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Novo problema deixa parte da frota do Boeing 737 MAX no chão

Novo problema deixa parte da frota do Boeing 737 MAX no chão

O modelo, best-seller da história da empresa, é o mesmo que ficou 20 meses parado devido a dois acidentes fatais em 2018 e 2019

Publicado em 9 de abril de 2021 às 14:55- Atualizado há 3 anos

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Boeing 737 MAX
Boeing 737 MAX. (Divulgação / Boeing)

A fabricante norte-americana Boeing informou nesta sexta (9) que será preciso deixar no chão parte da frota mundial de seus aviões 737 MAX para a checagem de um eventual problema elétrico.

O modelo, best-seller da história da empresa, é o mesmo que ficou 20 meses parado devido a dois acidentes fatais em 2018 e 2019. Suas operações foram retomadas em novembro do ano passado nos EUA e em países como o Brasil.

No Brasil, apenas 1 dos 8 MAX operados pela Gol terá de ser vistoriado, segundo informou a empresa. Há cerca de 90 outros encomendados.

A Boeing não informou quais empresas aéreas ou quantos aviões foram afetados, apenas dizendo que são 16 as companhias que precisarão fazer a verificação.

O problema agora não tem nada a ver com os defeitos de desenho e de software que levaram à proibição de voo do avião. Agora, a questão é verificar se o avião tem espaço adequado de aterramento de um componente do sistema elétrico da aeronave —se não, há risco de sobrecargas e panes que, presume-se pela necessidade de parar de voar, sejam perigosas.

Ainda não há uma AD (diretiva de aeronavegabilidade, na sigla inglesa) da FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) orientando empresas sobre o problema. "Estamos trabalhando em estreita colaboração com a FAA nesta questão", disse a Boeing em nota.

Segundo a empresa americana Southwest informou em comunicado, 30 dos 58 MAX de sua frota serão afetados, mas ela prevê um mínimo de problemas de sua malha aérea porque a questão é tecnicamente simples de ser resolvida.

O defeito é o mais novo capítulo da atribulada história do MAX, o avião com mais encomendas da empresa americana: 5.049 unidades.

Elas começaram a ganhar os céus em 2017, mas em 2018 e 2019 dois acidentes mataram 346 pessoas com as mesmas características, uma perda súbita de controle da aeronave, que mergulhou rumo ao solo.

A partir daí, foi feita uma intensa investigação que levou à paralisação da produção do avião e ao cancelamento de algumas encomendas. Ao todo, há 453 MAX entregues no mundo.

O processo descobriu que um sistema automático de correção do ângulo de voo do avião, por um defeito de software, era acionado indevidamente durante movimentos de subida. Ele forçava então o nariz da aeronave para baixo.

O sistema foi implantado no MAX porque o avião aproveitava o desenho da geração anterior do 737, o NG. Historicamente, a Boeing sempre evoluiu o modelo a partir de seu antecessor, acelerando a produção e reduzindo custos —com mais de 10.500 unidades vendidas desde 1967, é a aeronave comercial mais bem sucedida do mundo.

Só que o novo modelo tem turbinas maiores e colocadas mais à frente da asa, o que mudou seu centro de gravidade e obrigou a instalação do sistema de correção de ângulo de voo.

Na apuração, ficou estabelecido que o treinamento de qualificação de pilotos fora insuficiente para lidar com o sistema também, e trocas de e-mails reveladas apontaram diversas falhas e acobertamentos internos da empresa sobre os problemas de produção do MAX.

Foi instalada a maior crise na história da Boeing, que divide a liderança do mercado de aviação comercial do mundo com a europeia Airbus. A turbulência derrubou a diretoria da empresa e fez mais de 30 mil funcionários perderem o emprego, gerando estimados US$ 20 bilhões de perdas específicas.

Para piorar, a pandemia da Covid-19 estraçalhou o setor aéreo em 2020, com queda de 65,9% do tráfego de passageiros no mundo —com efeitos em cascata nas encomendas de aviões. A Boeing teve prejuízo de US$ 12 bilhões no ano passado.

Houve outros impactos. Com a crise, a empresa cancelou a compra da área de aviação comercial da brasileira Embraer, após um processo de destrinchamento da fabricante paulista ao longo de 2019.

O divórcio não amigável está agora numa corte de arbitragem nos EUA, onde os brasileiros querem reparação pelo impacto do fim do negócio em suas contas - o prejuízo registrado no ano passado foi de R$ 3,6 bilhões, parte disso creditado ao episódio.

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