Casarão da Fazenda do Centro: descubra cinco fatos curiosos da história do local

Entre as curiosidades estão a formação de uma banda de escravos, que se apresentava em festejos locais, e a construção de uma estação de trem nunca utilizada

Publicado em 14/12/2020 às 09h00
Atualizado em 14/12/2020 às 09h00
Fazenda do Centro fica há oito quilômetros de Castelo
Fazenda do Centro fica há oito quilômetros de Castelo. Crédito: Acervo do Instituto Frei Manuel Simón

Com 175 anos de fundação, a construção do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo, não é apenas um imóvel antigo em meio à zona rural do município. O local possui peculiaridades e fatos curiosos que contam traços da história capixaba.

Localizado a oito quilômetros do Centro de Castelo e a dois quilômetros da ES-166, que faz a interligação da BR-262 entre Cachoeiro de Itapemirim e Venda Nova do Imigrante, o espaço traz consigo a história da colonização de Castelo pelos portugueses, dos escravizados e dos imigrantes italianos. Tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1984, o Casarão da Fazenda do Centro virou um ponto turístico.

O espaço possui 42 cômodos com 79 janelas, e abriga uma capela, um centro cultural com espaço para eventos, biblioteca e memoriais dos castelenses. O local foi recentemente restaurado e é administrado pelo Instituto Frei Manuel Simon, entidade sem fins lucrativos criada por castelenses. Confira abaixo curiosidades do Casarão histórico.

MÚSICA

Um fato curioso da fazenda do Centro era a existência de uma banda de música de escravizados. E depois da abolição, uma banda de libertos. Conforme os jornais locais, essa banda se apresentava nos principais eventos políticos da região, como, inauguração de estradas e a recepção dos representantes políticos da província. A banda possuía certa de 18 componentes (escravos ou libertos) devidamente fardados.

TRISTE CENÁRIO DE ESCRAVIDÃO

A fazenda do centro chegou a ter aproximadamente 600 escravos que produziam café, arroz e outros gêneros agrícolas, como a cana-de-açúcar. O número bastante expressivo de negros escravizados refletia um cenário triste. Eles trabalhavam na agricultura e atividades da fazenda de 3 mil quilômetros, quase uma cidade, a maior parte de mata fechada.

LIBERDADE E FALTA DE ADMINISTRAÇÃO

Com a abolição da escravatura em 1888, seguida da crise do café anos depois, o local entrou em decadência. Segundo estudiosos, o imóvel teria ficado quase abandonado de 1898 a 1909. Sem recursos para tocar a fazenda, os cinco herdeiros do local venderam o lugar para o religioso Frei Manuel Simone outros dois sócios. A propriedade passou a ser abrigo dos frades agostinianos, que a transformaram a fazenda em um seminário até 1989 na formação dos jovens religiosos.

Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo. Crédito: Mosaico Imagem/ Acervo do Instituto Frei Manuel Simón

NÚCLEO COLONIAL E DIVISÃO DAS TERRAS

Segundo historiadores, após a compra do imóvel, o espanhol Frei Manuel Simón, que era Pároco de Benevente, região de Alfredo Chaves, viu a necessidade de ampliar o número de paróquias e assentar famílias de imigrantes italianos. Os 1.542 alqueires de terra foram divididos e vendidos.

Em 1910, a fazenda foi dividida em lotes de 10 alqueires e as mais de 300 famílias que chegaram à região, tiveram prazo de cinco anos para pagar, podendo ser estendido por mais cinco anos. Com o passar dos anos ocorreram novos loteamentos e doações de terras, além de invasões, reduzindo consideravelmente a extensão da propriedade. Enquanto não estavam produzindo, os imigrantes eram sustentados pelos religiosos agostinianos.

FERROVIA ERA ESPERANÇA

Importante meio de transporte, principalmente de cargas na época, a ferrovia também teve reflexos sobre a fazenda do centro. Na esperança que a linha Cachoeiro do Itapemirim x Alegre passasse pelo território da fazenda, uma estação chegou a ser erguida na propriedade e trilhas foram abertas. Mas, a estrada de ferro só foi até ao que conhecemos hoje como o centro de Castelo, em 1887.

Longe do antigo centro comercial da Fazenda do Centro, os fazendeiros da época começaram a adquirir terras no entorno da estação da cidade e ali começaram a urbanização da cidade sulina.

Casarão da Fazenda do Centro, em Castelo

Sala de jantar do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Sala de jantar do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo. Acervo do Instituto Frei Manuel Simón
Cozinha do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Cozinha do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo. Acervo do Instituto Frei Manuel Simón
Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo. Acervo do Instituto Frei Manuel Simón
Capela do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Capela do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo. Mosaico Imagem/ Acervo do Instituto Frei Manuel Simón
Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo. Mosaico Imagem/ Acervo do Instituto Frei Manuel Simón
Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
Interior do Casarão da Fazenda do Centro, no interior da cidade de Castelo, no Sul do Espírito Santo
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