Parceria público-privada ativa 360 leitos do SUS para Covid-19 em Campinas

Destinada integralmente ao SUS, a rede precisou se mexer rapidamente com o avanço da pandemia. Pesaram, evidentemente, as limitações associadas ao serviço público.

Publicado em 23/01/2021 às 10h18
Atualizado em 23/01/2021 às 10h19
SUS recebe 1.424 novos leitos de UTI em todo o Brasil
Durante pouco mais de dois meses, a UPA Carlos Lourenço deixou de funcionar como pronto atendimento para servir como unidade de internação, com 28 leitos. Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Tudo o que envolve a rede pública Mário Gatti, em Campinas, revela números superlativos e estruturas de grande porte.

Principal autarquia de saúde da terceira maior cidade do estado de São Paulo, o complexo inclui os hospitais Mário Gatti e Ouro Verde, cada um com cerca de 240 leitos. Também abarca quatro UPAs (unidades de pronto atendimento).

Não se perca nos números: a rede tem em torno de 4.500 funcionários; faz por volta de 3.500 atendimentos de pronto-socorro por mês; realiza cerca de 1.500 cirurgias também mensalmente.

Destinada integralmente ao SUS, essa ampla rede precisou se mexer rapidamente com o avanço da pandemia da Covid-19. Nesse momento, pesaram, evidentemente, as limitações associadas ao serviço público.

Se dependesse apenas das suas próprias pernas, o gigante andaria a passos lentos demais.

“Como grande parte das estruturas públicas do país, temos um orçamento restrito. Seria muito difícil incorporar novos e modernos equipamentos em pouco tempo”, diz o médico Marcos Pimenta, que preside a rede desde 2018.

Como explica o gestor, eles receberam apoio expressivo do governo estadual, que forneceu novos respiradores e permitiu que montassem 55 kits de UTI ainda em fevereiro, quando os números da pandemia começavam a assustar.

O complexo de hospitais e UPAs ganhou ainda reforço significativo da iniciativa privada, fruto especialmente da mobilização da Comunitas, organização sediada em São Paulo e dirigida por Regina Esteves.

Ela liderou a Ações de Enfrentamento à Covid-10 – Governança Público-Privada, uma das 30 iniciativas de destaque do Empreendedor Social do Ano, premiada na categoria Legado Pós-Pandemia.

Uma das frentes de atuação da Comunitas foi a obtenção de recursos entre empresários e pessoas físicas com a meta de equipar hospitais públicos em diversas cidades do país. Esse projeto captou cerca de R$ 26 milhões.

Em maio, a iniciativa destinou à rede de Campinas 20 oxímetros (aparelho que mede a quantidade de oxigênio no sangue) e 10 monitores multiparâmetros. Também entregou cinco videolaringoscópios, equipamento que ajuda profissionais de saúde a intubar pacientes com problemas respiratórios, como ocorre com as vítimas do coronavírus.

“Essas contribuições da Comunitas foram vitais para aprimorar nosso atendimento”, afirma Pimenta, que é enfaticamente favorável a parcerias como essa.

Com ajuda dessas duas esferas, a pública e a privada, a rede Mário Gatti ganhou uma nova configuração ao longo de poucas semanas. Passou a dedicar, ao todo, 360 leitos exclusivamente para a Covid-19, sendo 170 de UTI e 190 de enfermaria.

Durante pouco mais de dois meses, a UPA Carlos Lourenço deixou de funcionar como pronto atendimento para servir como unidade de internação, com 28 leitos. Além disso, com o apoio da organização Expedicionários da Saúde, a rede montou o hospital de campanha de Campinas, que funcionou entre os meses de julho e outubro e atendeu cerca de 600 pacientes com Covid-19.

Pimenta está atento ao que ele trata como um “repique” da pandemia. Para isso, voltou a direcionar para a Covid-19 leitos de UTI nos dois hospitais, Mário Gatti e Ouro Verde, que seriam mobilizados para outras funções.

Por outro lado, o presidente da rede projeta o futuro próximo e avalia o legado das doações feitas pela Comunitas.

Os oxímetros, diz ele, serão muito úteis em casos de coma diabético, por exemplo. “Os videolaringoscópios nos ajudarão nos atendimentos a pacientes com insuficiência respiratória nas nossas ambulâncias”, complementa o médico.

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