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Bombeiros trabalham no resgate dos sobreviventes do desabamento em Cristóvão Colombo
Bombeiros trabalham no resgate dos sobreviventes do desabamento em Cristóvão Colombo. Crédito: Vitor Jubini

Bombeiros que atuaram em desabamento no ES ajudaram em desastres como Brumadinho

No dia 21 de abril, três pessoas da mesma família morreram depois que o prédio onde elas moravam desabou. Uma pessoa foi resgatada com vida pelo Corpo de Bombeiros

Tempo de leitura: 4min
Publicado em 15/05/2022 às 17h40

No dia 21 de abril, um prédio de três andares desabou no bairro Cristóvão Colombo, em Vila Velha. Três pessoas da mesma família morreram e uma foi resgatada com vida.

Além de outros profissionais das áreas da saúde, Defesa Civil e segurança pública, o trabalho envolveu 48 militares do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo.

Destes, alguns compuseram as equipes de bombeiros capixabas que atuaram no rompimento da barragem em Mariana (MG), em 2015; no desabamento do Grand Parc Residencial, em Vitória, em 2016; na tragédia de Brumadinho (MG), em 2019; e nos temporais na Bahia, em 2021; e em Petrópolis (RJ), em 2022.

Um destes profissionais é o capitão do Corpo de Bombeiros, André Marinho de Godoy. Ele é especialista em salvamentos em desastres, em alturas e em busca e salvamento com cães. Foi ele quem conduziu a cadela Case na ação em Vila Velha.

Capitão Marinho é um dos nove membros fixos do Centro Especializado de Resposta a Desastre (Cerd) criado em 2019. A unidade é acionada em ocorrências mais complexas e conta com profissionais fixos e voluntários.

De acordo com Marinho, no desabamento em Vila Velha, devido à complexidade, primeiro foram acionadas as equipes de plantão 24 horas. No segundo momento, os especialistas que atuam no Cerd.

André Marinho de Godoy

Capitão dos Bombeiros

"Nesse viés das esquipes especializadas, entrariam as equipes que foram para Mariana, Brumadinho, Petrópolis e Bahia. São militares especializados em salvamento em desastres, busca e resgate de estrutura colapsada"

Quem atua no Cerd usa técnicas e aparatos de busca específicos como câmara de extensão, sensor sísmico, cães e outras ferramentas adotadas para criar acesso às vítimas, no caso de deslizamento de terra e desabamento de imóveis, por exemplo.

O capitão Marinho e o sargento Adair Evangelista Ferreira atuam nos Bombeiros há mais de 10 anos. Experientes em diversas operações, os dois membros do Cerd classificaram o desabamento de Vila Velha como o mais marcante da carreira.

O sargento Adair relatou que, de todos os casos em que trabalhou, a comoção é o ponto em comum. Segundo ele, a corporação atua com técnica, profissionalismo, acompanhados do sentimento de esperança das famílias das vítimas e das comunidades envolvidas.

“Em Petrópolis, trabalhamos lado a lado com as famílias. Elas ajudavam e depois tinham de reconhecer o corpo de um ente querido. Em Brumadinho, era uma recuperação de corpos numa área isolada e não tínhamos envolvimento com as pessoas. A ocorrência de Vila Velha foi a que mais me marcou em 16 anos de bombeiro que tenho”, destaca o sargento.

O RESGATE

Eduardo,  Larissa, Camila e Sabrina. Avô, tia, mãe e neta, respectivamente, estavam no prédio que desabou em Vila Velha
Eduardo, Larissa, Camila e Sabrina. Avô, tia, mãe e neta, respectivamente, estavam no prédio que desabou em Vila Velha. Crédito: Arquivo pessoal

Em um total de quase 20 horas de operação, o Corpo de Bombeiros conseguiu resgatar Larissa Morassuti com vida e retirou três parentes dela dos escombros, mas que morreram ainda no local:

  • Eduardo Cardoso, de 68 anos (pai);
  • Camila Morassuti Cardoso, de 33 anos (irmã);
  • Sabrina Morassuti Lima, de 15 anos (sobrinha).

Com o auxílio de uma câmera, o sargento Adair localizou o ponto exato onde Camila estava. Apesar do contato com os profissionais, ela não foi resgatada com vida. Em seguida, o sargento foi procurar a Sabrina. Em dado momento, ouviu ela gritar "socorro!".

Adair Evangelista Ferreira 

Sargento dos Bombeiros

"Ela estava muito desesperada eu pedia para ela manter a calma. Tinha muito peso, muitas colunas em cima dela. Estava muito complexo, mas ela lutou com a gente durante 12 horas para ser retirada. Isso me marcou muito"

Mesmo com a certeza de que ele e os colegas adotaram todas as técnicas e ferramentas disponíveis para promover um resgate seguro para as vítimas e a equipe, o sargento admite que em algum momento, sentiu um misto de lamento e frustração por não conseguir salvar, com vida, as vítimas que mantiveram contato com a corporação.

“Você está ali em contato com a pessoa, com a vontade de tirá-la, mas acima da vontade, a gente tem que trabalhar com as técnicas. Apesar da gente ter a certeza de que foi um trabalho bem feito,  de que fizemos o máximo, a gente sai que meio com uma frustração, foi uma vida que se perdeu ali na nossa frente. A gente chegou muito perto, isso causa uma dor, mexe com a gente", diz.

DESAFIOS DO TRABALHO

Questionado sobre os desafios encontrados na operação do desabamento em Vila Velha, o capitão André Marinho de Godoy respondeu que a maior dificuldade do caso foi a instabilidade do cenário.

“Muito difícil romper concreto. É um serviço bem técnico que não pode ter erro. O maior desafio é o tipo de cenário, principalmente, quando se tem vitima viva. Neste caso, se torna uma ocorrência muito mais complexa onde qualquer erro a gente pode fazer com que caiam todos os escombros na vítima", destaca o capitão.

Segundo ele, em todas as ações, o modo de operação costuma ser semelhante. O foco inicial é mantido na busca, localização e criação de acesso seguro às vítimas. Após isso, é feito o resgate e o encaminhamento ao atendimento médico.

“Todas as ocorrências têm suas peculiaridades, mas essa de Vila Velha eu senti bastante pelo fato de a gente estar em contato com as duas vítimas, a Camila e a Sabrina, quase muito perto de fazer a remoção delas.  Infelizmente, elas não resistiram e foram a óbito. Para a gente, isso foi uma frustração muito grande, quase como se a gente tivesse o sentimento de dever não cumprido", lamenta. 

Experiente, o oficial complementa dizendo que "entende que nem sempre as coisas acontecem quando a gente quer. É importante também a recuperação do corpo para que a família tenha uma despedida digna do seu ente querido",  finaliza.

ETAPAS DA OCORRÊNCIA DE BUSCA E SALVAMENTO

  1. 01

    BUSCAR E LOCALIZAR

    Para isso, se usa todo conhecimento técnico dos militares. Além disso, são empregados equipamentos específicos para busca e o cão, que ajuda a localizar a vítima com mais precisão.

  2. 02

    CRIAR ACESSO

    Após localizarem as vítimas, os bombeiros têm de criar acesso para alcançar as vítimas. Por vezes, isso significa fazer a retirada manual de escombros ou de outros materiais. Isso varia de acordo com a ocorrência.

  3. 03

    REMOÇÃO DA VÍTIMA

    Quando o acesso é criado e a vítima é alcançada, ela precisa ser estabilizada. Em seguida, ela é retirada do cenário e encaminhada para uma unidade hospitalar.

Como era prédio que desabou em Vila Velha

Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha. Google Street View
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha. Google Street View
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha. Google Street View
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha. Google Street View
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha. Google Street View
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha
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Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha
Imagens mostram como era prédio que desabou em Vila Velha
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