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Cartilha orienta como mulheres vítimas de violência devem agir na quarentena

Unidas com o propósito de ampliar a circulação de informações sobre canais e locais de atendimento às vítimas, além de indicar ao governo novas formas de atuação, quatro capixabas se uniram e criaram o projeto "Juntas e Seguras"

Tempo de leitura: 4min
Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 26/04/2020 às 15h59
Atualizado em 29/04/2020 às 16h41
Carilha com informações para mulheres em situação de violência doméstica
Carilha com informações para mulheres em situação de violência doméstica . Crédito: Divulgação

No cenário de isolamento decorrente da pandemia do novo coronavírus, mulheres que são vítimas de violência doméstica acabam se tornando ainda mais vulneráveis, já que passam a conviver quase em tempo integral com os agressores. É neste sentido que são realizadas novas intervenções, algumas em tom emergencial. Unidas com o propósito de ampliar a circulação de informações sobre canais e locais de atendimento às vítimas, além de indicar ao governo novas formas de atuação, quatro capixabas se uniram e criaram o projeto "Juntas e Seguras", o qual lançou neste sábado (25) uma cartilha para ajudar mulheres vítimas de violência.

Cartilha "Juntas e seguras"

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O coletivo foi criado por Renata Bravo, mestra em Direitos e Garantias Fundamentais e professora universitária, com apoio da advogada Karla Coser, da arquiteta e ilustradora Clara Nahas e da designer e especialista em marketing político Ananda Miranda. A proposta delas tem a intenção de se somar a outras medidas, como o grupo de trabalho criado neste sábado (25) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), visando a prevenir a violência doméstica, e o canal de socorro on-line criado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp).

COMO FUNCIONA O PROJETO?

De acordo com a idealizadora, Renata Bravo, o projeto surgiu da constatação do crescimento da violência de gênero durante a pandemia. "Tenho pensado em como a gente vê a violência em tempos da Covid-19. Desde o início, tenho acompanhando o noticiário de fora e as recomendações da ONU e percebi que os governos brasileiros, em especial o federal, não estão tomando providências com relação à resposta a este tipo de violência durante a pandemia. Nossa proposta é, junto a outras iniciativas da sociedade civil, como atendimento por telefone e Whatsapp, ampliar a informação como uma das principais ferramentas que podemos ter neste momento", afirmou.

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A proposta elaborada pelas quatro capixabas foi materializada em dois produtos principais, sendo um deles a cartilha informativa e o outro um plano de ações a ser apresentado aos governos, à Justiça e à iniciativa privada.

A CARTILHA CONTRA A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A cartilha elaborada por meio do projeto Juntas e Seguras já está em circulação por meio do Whatsapp e do Instagram. "Queremos dar às mulheres capixabas alguns exemplos, explicados de forma simples, de como elas podem estar sofrendo violência. Queremos que o material chegue a todas as classes, para pessoas com vários níveis de acesso à informação", explicou Renata.

Ilustrações foram feitas ao longo da cartilha
Ilustrações foram feitas ao longo da cartilha. Crédito: Divulgação

Renata Bravo

Professora Universitária

"Para elaborar a cartilha, colhemos informações que o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e o governo estadual estavam divulgando de forma separada. A partir daí, juntamos estas informações e disponibilizamos telefones e endereços de delegacias. Um dos dados levantados recentemente é que os índices de denúncia de agressões caíram e um dos fatores para isso pode ser que, por exemplo, na rota do trabalho que estas mulheres faziam, poderiam parar na delegacia, o que agora não é mais possível. Então a cartilha se presta a dar uma resposta à violência que já existe"

O PLANO DE AÇÕES

No sentido do plano de ações traçado pelo coletivo de mulheres, a ideia é apresentar rotinas aos governos do Estado e dos municípios e ao Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública, de como agir em conjunto à iniciativa privada e à sociedade civil durante a pandemia do novo coronavírus e enfrentar a violência de gênero.

Assim, o plano traz diretrizes para a ação conjunta, com a sugestão de criação de um código de emergência, de linha específica para o atendimento de ocorrências de violência doméstica contra mulher, além do uso, por exemplo, de hotéis e pousadas para o abrigamento de mulheres que necessitem se afastar do lar.

"Alguns países criaram alguns códigos para as mulheres, como a Argentina, a França e a Espanha, em que uma expressão é dita na farmácia e os funcionários logo entendem que aquelas pessoas são vítimas de violência. O nosso código poderia ser "álcool 180", nos supermercados, por exemplo. Para isso teríamos que ter uma capacitação para os funcionários e contar com a adesão do governo", ressaltou a professora universitária.

FEEDBACK

Segundo Karla Coser, uma das envolvidas na elaboração do projeto, a ideia é trazer, em especial na cartilha, o resultado do trabalho de mulheres que se uniram, falando de maneira acessível e lúdica, com o uso de imagens acolhedoras. "Recebemos esse feedback de algumas pessoas, de que a ilustração demonstra acolhimento e é justamente que essas mulheres, vítimas de agressões, precisam, já que enfrentam graves dificuldades no lugar em que deveriam se sentir mais seguras, que é a própria casa", disse.

Também de acordo com Renata Bravo, desde o sábado (25) já foi obtido um feedback positivo. "As ilustrações estão passando isso, dentro do projeto gráfico desenvolvido por Ananda e das ilustrações feitas por Clara. Estas imagens transmitem segurança, melhor do que imagens de mulheres com olho roxo, que acabam afastando as pessoas de olharem. O que ouvimos foi que trouxemos uma aproximação maior das pessoas com o cuidado que tivemos de não chocar", detalhou.

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