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Baleia que encalhou em Manguinhos começa a ser enterrada na praia

Na manhã desta quinta-feira (8), a Prefeitura da Serra precisou mobilizar duas retroescavadeiras para enterrar a Jubarte na Praia de Manguinhos. Especialistas dizem o que precisa ser feito nesse tipo de ocorrência

Publicado em 08/10/2020 às 16h23
Manguinhos
Um enorme buraco foi escavado na praia de Manguinhos para enterrar a Jubarte. Crédito: Mara Arantes/Internauta

Na manhã desta quinta-feira (8), a baleia-jubarte que encalhou já morta no mar de Manguinhos, na Serra, começou a ser enterrada em um buraco escavado na própria faixa de areia em um trabalho que se prolongou até parte do período da tarde. Assim como ocorrido na quarta-feira (7), quando o cetáceo apareceu no local, muitos curiosos acompanharam à distância os trabalhos de retirada do mar para a praia.

As dimensões do bicho impressionaram. Segundo o diretor do Instituto Orca, Lupércio Barbosa, a jubarte em questão era um macho praticamente adulto, com peso estimado entre 25 e 27 toneladas, e media aproximadamente 11 metros de comprimento.

Em um primeiro momento, o "sepultamento" pode parecer simples para quem o presencia, mas o procedimento em dar a destinação correta de um animal desse porte envolve planejamento, logística, critérios sanitários e vai muito além de "abrir um buraco e enterrar", como informado por profissionais de empresas consultadas por A Gazeta, que fazem o monitoramento de praias e também da espécie no litoral do Estado.

"Quando ocorre um encalhe de baleia, é feita a autópsia do animal para que possa ser apurada a causa da morte. Cabe as prefeituras escolherem a melhor destinação da carcaça, ou seja, como realizar enterro correto. E o prazo é curto, visto que esses animais geralmente chegam já em estágio avançado de decomposição e o odor é muito incômodo na região", disse um dos consultores ouvidos pela reportagem.

No caso da baleia de Manguinhos, a Prefeitura da Serra realizou o enterro na própria praia. Vídeos feitos por moradores próximos mostram duas retroescavadeiras que foram deslocadas até o balneário para puxar e retirar o animal da água, o que traduz um pouco da dificuldade que esse tipo de operação exige. 

No balneário serrano, duas máquinas foram usadas, mas quando o animal está mais dentro do mar, por exemplo, é preciso até mesmo acionar um rebocador, sendo necessário ainda analisar a profundidade do local e se o fundo é rochoso. Todos estes fatores vão influir na viabilidade de se utilizar o equipamento para rebocar o animal. Outra dificuldade apontada pelos especialistas é o fato de máquinas pesadas não poderem entrar na água, assim como o risco das cordas estourarem devido à tensão exercida.

ONDE ENTERRAR?

São muitos os registros de baleias mortas no litoral capixaba neste ano. O Espírito Santo é rota da espécie, que passa pela costa em direção ao Santuário de Abrolhos, onde se reproduzem. No caminho, muitos animais morrem e as carcaças são trazidas pelo mar até a faixa litorânea.

Jubarte
A baleia virou "atração" na Praia de Manguinhos enquanto não foi enterrada no balneário. Crédito: Vitor Jubini

Quando isso ocorre, é preciso dar uma destinação ao bicho. Segundo os especialistas consultados, os procedimentos mais indicados são o aterramento do animal na região onde ocorreu o encalhe, desde que haja condições ambientais e estrutura para isso. A outra opção é transportar o bicho para um aterro sanitário.

Se os procedimentos forem realizados corretamente, não há risco de contaminação para quem frequenta o local onde ocorreu o enterro, e também não vai permanecer o mau cheiro característico de quando este animal ainda está na superfície. Cenas de baleias explodindo, como ocorre em vídeos na internet, também não ocorrerão, visto que o animal é aberto para a autópsia. Desta forma, os gases provenientes da decomposição são eliminados naturalmente.

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