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Scalene lança EP com músicas feitas na pandemia: "Inspiração"

Banda espera retorno positivo da nova obra, que reflete fases do isolamento pela Covid-19 em ritmo brasileiro e toques eletrônicos

Publicado em 06/07/2020 às 08h00
Atualizado em 06/07/2020 às 08h00
A banda Scalene: Gustavo Bertoni, Tomas Bertoni, Lucas Furtado, Philipe Conde
A banda Scalene: Gustavo Bertoni, Tomas Bertoni, Lucas Furtado, Philipe Conde. Crédito: Matthew Magrath

No ano passado, Scalene traduziu em “Respiro”, EP da banda, toda a pressão à que vive a sociedade moderna – pessoal e profissionalmente. Agora, o grupo chega à pandemia do novo coronavírus com “Fôlego”, nova obra com músicas produzidas durante o isolamento. As canções tentam ilustrar os sentimentos de cada um dos isolados pelo surto da Covid-19 durante a quarentena em “etapas”.

Tudo foi feito à base de videoconferências e a banda chegou até a gravar as canções totalmente à distância. “Foi um processo desafiador, mas gratificante. Sentimos que foi uma experiência legal e no ensinou bastante sobre produção”, fala Lucas Furtado, baixista da Scalene, em bate-papo com o Divirta-se.

As músicas, que receberam influência brasileira e algumas camadas eletrônicas, compostas durante a quarentena da banda – “Caburé”, “Passageiro”, “Caleidoscópio” e “Espelho” – relatam o início da pandemia, as perspectivas de mudança frente à quarentena, o trato e empatia com o próximo e autorreflexão sobre protestos nesse período, respectivamente.

A última faixa do EP foi a única que não foi produzida durante o período de isolamento dos músicos. “Essa é uma música linda que o Gustavo fez alguns meses antes do início da pandemia. Não havíamos lançado ela ainda e ela faz total sentido sonoramente com o restante do EP”, completa Lucas.

Durante a entrevista, o baixista também falou sobre inspirações para o EP, a experiência de produzir especificamente em meio ao surto de um novo vírus, a mensagem que a banda quer transmitir aos fãs neste momento e expectativas de retorno ao mercado.

Como foi o processo de produção de “Fôlego”?

O "Fôlego" foi produzido remotamente durante a pandemia. Debatemos as ideias para as músicas via chamadas de vídeo entre nós e o nosso produtor, Diego Marx, e a gravação aconteceu separadamente com cada integrante em sua respectiva casa. Foi a primeira vez que produzimos um material totalmente à distância. Foi um processo desafiador, mas gratificante.

Acreditam que houve mais aproveitamento ou a experiência toda foi diferente?

Apesar de o processo ter sido bem diferente do que estamos acostumados, sentimos que foi uma experiência legal e nos ensinou bastante sobre produção. Todos nós tivemos que aprender um pouco mais sobre o processo de gravação, pois cada um teve que executar a sua parte sozinho. Esse aprendizado com certeza vai ser levado para os próximos materiais que vierem por aí. Acho que ter passado por esse processo vai dar mais liberdade para que seja possível produzir mais coisas sem a necessidade de estar todo mundo presente o tempo inteiro, mesmo depois que a pandemia acabar.

E o que o título, “Fôlego”, pretende dialogar com o conteúdo do EP e com a mensagem que querem passar?

Esse EP é o nosso primeiro lançamento desde o disco "Respiro", lançado ano passado, que foi um trabalho bem diferente na nossa carreira. O EP ainda carrega muitas das influências desse último disco, em que nós demos uma "desacelerada" no som e exploramos um lado diferente do nosso material. Dentro disso, o EP ainda tem essa intenção mais "calma" que o "Respiro" propõe, mas tem como contexto a situação de pandemia e isolamento que estamos vivendo. É preciso ter fôlego para passar pelo que estamos passando.

Além do momento de quarentena, é claro, as músicas tiveram alguma outra inspiração?

Acho que a quarentena serviu mais como contexto do que como inspiração. Sempre escrevemos muito sobre a realidade que estamos inseridos e estamos vivendo isso agora, então é natural que exista um pouco disso nas músicas. Mas a inspiração real veio de reflexões pessoais nossas, sobre mudanças que temos sentido durante esses últimos meses, sobre questionamentos, revoltas e aprendizados que tivemos.

E que musicalidade vocês quiseram imprimir mais fortemente nesse trabalho? Sentiram alguma mudança na “marca registrada” de vocês em virtude da circunstância?

A sonoridade desse EP está bem ligada ao que fizemos no disco "Respiro", com bastante influência de música brasileira, algumas camadas eletrônicas e de R&B e sempre com a cara da banda.

Qual é a expectativa para o pós-lançamento e retorno do público?

Estamos muito contentes com a repercussão do trabalho. O resultado ficou muito bonito e a galera está curtindo bastante. Vemos vários comentários dizendo que o "Fôlego" trouxe sensações boas para as pessoas durante esse período difícil e ter esse tipo de resposta é muito gratificante.

Pelo que li e ouvi, as músicas falam muito de processos pessoais no isolamento. Mas quiseram dar também um tom crítico nas canções?

Na realidade quase todas as músicas do EP têm um tom crítico. "Caburé" questiona nossas ações no mundo e pede por uma reflexão mais profunda sobre como nos tornar menos autodestrutivos em um mundo que parece estar à beira do colapso social, econômico e político. "Passageiro" também convida o ouvinte a uma mudança e a um diálogo sobre aceitação, sobre encontrar dentro de si o que pode existir de melhor e externalizar isso, ao invés de buscar o contrário. "Espelho" é uma autocrítica sobre questões raciais, privilégios e o papel de cada um na sociedade e o quanto esse papel está ligado às estruturas extremamente nocivas que vêm sendo sedimentadas e sistematicamente replicadas em nossa sociedade por séculos. As críticas aqui estão bem ligadas ao pessoal, ao que cada pessoa pode fazer para melhorar o que está acontecendo "do lado de fora". É só ouvir com atenção.

E por que decidiram incluir “Estar a Ver o Mar” no EP, já que esta não foi feita durante a quarentena? Como ela conversa com a musicalidade das outras canções?

Essa é uma música linda que o Gustavo (Bertoni) fez alguns meses antes do início da pandemia. Não havíamos lançado ela ainda e ela faz total sentido sonoramente com o restante do EP. Apesar de o EP ter sido produzido durante a pandemia, ele não fala sobre a pandemia, é um trabalho bem mais amplo com várias camadas e essa música integra isso de forma incrível.

E o que vocês têm feito em meio ao isolamento? O que podem adiantar de novos trabalhos?

Temos trabalhado muito na divulgação do EP e em projetos pessoais. Estamos sempre produzindo e pensando no que vem pela frente, mas se a gente contar agora, aí perde a graça. Então fiquem ligados (risos). 

A banda Scalene: Gustavo Bertoni, Tomas Bertoni, Lucas Furtado, Philipe Conde
A banda Scalene: Gustavo Bertoni, Tomas Bertoni, Lucas Furtado, Philipe Conde. Crédito: Reprodução/Instagram @bandascalene

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