Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Literatura

Companhia das Letras tenta combater racismo nomeando editor de diversidade

Maior grupo editorial do país anuncia planos para tornar catálogo e equipe mais plurais

Publicado em 28 de Julho de 2020 às 19:38

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 jul 2020 às 19:38
Livros, biblioteca
Livros, biblioteca Crédito: Pixabay
A Companhia das Letras, maior grupo editorial brasileiro, anunciou que está tomando iniciativas para combater os efeitos do racismo nas suas publicações e ampliar a diversidade de seus autores.
Os planos incluem a criação do cargo de editor de diversidade, ocupado pelo historiador Fernando Baldraia, com atuação transversal em todo o grupo, um censo interno dos funcionários e do catálogo da editora, um programa de treinamento com atenção à diversidade, assim como uma série outros projetos editoriais.
"Como o racismo estrutura todas as nossas relações, ele impacta também o ambiente editorial, em que não só a maior parte dos funcionários em postos de direção são brancos, como os catálogos são majoritariamente compostos por autores brancos e de origem europeia", afirma nota do grupo. "Por isso é preciso tomar medidas práticas e propositivas, na esteira de outros setores, como as universidades públicas."
Além dos já anunciados lançamentos de Carolina Maria de Jesus e de Lélia Gonzalez, também estão no prelo da editora novas obras de Silvio Almeida e Cida Bento, colunista da Folha de S.Paulo, a "Enciclopédia Negra", em que Flávio Gomes, Jaime Lauriano e Lilia Schwarcz perfilarão 500 figuras de relevância histórica, e um livro de memórias do cacique Raoni, uma das principais lideranças indígenas do país.
Outro líder importante, Ailton Krenak, que se tornou best-seller com "Ideias para Adiar o Fim do Mundo", vai suceder o livro com "A Vida Não É Útil" no próximo mês.
Em literatura infantil, há novos livros do rapper Emicida e da educadora Kiusam de Oliveira, além de uma versão para crianças de "Sejamos Todos Feministas", da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.
A escritora Chimamanda Ngozi Adichie, na capa da edição de abril da revista Marie Claire
A escritora Chimamanda Ngozi Adichie, na capa da edição de abril da revista Marie Claire Crédito: Helena Wolfenson
Baldraia, o novo editor, afirma que a diversidade que a empresa busca vai além do antirracismo, para incluir também o combate ao sexismo, as "outras relações entre corpo e desejo" incorporadas por cada letra da sigla LGBT e a discussão que desconstrói a masculinidade e a branquitude.
Sua função no cargo, diz ele, é "olhar como a diversidade é trabalhada em cada campo editorial", o que inclui, por exemplo, publicações de negócios e literatura infantojuvenil, "e de outro lado, olhar pra fora da editora e ver como linguagens, discursos e personagens excluídos poderiam ter entrada no mundo editorial".
"É preciso entender efetivamente que esse debate é transversal na sociedade, está presente em todos os lugares. Não é um cercadinho em que num momento você debate antirracismo, neste outro o gênero", afirma Baldraia, que é doutor em história pela Universidade Livre de Berlim. "Deveria estar presente em todas as publicações possíveis. Isso está começando no mercado editorial, como política corporativa."
Baldraia vai trabalhar lado a lado com os publishers dos 17 selos da Companhia das Letras, sugerindo e acompanhando projetos, e também vai editar livros que não tenham necessariamente a diversidade no cerne.
Em junho, nos Estados Unidos, um manifesto assinado por mais de mil escritores e editores cobrava as cinco maiores editoras do país a publicar mais autores negros, na esteira do movimento Black Lives Matter. Três delas, a Hachette, a Simon & Schuster e a Penguin Random House --que há alguns meses criou um conselho interno voltado a diversidade e inclusão--, se comprometeram a fazer isso.
Na semana passada, a escritora Juliana Borges lançou na revista Claudia um manifesto inspirado naquele, intitulado "Autores Negros Importam". Questionava o difícil reconhecimento de escritores não brancos por grandes editoras, citando pesquisa de Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília, que apontava que de 2004 a 2014, só 2,5% dos autores publicados no Brasil não eram brancos.
Borges vê a iniciativa da Companhia das Letras como positiva. O trabalho de diversificar o leque de autores, segundo ela, vinha sendo empreendido apenas por editoras menores.
A escritora celebra em especial o censo interno do grupo, que joga luz sobre outros espaços do mercado editorial. "Quantos editores são negros ou indígenas? Essas vozes precisam estar presentes em toda a cadeia da produção do livro, não só no staff administrativo."
Para ilustrar a importância de haver gente atenta à multiplicidade de vozes dentro das editoras, ela lembra o longo tempo que levou para Conceição Evaristo ser reconhecida. "Ela participou de circuito de saraus durante um bom tempo, todo mundo sabia que era genial e demorou muito para ser publicada", afirma.
"Então tem essa responsabilidade, na luta antirracista, que é de todos nós. Se as pessoas querem ler, se tem demanda por essa produção, é importante responder a isso."

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Rede que roubava gatos para consumo humano é desmantelada no Vietnã e centenas de animais são salvos
Material apreendido durante a Operação Black Station
Empresário é preso com medicamentos emagrecedores ilegais em Vitória
Imagem de destaque
Governo do ES lança aplicativo para consultar exames, vacinas e medicamentos pelo celular

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados