Na semana passada, A Gazeta fez uma reportagem com os casos de violência contra a mulher registrados pelo seu noticiário no início deste mês de maio, oito ocorrências em sete dias. Casos assustadores.
Crimes de ameaça e agressões que não podem ser naturalizados, por mais que se repitam com tanta frequência. Uma mulher grávida ser empurrada da escada pelo marido armado não é algo que pode passar batido. Uma mulher de 58 anos ser ameaçada de enforcamento e estupro pelo marido de 64 anos é uma atrocidade dentro de um casamento. Imagine então uma mulher precisar pular do segundo andar para fugir do marido?
A violência física é o passo que, no geral, precede a tragédia. A violência doméstica é feita de nuances que cercam a intimidade, e é justamente por isso que é tão difícil de ser combatida. No Espírito Santo, de acordo com o Observatório da Segurança Pública, foram 15.363 ocorrências com vítimas femininas entre janeiro e abril. No mesmo período, foram registrados oito feminicídios, uma queda de 38,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Esses são alguns dos muitos dados de segurança pública estaduais que, assim como em nível nacional, são usados para dar a dimensão do problema e guiar políticas públicas para o enfrentamento dos crimes de gênero. Estatísticas devem ser tratadas com seriedade, para que não existam dúvidas de que estamos diante de uma tragédia social.
O ator Juliano Cazarré ao afirmar em debate da GloboNews que "mais mulheres mataram homens do que homens mataram homens" repetiu uma desinformação que já havia sido contestada com checagem por veículos de comunicação. Nem mesmo a afirmação de que "2,5 mil homens foram assassinados por mulheres no período em que nós tivemos 1,5 mil mulheres assassinadas por homens" tem base em dados oficiais de segurança pública.
Informações usadas dessa forma confundem o debate público e plantam dúvidas que não existem sobre a existência do problema. Isso quando é possível acompanhar os casos noticiados à exaustão e as estatísticas. Faz parecer que os homens correm até mais riscos que as mulheres em suas relações mais próximas, o que não é verdade.
Tudo o que a sociedade não precisa é de mais um negacionismo, no caso da violência contra a mulher. É óbvio demais, é explícito demais, é repetido demais. Como reforçou a pastora Helena Raquel, cuja pregação em um congresso internacional de evangélicos viralizou na semana passada: "A violência contra a mulher existe. E nós sabemos".
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