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Opinião da Gazeta

Tiro que deixou agente paraplégico no Morro do Moreno é inaceitável

Até que ponto o cidadão tem de aceitar ser refém da insegurança, impedido de circular despreocupado por onde quer que seja? Algum nível maior de proteção é uma reivindicação muito justa.

Publicado em 14 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

14 jan 2021 às 02:00

Colunista

Morro do Moreno
Pôr do sol visto do Morro do Moreno, em Vila Velha: contemplação ameaçada pelo risco da violência  Crédito: Fernando Madeira
paraplegia de um inspetor penitenciário, vítima de uma tentativa de latrocínio no Morro do Moreno, em Vila Velha, causa tristeza e indignação, na mesma medida. É com perplexidade que se encara, com tanta recorrência, a banalidade da violência urbana. E a possibilidade de ser alvo de um assalto que termine com algum tipo de dano físico ou morte é o maior dos temores da população. Rodrigo Figueiredo da Rosa acabou perdendo o movimento das pernas ao  ser baleado nas costas por bandidos durante um momento de lazer, no último domingo (10), em um dos pontos turísticos mais visitados da Grande Vitória.
A prisão dos suspeitos Pedro Henrique Gomes Oliveira, de 20 anos, e Thiago Francisco Cristo, de 18, aconteceu pouco mais de 48 horas após o crime, resultado da efetividade da investigação policial. Em depoimento à polícia, Pedro Henrique assumiu a autoria do disparo contra o agente penitenciário. A arma do inspetor que havia sido levada foi recuperada. Os suspeitos tiveram a prisão preventiva decretada em audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (13), sem deixar, assim, margens para a impunidade já no início do processo.
A atuação rápida da polícia é fundamental para que casos como esse não se percam na névoa dos crimes sem solução. E essa agilidade não pode ocorrer somente em crimes de repercussão. Vale lembrar que o Espírito Santo chegou ao final de 2020 com a triste marca de 1.101 homicídios, um aumento de 11,55% em relação a 2019, que registrou um total de 987 ocorrências e foi celebrado por ter sido o primeiro em décadas com menos de mil mortes. A solução dos casos e as prisões são um importante passo para reduzir a criminalidade.
Cenas de violência como a do Morro do Moreno fazem crescer a sensação de insegurança por atropelarem a própria rotina das pessoas. Ninguém discorda que, em uma sociedade na qual a violência pode estar em cada esquina, o cidadão acaba sendo obrigado a ter mais cuidado, numa espécie de redução de danos.
Culturalmente, já são comuns soluções tipicamente brasileiras como o "celular do ladrão", para evitar prejuízos maiores com a falta de segurança. Andar pelas ruas nas grandes cidades brasileiras exige precauções que em muitos países são impensáveis, consideradas um exagero. Por aqui, é instinto de sobrevivência friamente calculado.
Quando o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Alexandre Ramalho, pede a moradores e turistas que evitem subir o Morro do Moreno à noite ou antes do amanhecer, de certa forma isso se institucionaliza. Não é o caso de se condenar o conselho do secretário, uma medida preventiva cercada de bom senso, mas de se fazer uma reflexão sobre essa orientação.
Até que ponto o cidadão tem de aceitar ser refém da insegurança, impedido de circular despreocupado por onde quer que seja? Sabe-se da inviabilidade operacional de se manter a onipresença do policiamento nos quatro cantos das cidades, mas quais são as saídas possíveis? Algum nível maior de proteção é uma reivindicação muito justa.
A impossibilidade de se assistir às alvoradas e aos crepúsculos no alto do Moreno entristecem. Mostra por si só a dificuldade de se impulsionar o turismo, de se aproveitar as belas paisagens da Grande Vitória com tranquilidade e contemplação. É lamentável saber que, em nome da própria segurança, o mais prudente é mesmo abdicar desses pequenos prazeres, por serem tão arriscados.

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