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Opinião da Gazeta

Como ainda conseguimos aceitar tantas mortes absurdas?

1003 pessoas perderam a vida no ano passado de forma banal. Em média, são três mortes por dia que poderiam ser evitadas

Publicado em 23 de Janeiro de 2026 às 01:00

Públicado em 

23 jan 2026 às 01:00

Colunista

Acidente de trânsito, batida de carro, colisão
Acidente de trânsito Crédito: Freepik
Nas ruas, nas avenidas, nas rodovias estaduais e federais... em todas as circunscrições de vias no Espírito Santo houve crescimento no número de mortes entre 2023 e 2025, de acordo com o  Departamento Estadual de Trânsito (Detran-ES). O que corrobora a percepção de que o trânsito está cada vez mais violento, e muito pouco tem sido efetivamente feito para colocar um freio nesse absurdo. 
Nem mesmo existe uma indignação concreta e perceptível diante dos fatos, como as 1003 mortes registradas no Estado em 2025, um aumento de 2% em relação a 2024. É o primeiro ano em que passamos das mil mortes desde 2018 (quando foram registrados 742 óbitos no trânsito), fazendo o caminho inverso dos homicídios, que desde 2023 se mantêm abaixo dos mil casos.
Há acidentes que ocorrem pela precariedade da infraestrutura viária, uma cobrança que deve ser feita sempre ao poder público, responsável inclusive pela fiscalização das vias sob concessão privada. Mas é preciso colocar a mão na consciência e admitir que o comportamento dos condutores é o que mais conta: estima-se que mais de 90% dos acidentes sejam provocados por falhas humanas. O que só deveria aumentar a indignação, porque o trânsito é basicamente uma construção das pessoas que estão nele.
É gente demais morrendo por nada.
Consumo de álcool, uso de celular, excesso de velocidade, desatenção e imperícia formam um combo de perigo para quem dirige, para os passageiros e para as pessoas em outros veículos. Para piorar, ainda persiste a negligência com equipamentos de segurança. A Ecovias Capixaba, a concessionária que administra a BR 101 no Estado, divulgou recentemente que 27 mortes em acidentes na rodovia foram de pessoas sem cinto de segurança. 
Como não lamentar mortes que poderiam ser evitadas com atitudes mais racionais? Não se tira a responsabilidade das autoridades de trânsito, que precisam fiscalizar e punir quem não segue as regras, mas sobretudo passou da hora de haver uma mobilização da sociedade pela contenção dessa tragédia. Não há jeito: a violência no trânsito não vai diminuir enquanto as pessoas mudarem as próprias atitudes. Não deveria ser tão difícil assim mudar essa realidade.

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