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Difícil cenário

Após 1 ano de pandemia, desafio do ES é evitar nova expansão da Covid-19

Estado começa a registrar tendência de queda de novos casos, mas o risco de mais um ciclo de crescimento de infectados e mortes é iminente

Publicado em 27 de Abril de 2021 às 02:00

Aline Nunes

Publicado em 

27 abr 2021 às 02:00
Dos 365.855 habitantes de Vitória, 44.898 foram contaminados pela Covid
Novas variantes do coronavírus contribuíram para o aumento de casos no Espírito Santo Crédito: Divulgação
Com indicadores em ritmo acelerado, março e abril de 2021 estão marcados, até o momento, como os meses mais letais da pandemia no Espírito Santo que, agora, começa a consolidar uma fase de queda no número de infectados pelo Sars-Cov-2 (coronavírus). A redução se reflete na descompressão sobre o sistema de saúde e, também, no volume de óbitos. De todo modo, o momento ainda não permite relaxar. Após pouco mais de um ano do início da crise sanitária, o desafio do Estado é barrar nova expansão de casos e mortes por Covid-19
Etereldes Gonçalves Junior, professor de Matemática e diretor eleito do Centro de Ciências Exatas (CCE) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), observa que o Estado começa a vivenciar uma melhora nos indicadores da doença devido à quarentena a que a população foi submetida, com restrições de atividades econômicas e sociais. 
Mas, à medida que as ações de prevenção começam a ser flexibilizadas, como a retomada do transporte coletivo, e as pessoas passam a circular mais livremente, o risco de um novo crescimento no número de infectados e, consequentemente, de mortes não pode ser ignorado, alerta o professor.
Também membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), Etereldes lembra que, em 2020, os piores meses da pandemia foram junho e julho, ou seja, durante o inverno. Na estação, são mais frequentes as doenças respiratórias - além da Covid-19 - o que eleva mais a carga sobre o sistema de saúde. "As síndromes respiratórias aumentam nesta época; devemos ter algo assim este ano de novo", avalia. 

VACINAÇÃO

A situação poderia ser menos crítica, caso a vacinação da população estivesse em outro patamar. O Ministério da Saúde havia previsto a imunização dos 29 grupos prioritários até maio, mas postergou o prazo para setembro. 
"Isso é uma tragédia. Prorrogar a vacinação para depois do período crítico da sazonalidade é um absurdo. Realizar a vacinação até maio com certeza iria impedir muitas mortes"
Etereldes Gonçalves Junior - Professor da Ufes 
O quadro no Espírito Santo não difere de outros Estados do país, segundo afirma Pablo Lira, diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e membro do NIEE. 
"O mês de abril demonstra a repercussão do que aconteceu no Brasil de maneira geral: a terceira fase de expansão da doença. Não é algo em que o Espírito Santo está isolado; são apenas momentos distintos da pandemia", explica. 
As mortes de agora são ainda consequências de aglomerações registradas no carnaval, pontua Pablo Lira, bem como das novas variantes identificadas no Estado, com maior poder de contágio e letalidade. Com a quarentena, o Espírito Santo começou a reverter os indicadores negativos e a expectativa do diretor do IJSN é que maio possa manter a tendência, mesmo com a flexibilização de atividades econômicas e sociais. 
Ele destaca a utilização da matriz de risco, que orienta o governo do Estado na implementação das medidas necessárias. Agora, com uma retomada gradativa das atividades, para avançar ao plano de convivência da pandemia. 
Mas Pablo Lira reconhece que a falta de vacinação em massa é um risco. "O Espírito Santo é o terceiro Estado com maior índice de vacinação,  superior à média nacional. Mas os Estados dependem do Plano Nacional de Imunização (PNI) e, se o governo federal não acelerar a distribuição dessas vacinas, pode gerar um fator dificultador na redução efetiva de casos. A vacina é tanto a solução para a saúde quanto para reduzir os impactos econômicos trazidos pela pandemia."
O próprio secretário estadual da Saúde, Nésio Fernandes, em coletiva nesta segunda-feira (26), ressaltou que a estratégia de expansão de leito hospitalar seguirá sendo adotada, "porque nenhum Estado brasileiro está imune à existência de uma nova fase de aceleração da curva de casos, enquanto o país não vacinar cerca de 70% ou 80% da população-alvo."  No final de semana, o Brasil não tinha chegado a 14%. 
Além de a vacinação não estar no ritmo necessário, outras medidas de controle e prevenção da pandemia também estão longe do desejável, na avaliação do professor Etereldes Gonçalves. Para ele, falta comando para que o país todo saia da crise porque, em sua opinião, ações restritivas que os gestores locais têm adotado surtem um efeito temporário, considerando, por exemplo, que as divisas dos Estados seguem liberadas para circulação.
"A falta de coordenação nacional da pandemia levou a esse quadro, com novas variantes em circulação no país, novas expansões de casos. A estratégia de imunidade de rebanho (obtida a partir da contaminação de grande parcela da população) é suicida.  E não vai ser possível fazer o controle localmente. Medidas locais têm um resultado por um tempo, mas a médio e longo prazos se tornam inócuas. É preciso uma coordenação nacional", conclui. 

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