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Opinião da Gazeta

Um motociclista morre por dia no ES. E isso parece não chocar mais

Na disputa por espaço entre uma moto, um carro e um caminhão, é óbvio quem sai perdendo. Mas isso não se reflete em um comportamento mais prudente nas ruas, avenidas e rodovias

Publicado em 25 de Maio de 2023 às 01:00

Públicado em 

25 mai 2023 às 01:00

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Acidente matou motociclista na Avenida Fernando Ferrari, em Vitória Crédito: Ricardo Medeiros
Quantas vezes as palavras "motociclista" e "morre" são capazes de aparecerem juntas no noticiário até conseguirem provocar uma mudança de comportamento no trânsito?
Os números de vítimas fatais em acidentes com moto em 2023 jogam na cara a dimensão dessa violência: entre janeiro e abril deste ano, foram 130 mortes no Espírito Santo, um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado. É praticamente uma vítima por dia. E o que mais assusta: mortes envolvendo o veículo de duas rodas correspondem a 50% do total mortes no trânsito.
No caso desta quarta-feira (24), na Avenida Fernando Ferrari, em Vitória, um motociclista de 37 anos caiu com a moto enquanto chovia, segundo a Guarda Municipal de Vitória. Em situações como essa fica evidente a necessidade da atenção plena dos motoristas, para conseguirem reagir diante de imprevistos. A direção cautelosa é o que pode salvar vidas. Ninguém dirige somente para si, o trânsito é um ecossistema que exige cuidado mútuo para funcionar com segurança.
As causas dos acidentes envolvendo motos podem ser distintas, com a responsabilidade ou não dos condutores desses veículos,  mas as dinâmicas têm sempre um componente comum, a brutalidade. Na disputa por espaço entre uma moto, um carro e um caminhão, é óbvio para qualquer pessoa qual deles é o mais frágil. Mas isso não se reflete em um comportamento mais prudente nas ruas, avenidas e rodovias. 
Em 2019, o jornal  Folha de S. Paulo divulgou um levantamento com dados do seguro Dpvat mostrando que, nos dez anos anteriores, 200 mil brasileiros haviam morrido em decorrência de acidentes com motos. E pelo menos outros 2,5 milhões ficaram permanentemente inválidos para o trabalho. 
De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), entre 2012 e 2022, o número de pessoas habilitadas a pilotar motos no Brasil cresceu mais de 50%. Os números também mostram que o mercado de motos cresce, enquanto o de automóveis encolhe. Motocicletas são um meio de transporte mais acessível, além de terem se tornado uma ferramenta de trabalho importante. Por isso mesmo, em função das demandas e da pressa, é tão comum flagrar infrações.
Com o crescimento da frota de motos, sobretudo após a pandemia, se não houver mudanças de comportamentos, resultado de mais rigor punitivo no trânsito, a violência envolvendo esse tipo de veículo certamente vai continuar crescendo.
No início do mês, uma operação da Polícia Militar em Colatina removeu 11 motos e aplicou 36 multas. A fiscalização estava de olho nas motos com escapamento alterado para fazerem mais barulho, o que é crime de perturbação do sossego. Uma iniciativa importante que deveria inspirar outras blitze para flagrar a imprudência de motociclistas, além de checar a própria documentação dos condutores e dos veículos. É comum demais, sobretudo no interior, motociclistas desabilitados envolvidos em acidentes.
A mudança de postura no trânsito é o que pode mudar esse cenário de violência diária. A ação policial, por meio das guardas municipais, precisa ser mais dura e mais presente para conseguir um trânsito mais civilizado. As notícias estão aí, mas cada vez mais correm o risco de não provocarem mais nenhum choque, de tão rotineiras. É isso que a sociedade não pode permitir que aconteça.

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