Lula eleito: vitória da democracia também será ouvir as vozes discordantes

Como o presidente eleito fez questão de destacar, essa não foi uma vitória só dele ou do PT. É a partir desse princípio que Lula terá a obrigação de encaminhar seu governo, apostando nessa harmonia entre as diferenças que deu força à sua campanha

Publicado em 01/11/2022 às 01h01
Eleição
Luís Inácio Lula da Silva faz seu primeiro pronunciamento como presidente eleito na noite deste domingo (30) em hotel da capital paulista. Crédito: Suamy Beydoun/Estadão Conteúdo

“A partir de 1° de janeiro de 2023, vou governar para 215 milhões de brasileiras e brasileiros e não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existem dois Brasis. Somos um único país, um único povo e uma grande nação.”

As primeiras falas de Lula como presidente eleito foram auspiciosas e animadoras. A missão de pacificar o país, contudo, não será simples. A polarização não termina como mágica — a reação dos caminhoneiros no "day after" das eleições mostra bem o nível da dificuldade.

Mas é fato que Lula, ao conseguir agrupar em torno de sua candidatura campos políticos e ideológicos tão díspares, tem uma chance de ouro para fazer a coisa certa pelo Brasil no momento em que ele mais precisa.

Como o presidente eleito fez questão de destacar, essa não foi uma vitória só dele ou do PT. É a partir desse princípio que Lula terá a obrigação de encaminhar seu governo, apostando nessa harmonia entre as diferenças que deu força à sua campanha. Há muitos a serem ouvidos, lideranças políticas, economistas, especialistas em gestão, todos dispostos a contribuir.

próprio vice, Geraldo Alckmin, saiu de uma histórica posição de adversário para ocupar um lugar privilegiado de aliado. Lula precisa saber aproveitar essa riqueza de recursos humanos no seu entorno, inédita, para não correr o risco de governar só com os seus e para os seus, acentuando ainda mais o racha que separa o país.

Ora, o antibolsonarismo e o antipetismo são igualmente vazios de propostas e precisam dar lugar a um projeto de país, com objetivos bem claros para tirá-lo do atoleiro. O Brasil passou por um década perdida e ainda não conseguiu se recuperar, é preciso corrigir as rotas.

Lula já afirmou seu compromisso com a democracia e as instituições. Posicionou-se firmemente na defesa da agenda ambiental e na reconstrução da política externa. Exaltou a relevância da cultura e da educação e da proteção dos povos originários. Colocou o combate à miséria como prioridade.

A sociedade agora tem pressa de saber os direcionamentos que serão dados a áreas que foram omitidas na campanha, como a política econômica. As reformas estruturantes serão engatilhadas? Como vai gerar empregos? Há alguma preocupação com a eficiência estatal, o equlíbrio fiscal e a redução dos privilégios? Lula tem muito a responder e ainda tem tempo para tanto. Mas não todo tempo do mundo.

A vitória da democracia será concreta, além das meras palavras, quando o país começar a entrar nos trilhos com a participação ativa de quem não concorda 100% com o governo que está para começar. É uma chance única. Lula, se não ceder a caprichos partidários e se colocar como um estadista, tem a chance de fazer história.

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