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Open banking: entenda o serviço que facilitará crédito e abertura de conta

Banco Central implementa segunda fase nesta sexta-feira (13); clientes poderão permitir acesso de instituições a suas informações bancárias

Tempo de leitura: 5min
Banco Central implementa segunda fase do open banking nesta sexta (13)
Banco Central implementa segunda fase do open banking nesta sexta (13). Crédito: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Um novo sistema financeiro entra em operação nesta sexta-feira (13) para revolucionar a forma em que os consumidores se relacionam com o sistema bancário. A ferramenta open banking, do Banco Central, vai permitir o compartilhamento de dados dos correntistas entre as instituições. E nesse troca-troca, as fintechs vão poder receber informações de potenciais clientes.

O serviço permite aos clientes autorizarem essa movimentação de dados. Assim, o correntista vai poder, inclusive, com quais empresas quer permitir esse intercâmbio.

O objetivo é facilitar o acesso a produtos e serviços bancários mais vantajosos, como empréstimos e cartões de crédito, que poderão ser oferecidos por outras instituições em condições semelhantes ou melhores às concedidas por bancos onde ele já é cliente. A intenção também é permitir que sejam disponibilizados produtos e serviços mais personalizados, além de facilitar a abertura de conta bancária no modelo tradicional e mesmo as digitais.

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open banking

é uma plataforma supervisionada pelo Banco Central que vai permitir que os clientes compartilhem, sob autorização, dados pessoais com bancos e fintechs para receber melhores ofertas de produtos e serviços — como taxas de juros menores para empréstimos, por exemplo.

Esse procedimento será vinculado a uma oferta de produto ou serviço específico, como financiamento, abertura de conta ou cartão de crédito. O tempo máximo do compartilhamento será de um ano. As operações são limitadas entre os bancos autorizados pelo usuário. As instituições serão responsáveis pela segurança desses dados.

O sistema foi elaborado para que seja possível aceitar o compartilhamento de forma intuitiva, para que ao demonstrar interesse na oferta de um banco, o usuário indique as informações que quer compartilhar e seja encaminhado à plataforma da instituição que irá fornecer os dados.

ETAPAS DO OPEN BANKING

O open banking vai ser estabelecido gradualmente e com consentimento dos usuários, que vão poder escolher quais dados, por quanto tempo e entre quais instituições compartilhar. A partir desta sexta-feira (13) poderão ser compartilhadas as informações de cadastro, que incluem os dados pessoais, o endereço e a renda.

  • A partir desta sexta-feira (13) - poderão ser compartilhadas as informações de cadastro, que incluem os dados pessoais, o endereço e a renda.
  • A partir do dia 30 de agosto - será possível fazer pagamentos pelo Pix usando o open banking, o que vai permitir que essas transações sejam feitas pelos chamados iniciadores de pagamento, que podem ser aplicativos de compras ou até de mensagens.
  • A partir do dia 13 de setembro - poderão ser autorizadas as trocas de informações sobre contas e movimentação financeira.
  • Depois do dia 27 de setembro - os usuários vão poder disponibilizar os dados sobre operações de crédito e cartões de crédito.

De acordo com a regulamentação estabelecida pelo Banco Central, é obrigatória a participação no open banking de todas as grandes e médias instituições financeiras do país.

Pix do Banco Central vai permitir saques em lojas
Pix do Banco Central foi serviço que começou a operar antes do open banking e que ganhará novas funções. Crédito: Marcello Casal/Agência Brasil

DIRETOR DO BANCO CENTRAL DIZ QUE OPEN BANKING É SEGURO

O diretor de Regulação do Banco Central, Otavio Ribeiro Damaso, disse nesta sexta-feira, 13, que o Open Banking é "completamente seguro". "O cliente de produtos de serviços financeiros é que vai autorizar o compartilhamento de suas informações, por quando tempo elas poderão ser compartilhadas e quando essas informações deixarão e ser compartilhadas", afirmou, em evento de lançamento da Fase 2 do Open Banking, com o início do compartilhamento de dados cadastrais e transacionais

Ele lembrou que apenas as instituições reguladas, autorizadas e supervisionadas pelo BC participam do Open Banking. "Essas instituições são obrigadas a seguir todas as regras que regem o Sistema Financeiro nacional, inclusive a lei de sigilo bancário. O Open Banking foi feito seguindo os melhores padrões de segurança da informação", completou Damaso.

TIRE ALGUMAS DÚVIDAS

ENTENDA MELHOR O OPEN BANKING

Embora os efeitos não sejam instantâneos, a expectativa do Banco Central é de que o novo sistema mude a forma como o brasileiro compra imóveis, adquire planos de previdência e investe seu dinheiro. Em entrevista à Agência Estado, o diretor de Regulação do BC, Otavio Ribeiro Damaso, projeta maior facilidade de acesso ao crédito imobiliário com o open banking. Além disso, a partir da quarta fase, quando o sistema se transformará no open finance, Damaso espera que haja redução de custos para quem acessa fundos de investimento e planos de previdência privada.

O QUE É O NOVO SISTEMA?

O open banking tem algumas características. A primeira delas é a questão de ser uma iniciativa que, de fato, coloca o cidadão no centro das decisões em relação a seus dados financeiros. O segundo ponto é a padronização das informações. Hoje, há fintechs (startups do setor financeiro) que buscam informações em diferentes instituições para ofertar serviços, mas o acesso é difícil. As instituições nem sempre permitem, e os dados não chegam padronizados. Isso vai mudar no open banking. O terceiro aspecto é que os dados vão fluir de forma digital. Assim, o que o Banco Central está fazendo é criar uma plataforma para que o próprio mercado possa se desenvolver.

O QUE MUDA NA PRÁTICA NESTE DIA 13 DE AGOSTO?

A partir do dia 13 de agosto, muitas coisas começarão a funcionar, mas não necessariamente o mundo vai mudar no dia 14. As instituições vão começar a desenvolver os produtos com as funcionalidades que estarão prontas. É como se no dia 13 de agosto a internet estivesse pronta, mas as empresas ainda estariam desenvolvendo produtos para utilizar na plataforma. O desenvolvimento já começou, na primeira fase. No caso de alguém que utilize cheque especial, por exemplo, em determinado banco, uma segunda instituição poderá oferecer crédito rotativo, mais barato e em volume maior, quando necessário. A cobertura do saldo poderá ser automática.

COMO FUNCIONARÁ A DISPUTA POR CRÉDITO MAIS BARATO?

Um exemplo é o no financiamento imobiliário, dados o volume envolvido e o prazo. O cliente está disposto a procurar o crédito em outras instituições. No open banking, vai aparecer no meio do caminho uma fintech que buscará em todas as instituições financeiras as informações sobre a oferta de crédito imobiliário e reunirá isso para o cliente. Assim, quando ele entrar na plataforma, terá a informação de que no banco A o crédito está saindo a 5% ao ano, no banco B, a 4,8% ao ano, e no banco C, a 5,2% ao ano. Isso vai ser feito quase instantaneamente. E o cliente vai escolher a instituição com a melhor oferta.

FORNECER OS DADOS SERÁ SEGURO?

Tudo o que o Banco Central faz é com o maior nível de segurança possível. A segurança é, inclusive, o pilar de uma instituição financeira. Você só aceita depositar seu salário em um banco porque tem segurança da solidez da instituição. Assim, a segurança do open banking é igual à de todos os outros sistemas do sistema financeiro.

Hoje temos o problema das financeiras, que muitas vezes fazem ofertas excessivas de produtos a determinados públicos. Isso é uma preocupação no open banking?

No open banking, o cliente é que autoriza o uso das informações. Se ele autorizou uma instituição a ter acesso a seus dados, isso pode ser para um fim específico ou para algo mais amplo. Ele vai poder cancelar a qualquer momento a autorização.

Com informações da Agência Brasil e Estado.

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