Publicado em 14 de abril de 2022 às 09:58
Em uma assembleia confusa, o governo sofreu nesta quarta-feira (13) dura derrota no processo de renovação do conselho de administração da Petrobras. Conseguiu incluir seu indicado para comandar a companhia no conselho, mas perdeu mais uma cadeira para os acionistas minoritários.>
Poucas horas antes do encontro, o MME (Ministério de Minas e Energia) decidiu retirar da pauta do dia item que tratava de mudanças no estatuto da companhia com o objetivo de melhorar a governança, o que o mercado interpretou como mais uma tentativa de ingerência na empresa. A retirada ainda não havia sido confirmada até a publicação da reportagem.>
No encontro, o governo tentava aprovar oito conselheiros, incluindo o indicado para presidir a Petrobras, José Mauro Coelho. Com forte mobilização dos minoritários, porém, conseguiu apenas nomear seis - os indicados Carlos Eduardo Lessa Brandão e Eduardo Karrer não tiveram votos suficientes.>
Responsável por aprovar estratégias e nomeações para a diretoria da estatal, o conselho da Petrobras tem 11 cadeiras, uma delas reservada a representante dos empregados da companhia, a engenheira Rosângela Buzanelli. Outras duas são reservadas a minoritários, que nos últimos anos acabaram elegendo três representantes, avançando sobre uma das vagas da União. Em 2021, eles tentaram mais uma cadeira, mas não obtiveram sucesso.>
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Desta vez, a mobilização surtiu efeito, com a eleição de quatro representantes dos minoritários: Francisco Petros, Marcelo Mesquita de Siqueira Filho, Marcelo Gasparino da Silva e João José Abdalla, banqueiro conhecido como Juca Abdalla e um dos líderes do movimento. Os minoritários entendem que um número maior de conselheiros lhes garante um poder maior de fiscalização contra interferências do governo nos negócios da companhia, como o represamento de preços dos combustíveis, por exemplo.>
Do lado do governo, além de Coelho, foram eleitos o novo presidente do conselho, Marcio Weber, Luiz Henrique Carolli, Murilo Marroquim, Ruy Flaks Schneider e Sônia Villalobos. Os três últimos já eram membros do colegiado. A indicação de Coelho para presidir a companhia, porém, ainda depende de reunião do conselho de administração, que deve ser realizada nesta quinta (14), data inicialmente prevista para sua posse.>
A aprovação do conselho conclui um conturbado processo de escolha de nomes pelo governo federal, que recebeu negativas dos dois primeiros indicados aos cargos, Rodolfo Landim e Adriano Pires, diante de questionamentos sobre conflito de interesse.>
A escolha de Coelho pelo acionista controlador foi feita a pouco mais de uma semana da assembleia. Seu nome só foi aprovado pelo comitê da Petrobras que avalia os currículos dos candidatos nesta terça-feira (12). No encontro, os acionistas aprovaram também as demonstrações financeiras da empresa em 2021 e a proposta de remuneração da administração, que separa R$ 13,1 milhões para pagar bônus a diretores da empresa por lucros nos últimos anos.>
A assembleia foi iniciada às 15h, mas não havia sido encerrada até às 23h. Ficou suspensa por horas para contagem dos votos até a descoberta de um erro na transferência para o sistema de votos de detentores de ADRs, segundo a empresa. "Foi um erro do sistema, de cálculo", disse o presidente da assembleia, Francisco Costa e Silva por volta das 21h40, quando o problema foi detectado. "Absolutamente involuntário, sem o intuito de lesar qualquer pessoa ou de proteger quem quer que seja", completou.>
Mais cedo, diante de questionamentos sobre os motivos da demora na contagem dos votos, ele chamou de "ilação irresponsável" afirmação feita por um acionista sobre a possibilidade de o governo estar mexendo com o resultado para evitar a eleição de um representante dos minoritários em vaga destinada à União.>
A pauta previa a aprovação de mudanças no estatuto que reforçariam a estrutura de blindagem da Petrobras contra ingerências em sua gestão, dando mais poder ao conselho de administração sobre a política de responsabilidade social e a nomeação do diretor de Governança. O MME (Ministério de Minas e Energia), porém, tentava adiar a votação, alegando que não avaliou o tema previamente, o que é sua atribuição como ministério supervisor da estatal.>
Segundo a página de transparência da Petrobras, porém, o diretor de Governança da empresa, Salvador Dahan, se reuniu com representantes do ministério no dia 11 de fevereiro para tratar de "estatuto social da Petrobras".>
Em nota, o MME (Ministério de Minas e Energia) diz que os temas "serão abordados em uma próxima oportunidade, pois as matérias deixaram de ser submetidas à apreciação do Ministério supervisor, conforme prevê a Portaria do Ministério da Economia".>
"O MME não pediu para retirar [o item da pauta], apenas não foi seguido o rito", conclui o texto.>
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