ASSINE

"Abrir leitos, às vezes, só muda local de morrer", diz médico em Cachoeiro

Desabafo é do médico intensivista Marlus Muri Thompson, que coordena duas UTIs em hospitais da região Sul do Estado. Segundo o profissional, situação é desesperada por conta da demanda crescente de pacientes infectados pela Covid-19

Cachoeiro de Itapemirim / Rede Gazeta
Publicado em 29/03/2021 às 16h59
Atualizado em 29/03/2021 às 16h59
MMarlus Muri Thompson
Médico Marlus Muri Thompson. Crédito: Reprodução/ TV Gazeta Sul

Com os hospitais para o tratamento da Covid-19 cada vez mais cheios em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espirito Santo, o médico intensivista Marlus Muri Thompson, especialista em tratamento em unidade de terapia intensiva (UTI), faz um desabafo sobre a realidade da pandemia na região. O médico, que coordena duas UTIs em hospitais nos municípios de Cachoeiro de Itapemirim e em Itapemirim, caracteriza o cenário como desesperador. Em entrevista nesta segunda-feira (29) à TV Gazeta, Thompsom diz que os leitos que coordena estão todos ocupados e a demanda de vagas é crescente.

“A abertura de leitos não traz segurança para a sociedade, às vezes só muda o local de morrer. Estamos organizando aumentar os leitos, mas isso precisa ser com qualidade. 40% das pessoas internadas estão indo a óbito. O profissional intensivista não se forma de um dia para o outro, a abertura de leito de UTI é leito especial e depende de profissionais”, justificou o médico.

Somado ao problema, o médico também cita outro agravante na vida dos profissionais que estão na linha de frente: a falta de medicamentos necessários ao tratamento. “Desesperador! Não é exagero nenhum dizer isso. Quem não percebeu o desespero está fora da realidade. No meio do ano passado, tivemos a ameaça de falta de medicamento, mas agora já está realmente faltando alguns. Estamos precisando usar medicação de segunda linha porque alguns já estão faltando.

Em Cachoeiro de Itapemirim, maior cidade da região Sul, 19.826 pessoas já contraíram a doença desde o início da pandemia, segundo dados do Painel Covid-19. Destas, 378 não resistiram ao vírus.

Até o final da manhã desta segunda (29), todos os 30 leitos de UTI do Hospital do Aquidaban estavam ocupados. O mesmo foi registrado na Santa Casa de Misericórdia que possui 14 vagas de UTI.

O QUE DIZ O ESTADO

Sobre os desafios apontados pelo médico, a Secretaria da Saúde no Espírito Santo (Sesa) disse por meio de nota que, até às 11h40 desta segunda-feira (29), não havia solicitação externa de vaga de UTI/COVID-19 pendente na regulação da Central de Vagas.

Informou que a região Sul de Saúde possui, atualmente, 168 leitos de UTI e 138 leitos de enfermaria exclusivos para tratamento da doença. Disse que a ocupação de leitos é dinâmica, que são realizadas altas médicas e transferências diariamente.

A secretaria ressalta ainda que o Estado está trabalhando para garantir o acesso aos leitos por meio de expansões realizadas pelo programa “Leitos para Todos”. A expectativa é que até o final do mês de abril a rede SUS capixaba esteja ofertando mais de 900 leitos de UTI Covid-19.

A secretaria reforça a importância de a população colaborar com o distanciamento social, respeitar a quarentena decretada pelo Governo, aderir às etiqueta respiratória e higienização constante das mãos para controlar o aumento do número de casos da doença.

Este vídeo pode te interessar

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.