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INSS escancara como o brasileiro comum é (mal) tratado pelo governo

Joana não recebe auxílio-doença desde janeiro. Com perícia agendada para a prorrogação do benefício, não conseguiu atendimento pela total falta de organização do órgão

Publicado em 15/09/2020 às 06h00
Joana de Cassia Mendes Silva tinha perícia marcada no INSS para esta segunda-feira (14), mas não conseguiu atendimento
Joana de Cassia Mendes Silva tinha perícia marcada no INSS para esta segunda-feira (14), mas não conseguiu atendimento. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

Não há freio para a falta de respeito com o cidadão neste país. Nesta segunda-feira (14), a auxiliar de serviços gerais Joana de Cássia Mendes Silva se deslocou até uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)  em Vitória, na esperança de realizar a perícia que garantisse a ela a prorrogação do pagamento do auxílio-doença, suspenso desde janeiro deste ano.  A reportagem foi exibida pela TV Gazeta.

Impedida de trabalhar por conta de uma enfermidade nos ossos, ela não conseguiu o atendimento, inquestionavelmente uma urgência para alguém sem um benefício que não é uma esmola, é um direito incontestável como contribuinte de toda uma vida. Foi a terceira tentativa de voltar a receber o seu sustento. Em vão.

Joana é só um nome entre tantos beneficiários que deram com a cara na porta em agências por todo país. O  INSS havia anunciado a retomada, nesta segunda-feira, do atendimento presencial em parte de suas agências, após cinco meses de suspensão em função da pandemia. 

Em meio à crise sanitária, não havia alternativa para garantir a segurança de funcionários e contribuintes, diante das exigências de distanciamento social. Incompreensível mesmo é que neste longo período nenhum tipo de contingência tenha sido estabelecida para que a reabertura dos postos transcorresse sem atribulações. Tempo para isso não faltou.

É inconcebível que o procedimento tenha sido deixado para a última hora: a partir do momento em que os atendimentos presenciais foram suspensos, a responsabilidade imediata da gestão do órgão seria se preparar para um retorno em uma nova realidade, com as devidas precauções a serem tomadas e adaptações estruturais. Mas, no Brasil, é sempre mais vantajoso esperar para ver o que acontece. Planejamento é uma excentricidade.

Não há a mínima preocupação com o esforço que cada um desses beneficiários, debilitados, teve de fazer para chegar a uma agência. Não há a mínima preocupação em realizar uma comunicação massiva, que consiga atingir quem não tem acesso ilimitado à internet.

governo federal falha por todos os ângulos possíveis: por não estabelecer uma gestão emergencial para os que dependem do benefício, organizando o atendimento em tempos de pandemia, e por não publicizar com eficiência os imprevistos. A Secom se mostra muito mais preocupada em rebater crítica de humorista do que a realizar sua missão: a comunicação social.

O que se testemunhou nesta segunda-feira, com filas e aglomerações em muitas agências do INSS no país, foi mais um flashback incômodo dos anos 1980, quando as intermináveis filas do INPS se tornaram folclóricas. Um revival totalmente fora de hora, que coloca à prova qualquer possibilidade de priorização das pessoas.

É esse desleixo com o contribuinte que também precisa ser extirpado por uma reforma administrativa abrangente. A Dona Joana é a razão de ser do serviço público, e nesta manhã de segunda-feira ela foi por ele mais uma vez aviltada. Como tantos outros brasileiros que sustentam a máquina pública.

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