"Ave fantasma" aparece em casa e assusta família em Cariacica

Segundo especialistas ouvidos por A Gazeta, trata-se de um urutau, apelidado de "ave-fantasma" por ter hábitos noturnos, um canto "assustador" e uma grande habilidade de se camuflar na natureza

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 23/02/2021 às 11h53
Atualizado em 23/02/2021 às 23h00
 Segundo especialistas ouvidos por A Gazeta, trata-se de um urutau, apelidado de
"Ave fantasma" apareceu em uma residência no bairro Expedito. Crédito: Luisa Nascentes/ Internauta

Atualização

23 de Fevereiro de 2020 às 21:05

Após a publicação desta matéria, observadores de aves afirmaram se tratar da espécie Lurocalis semitorquatus, conhecida como tuju, em vez da Nyctibius griseus, popularmente chamada de urutau. A reportagem entrou em contato com especialistas, que tiveram opiniões divergentes a respeito da identificação feita com base nas imagens. O texto foi atualizado com ambas as opiniões.

Uma família de Cariacica foi surpreendida por uma ave "diferente" que apareceu no quintal de casa. O animal surgiu na residência, localizada no bairro Expedito, na tarde do último domingo (21).

Segundo um primeiro especialista ouvido por A Gazeta, trata-se de um urutau, apelidado de "ave fantasma" por ter hábitos noturnos, um canto "assustador" e uma grande habilidade de se camuflar na natureza.

Segundo a família, o bicho assustou quem mora na casa. Com os olhos grandes, o animal ficava arisco quando alguém tentava se aproximar.

"De início, a gente achava que era uma coruja, mas depois viu que não é. É muito arisco e fiquei preocupada porque tenho dois netos pequenos. Boto alpiste e arroz, mas ele não come. Não bebe água também. Se mexer com ele, ele se arma todo", contou a cabeleireira Luisa Nascentes.

Em conversa com a reportagem de A Gazeta após analisar as imagens do animal, o biólogo Saulo Ramos afirmou que é um urutau. O apelido foi dado ao animal porque a ave tem um canto semelhante ao barulho de fantasma em séries e filmes.

Segundo o especialista, essa é uma ave que não está ameaçada de extinção, mas que é incomum de ser vista justamente pelo fato dela ter uma capacidade de se esconder na natureza.

"Se camufla muito bem na ponta dos galhos, na ponta das árvores. Ela tem um canto muito sinistro, que parece um fantasma de noite na floresta. A ave fica na ponta do galho e, quando ela pia, dá esse canto sinistro e parece que está piando para a lua", explicou o biólogo.

De acordo com o especialista, essa ave se alimenta de insetos vivos e, por isso, não aceitou o alimento dado pela família. Uma outra característica do urutau é que ele possui olhos grandes, mas com uma capacidade de "fingir" que está com eles fechados.

"Essa ave tem uma membrana na pálpebra superior que tem uma pequena curvatura. Quando parece que ela está de olhos fechados, ela não está e consegue enxergar através dessa membrana, uma cavidade na pálpebra. Isso facilita a camuflagem dela para capturar as presas", explica o biólogo.

Segundo o especialista, quando uma ave dessa aparece em uma residência é preciso acionar a prefeitura para recolher o animal. Após contato com a reportagem e orientação do biólogo, a família entrou em contato com a Prefeitura de Cariacica.

MAS NÃO SERIA UM TUJU?

Depois da publicação desta matéria, membros do Clube de Observadores de Aves do Espírito Santo (COA-ES) entraram em contato afirmando que a ave, na verdade, seria um tuju (Lurocalis semitorquatus). A reportagem de A Gazeta, então, acionou outros três especialistas — mas nem eles chegaram a uma conclusão unânime.

Ex-presidente do COA-ES, Régis Silotti explica por que ele acredita se tratar de um tuju. "A ave das imagens é menor que um urutau. Além disso, ela está pousada no chão, e não empoleirada. A presença de pintas escuras nas penas também diferencia essa espécie das demais. Assim como a íris do olho negra. A do urutau é amarela."

Segundo ele, o tuju é uma espécie florestal e de hábitos noturnos. "Ela é comum, mas difícil de ser avistada por causa dessas características. Nós temos registros dela na Reserva Biológica de Duas Bocas (em Cariacica). Talvez essa tenha se perdido na rota. É um tipo de registro bem raro", alega. 

Apesar de o vídeo e o depoimento da família sobre o comportamento arisco do animal, o observador garante que a ave não é agressiva. "O que ela faz nas imagens é uma característica de defesa. Ela parece estar machucada. Até porque o comportamento dela não é ficar parada em uma casa, e sim voar", afirma.

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