Para além da mobilidade elétrica individual, com a expansão das bikes e dos autopropelidos, uma outra transformação no trânsito vem ocorrendo massivamente há algum tempo, também a olhos vistos: as motos por aplicativo se tornaram nos últimos anos uma opção mais barata de locomoção contribuindo, inclusive, para a queda no número de passageiros de ônibus.
É uma nova dinâmica na mobilidade urbana, mas que vem acompanhada de desafios que não podem ser deixados de lado pelo poder público.
Na quinta-feira (14), a passageira de uma motocicleta usada para esse serviço foi morta ao ser arrastada para baixo de um micro-ônibus com o motociclista, na Avenida Carlos Lindenberg, em Vila Velha. Em abril, um motociclista de aplicativo morreu em acidente na Serafim Derenzi, em Vitória. Em março, uma estudante da Ufes ficou ferida em um acidente dentro do campus de Goiabeiras, também em Vitória (foto acima).
Não foram as únicas ocorrências com motos nos últimos anos, até porque as estatísticas envolvendo esses veículos têm um histórico notoriamente ruim. Não há dados disponíveis sobre os acidentes envolvendo motos usadas para o transporte por aplicativo, mas as informações disponibilizadas pelo Observatório da Segurança Pública mostram que, neste ano, 44,63% das mortes no trânsito no Espírito Santo (354 no total até maio) foram de motociclistas e 3,95% de caronas de moto.
O transporte de passageiros de moto, por mais que ainda esteja cercado de controvérsia quanto a sua legalização, se tornou um caminho sem volta. E espera-se algum nível de comprometimento das autoridades de trânsito, das prefeituras e governos e dos legisladores.
A começar, com a imposição de educação no trânsito para quem faz uso regular desse tipo de transporte. O carona precisa saber como se portar, assim como a conduta do motociclista no trânsito precisa ser avaliada e fiscalizada. As plataformas por trás desses aplicativos precisam ter mais controle sobre como se comportam, excluindo os maus condutores.
O trânsito da Grande Vitória reflete as mudanças que estão acontecendo em todo o país, de forma muito rápida. As motos com passageiros expõem uma mobilidade que entrega agilidade e baixo custo. O que ainda falta garantir é segurança, e esse debate precisa ser encarado com mais seriedade.
LEIA MAIS EDITORIAIS