Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Editorial
  • Do Censo à falta de senso, desprezo pelo conhecimento no Brasil colhe frutos
Opinião da Gazeta

Do Censo à falta de senso, desprezo pelo conhecimento no Brasil colhe frutos

O negacionismo científico mais explícito na pandemia é só um dos aspectos da falta de perspectivas para a educação, a ciência e a tecnologia no país

Publicado em 29 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 mar 2021 às 02:00

Colunista

Covid-19
Cientista em ação: aplicação de recursos em ciência fortalece o país Crédito: Polina Tankilevitch/ Pexels
O negacionismo científico impregnado no nível federal e em determinados setores mais exaltados da sociedade ganhou uma dimensão assustadora na pandemia, com a resistência cega às orientações sanitárias baseadas em estudos e métodos rigorosos se sobrepondo a qualquer traço de racionalidade.
O apoio ao tratamento precoce, mesmo com as evidências da ineficácia e dos riscos para a saúde, e a descrença nas vacinas, no uso de máscaras e no distanciamento social estão diretamente relacionados à disseminação acelerada do vírus e, consequentemente, ao enfileiramento de mortos no Brasil, que já ultrapassaram a marca dos 300 mil.
Mas essa crise de confiança na ciência tem sido alimentada há mais tempo por teorias conspiratórias de toda sorte (basta lembrar que a crendice antivacina de forma mais organizada já existe há pelo menos duas décadas). As bases desse culto à ignorância permanecem sólidas em um país no qual a educação é fragilizada pelo mau direcionamento crônico de investimentos. 
Mas o despreparo na apreensão de informações científicas também é um sintoma cultural do qual nem classes com rendas mais altas e com acesso a um ensino mais qualificado escapam, ao enxergar na educação um produto precificado e não um bem valioso e inalienável.
A educação com valor não necessariamente é aquela mais cara da prateleira: é uma educação crítica, que permite a compreensão do mundo com base no conhecimento. E precisa ser ampla, tendo sua aplicabilidade amparada por um arcabouço humanístico. O que, antes que mencionem, nada tem a ver com ideologia.
Só assim aqueles que ditam os rumos do país terão a bagagem necessária para defender a aplicação de recursos em ciência e tecnologia, o que nem sempre é um investimento de resultados no curto prazo, imediatistas. Não ganham eleição, portanto, mas são os fundamentos de um projeto de país.
Uma nação que produz conhecimento científico e fortalece suas aplicações não só na saúde e na medicina, como se vê na pandemia, mas em outros setores como a indústria e os serviços, é uma nação fortalecida, com potencial de excelência econômica e oportunidades sociais.
É inegável que a pandemia é um ponto fora da curva que exige uma adequação de gastos, sobretudo quando o desequilíbrio fiscal já figurava como um problema anterior à própria crise sanitária. Mas a aprovação do Orçamento 2021 na Câmara apontou prioridades distorcidas. Tanto o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação quanto o Ministério da Educação sofreram cortes em relação a 2020, enquanto a sanha por emendas parlamentares eleitoreiras se sobrepuseram às emergências desses dois setores. 
É como se a pandemia fosse mera coadjuvante e não exigisse um esforço científico e tecnológico sem precedentes, além de desafiar o sistema educacional com a permanência do ensino remoto enquanto a crise sanitária se prolonga e aprofunda as desigualdades sociais brasileiras.
Mas é conveniente ressaltar que a falta de incentivos nos dois campos vem de antes. E mesmo que a conta do descaso com a produção de conhecimento no Brasil esteja sendo paga agora, instituições públicas como o Instituto Butantan e a Fiocruz têm sido protagonistas na produção de vacinas. 
Butantan dá passos importantes, inclusive, em uma parceria para a produção de um ainda controverso imunizante "100% brasileiro", já que a tecnologia para obter o vírus foi desenvolvida pela Icahn School of Medicine do Hospital Mount Sinai, de Nova York, e será licenciada pelo instituto. Minúcias à parte, será mais uma opção de vacina para o país. 
Cortes orçamentários também podem acelerar o sucateamento do fomento à pesquisa em universidades, sob o risco de paralisação do desenvolvimento científico em um momento tão crítico quanto o atual. As trincheiras acadêmicas, com a produção de estudos médicos e epidemiológicos que contribuíram para desvendar os mistérios do novo coronavírus desde o seu aparecimento, são também importantes barreiras para a desinformação.
E quando se fala de produção de conhecimento, não se pode deixar de mencionar o Censo 2021, que teve o orçamento enxugado de R$ 3,4 bilhões para R$ 2 bilhões, com sua realização sendo potencialmente inviabilizada. O levantamento realizado a cada dez anos pelo IBGE também é ciência, com metodologia específica para mapear a população brasileira, servindo de base para políticas públicas mais qualificadas.
Adiado no ano passado em função das limitações logísticas impostas pela pandemia, há dúvidas se há condições de realizá-lo em 2021 com segurança. Mas a irrelevância com a qual o Censo tem sido tratado só confirma a falta de senso que domina este país.

{{ndFunctionFirstNotNull(post.original_author.attributes_map.descricao_de_colunista.value,post.original_author.biography)}}

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Mendonça autoriza segundo inquérito da PF contra Lulinha
Lucas Dias morava na casa interditada após desabamento que deixou quatro mortos em Cariacica
Tragédia que matou 4 em Cariacica interdita casa e deixa família desalojada
Lâmpada, conta de luz, iluminação, energia elétrica
Conta de luz manterá bandeira tarifária amarela em agosto

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados