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Caso Backer: capixaba intoxicado por cerveja recebe alta do hospital

O engenheiro Luiz Felippe Teles Ribeiro, de 37 anos, estava internado em um hospital particular de Belo Horizonte desde dezembro do ano passado

Publicado em 09/06/2020 às 17h10
Atualizado em 09/06/2020 às 18h37
O capixaba Luiz Felippe Teles está internado em estado grave em um hospital de Minas Gerais
Luiz Felippe Teles Ribeiro, capixaba intoxicado ao ingerir cerveja da Backer. Crédito: Reprodução

O capixaba Luiz Felippe Teles Ribeiro, de 37 anos, que estava internado em um hospital particular de Belo Horizonte desde o dia 28 de dezembro de 2019, recebeu alta no último dia 19 de maio e agora está se recuperando em casa. O capixaba é um dos casos investigados pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais por de intoxicação por dietilenoglicol, substância encontrada em cervejas da cervejaria Backer. A informação foi confirmada pela assessoria do Hospital Unimed do Contorno.

Luiz Felippe é natural de Marataízes, mas mora em Belo Horizonte com a esposa. Na véspera de Natal, ele e o sogro, o bancário Paschoal Demartini, de 55 anos, ingeriram a cerveja Belorizontina, da Backer. Dias depois, os dois começaram a passar mal, com dores abdominais, febre e náuseas. No dia 28 de dezembro, o engenheiro foi internado. O sogro dele, que morava em Ubá, foi hospitalizado no dia seguinte em Juiz de Fora. Segundo a família, ele apresentava um quadro grave de insuficiência renal. Paschoal morreu uma semana depois.

O capixaba e o sogro foram os primeiros casos notificados de uma doença que ainda era misteriosa para a Secretaria de Saúde de Minas Gerais. Porém, com o aumento do número de internações e a descoberta que todas as vítimas haviam consumido a cerveja Belorizontina, a Polícia Civil de Minas Gerais iniciou uma investigação, que foi concluída nesta semana e indiciou onze pessoas.

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Durante análises laboratoriais em amostras da bebida, a polícia encontrou dietilenoglicol, substância altamente tóxica usada na refrigeração de cerveja. O mesmo composto foi encontrado no sangue de Luiz Felippe, no do sogro dele e no de outras vítimas.

Em inspeção na cervejaria, a Polícia Civil identificou a presença de dietilenoglicol na água usada na produção de cerveja. Mais de 40 lotes de dez tipos de cervejas da Backer foram contaminados, entre elas a Belorizontina e a Capixaba, produzida com rótulo exclusivo para o Espírito Santo.

GASTOS

Em janeiro deste ano, a família de Luiz Felippe, que se mudou temporariamente para Belo Horizonte, em Minas Gerais, para acompanhar de perto o quadro do capixaba, disse que os custos saíram do próprio bolso.

Em entrevista ao Jornal Nacional na época, a esposa de Luiz Felippe, Camila Demartini, cobrou assistência. "No mínimo pagar todo o gasto dispendioso em relação à família dele, por ser de fora e estar aqui, precisando de se alimentar, se transportar, se abrigar. Todos os gastos, no mínimo, com saúde", disse Camila Demartini.

A reportagem de A Gazeta tentou um novo contato com a família do engenheiro nesta terça-feira (9), mas não obteve sucesso.

MÃE ACREDITOU EM BENÇÃO

Em janeiro deste ano, a mãe de Luiz Felippe, Laura Teles Ribeiro, conversou brevemente com a reportagem de A Gazeta e falou sobre ter fé de que ela e a família teriam uma bênção muito grande. Naquele mês, ela disse que Luiz estava reagindo bem à medicação e que "graças a Deus, tudo está encaminhando e ele está melhorando. Estamos otimistas em relação ao estado dele".

ONZE PESSOAS FORAM INDICIADAS

Onze pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil de Minas Gerais por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, lesão corporal e contaminação alimentícia no inquérito que apura a intoxicação de 42 pessoas por dietilenoglicol após consumo da cerveja Belorizontina, da marca Backer. Do total de vítimas, as suspeitas eram que nove haviam morrido. Foram confirmadas pela investigação, no entanto, 29 vítimas, com sete mortes. Não houve pedidos de prisão.

Fábrica da Cerveja Backer é interditada em Belo Horizonte
Fábrica da Cerveja Backer foi interditada em Belo Horizonte. Crédito: Gustavo Andrade | Backer | Divulgação

O inquérito apontou técnicos da empresa como os principais responsáveis pela contaminação. Foram indiciados por homicídio culposo, lesão corporal culposa e contaminação de produto alimentar o chefe de manutenção e seis técnicos do setor de produção. Três integrantes do comando da Backer foram indiciados por contaminação de produto alimentício e, dentro da legislação de Defesa do Consumidor, não dar publicidade a produto alimentar contaminado. Foi indiciado ainda testemunha que mentiu durante depoimento. Os nomes não foram revelados.

Em nota, a Backer afirmou "que irá honrar com todas as suas responsabilidades junto à Justiça, às vítimas e aos consumidores. Sobre o inquérito policial, tão logo os advogados analisarem o relatório, a empresa se posicionará publicamente".

Com informações do jornal Estadão

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