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Vilmara Fernandes

Preso no Rio um dos principais fornecedores de drogas para o PCV no ES

Criminoso foi detido na Região dos Lagos na Operação Escobar, realizada pelas polícias civis capixaba e carioca, com apoio do MP

Publicado em 18 de Maio de 2026 às 03:30

Públicado em 

18 mai 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

José Paulo de Souza Ferreira Júnior, vulgo “Da Pop”, foi preso no Rio de Janeiro
 José Paulo de Souza Ferreira Júnior, o "Da Pop" foi preoo no RJ   Crédito: Divulgação | PCES

Um dos principais fornecedores de drogas para o Primeiro Comando de Vitória (PCV) foi preso no Rio de Janeiro na última sexta-feira (15). José Paulo de Souza Ferreira Júnior, o "Da Pop", figurava entre os criminosos mais procurados do Espírito Santo.


Ele foi localizado em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, onde morava em uma casa considerada de luxo e tentava ocultar suas atividades de traficância sob um perfil de investidor. Foi preso pela Operação Escobar, realizada pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), em ação conjunta com a corporação do Rio de Janeiro (PCERJ), e com apoio do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).


Segundo informações da Polícia Civil, ele é um dos principais elos do Comando Vermelho com traficantes capixabas, enviando drogas para o Bairro da Penha e outros da Grande Vitória


Condenação


Na segunda quinzena de abril, "Da Pop" tinha recebido uma nova condenação de 25 anos e três meses a ser cumprida em regime fechado, em decisão do Juízo da 10ª Vara Criminal de Vitória, por crimes de associação para o tráfico e organização criminosa. Sanção aumentada por ser reincidente, ter papel de liderança, o emprego de armas de fogo pela organização e à conexão comprovada com facções nacionais, como o Comando Vermelho (CV).


A sentença o descreve como uma peça fundamental na estrutura do PCV, atuando como o núcleo financeiro e operacional da organização criminosa.  Em 2022, ele era o responsável por articular o fornecimento de vultosas quantidades de entorpecentes vindos de outros estados, e pela gestão financeira de transações de grande porte.


O documento judicial cita que provas colhidas de dispositivos eletrônicos revelaram uma contabilidade minuciosa, com comprovantes de transferências bancárias de cifras astronômicas e negociações de dezenas de quilos de entorpecentes.


Vai e vem de prisões


Há informações de que José Paulo passou um período foragido Rocinha, área dominada pelo CV, desde que deixou o sistema prisional capixaba. Há três anos tinha se transferido para a Região dos Lagos. Em 2024, houve uma tentativa de capturá-lo, sem êxito. 


Em anos anteriores, ele entrou e saiu várias vezes do sistema prisional capixaba por meio de alvarás de soltura. Uma delas ocorreu em 2016, quando ficou detido de 2 de maio a 3 de novembro. Em 23 de outubro de 2020, voltou a ser preso, permanecendo na unidade até 26 de agosto de 2021. 


Após ser liberado, retornou ao sistema em 27 de julho de 2022, onde ficou até 9 de setembro do mesmo ano.


Alianças criminosas


Na sentença de condenação de “Da Pop”, o juiz considerou "inconteste" o vínculo do PCV com o Comando Vermelho e com a chamada "Tropa do BI". Essas organizações agiam como parceiras independentes para fins de aquisição de armamento e substâncias entorpecentes, em coalizões consideradas estratégicas para o fortalecimento bélico e comercial do grupo capixaba. 


Em relação ao PCV é dito que trazia drogas de estados como São Paulo e Rondônia, além de receber armas e entorpecentes diretamente do Rio de Janeiro, base principal do CV.

"Da Pop" fazia parte do centro de comando da facção, que à época era controlada por Carlos Alberto Furtado, o "Beto", atualmente custodiado no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia. É relatado que a articulação logística era feita por Beto em contato direto com chefes do CV fluminense.


Com ele foram condenadas outras seis pessoas. A sentença detalha ainda o modus operandi do grupo, que utilizava advogados como "mulas" e "pombos-correio" para transportar ordens manuscritas, os chamados "catuques", de dentro de presídios de segurança máxima para os membros em liberdade.


Esse sistema permitia que a liderança, mesmo atrás das grades, continuasse a planejar ações violentas, negociar armamentos de grosso calibre e impor taxas e o "domínio do medo" às comunidades locais.


A defesa de João Paulo não foi localizada, mas o espaço segue aberto à manifestação.


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Vilmara Fernandes

É jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi repórter nas editorias de Política, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como repórter especial com foco em matérias investigativas em diversas áreas.

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