as falas dela logo após o fato”, manifestou o advogado.>
Marcos Vinicius Sá
AdvogadoO advogado afirmou ainda que o processo segue o rito normal e que a defesa aguarda a audiência de instrução ser marcada. A reportagem de A Gazeta procurou o TJES, para saber se já há data e recebeu como resposta a explicação de que, por enquanto, não existem novas informações no andamento processual.>
A defesa de Adriana e o MPES também foram procuradas pela reportagem, mas, até a publicação desta matéria, ainda não haviam se posicionado.>
Os amigos e familiares de Luísa Lopes marcaram um ato em memória da modelo, um ano após a morte dela. A manifestação está marcada para ocorrer na frente do Clube dos Oficiais, na Avenida Dante Michelini, em Jardim da Penha, onde ocorreu o atropelamento. >
As investigações da Polícia Civil concluíram que Adriana ingeriu bebidas alcoólicas antes de dirigir. A polícia buscou imagens de dois bares por onde Adriana passou (veja abaixo). >
Ficou comprovado que a corretora consumiu copos de cerveja e doses de vodca com uma familiar. Primeiro, por volta das 17h, ela parou em um bar em Jardim Camburi, onde ficou por 45 minutos. No local, consumiu dois caranguejos e alegou para a polícia ter consumido água. No entanto, a comanda do bar mostra dois caranguejos e duas cervejas de marcas diferentes, e não água. >
Depois, foi para um bar no Triângulo das Bermudas, na Praia do Canto, onde ficou por 1h40. Câmeras de segurança do bar do Triângulo mostraram Adriana pegando uma garrafa de cerveja. É possível ainda ver que ela coloca a cerveja no copo dela e consome. Ao todo, segundo a polícia, ela levou o copo à boca durante 23 vezes. >
Posteriormente, ainda de acordo com a polícia, ela fez ingestão de outra bebida, vodca. A comanda mostra que a vodca foi paga por um indivíduo da mesa ao lado de Adriana. A análise mostrou que a Adriana levou o copo de vodca 20 vezes à boca em 1h22. O homem que serve a vodca levou, pelo menos, quatro copos da bebida para a condutora do veículo. Segundo o delegado, tanto o individuo oferece, como ela pede mais a ele. O último copo foi servido cerca de 10 minutos antes do atropelamento ocorrer na Avenida Dante Michelini. >
Caso Luisa Lopes: confira o ponto a ponto
• 15 de abril: Modelo é atropelada e morre na Avenida Dante Michelini;
• 15 de abril: Corretora de imóveis é presa suspeita de atropelar e matar ciclista;
• 16 de abril: Justiça concede liberdade a motorista suspeita de atropelar modelo;
• 19 de abril: Amigos e familiares vão às ruas pedir Justiça pela morte de Luísa Lopes;
• 19 de abril: Advogado de corretora pede sigilo no processo, mas juíza nega;
• 3 de junho: Após dois meses, caso seguia em investigação;
• 23 de junho: Polícia pede mais 30 dias para concluir inquérito;
• 15 de julho: Polícia ganha mais 90 dias para investigar o caso;
• 30 de agosto: Após quatro meses desde a morte, investigação continuava;
• 6 de outubro: Polícia conclui investigação e encaminha inquérito para o MPES;
• 16 de outubro: Ministério Público denúncia motorista, mas sem pedido de prisão;
• 20 de dezembro: Motorista é proibida de dirigir pela Justiça;
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