Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 12:20
BRASÍLIA - O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse à Polícia Federal que, antes da liquidação, o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa, o que seria anormal para uma instituição financeira de médio porte.>
"Um banco de R$ 80 bilhões de ativos totais tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi em títulos livres. O Master, antes da liquidação, tinha só R$ 4 milhões em caixa", afirmou Aquino, em depoimento prestado em 30 de dezembro.>
Os vídeos dos depoimentos de Aquino e dos banqueiros Daniel Vorcaro, do Master, e Paulo Henrique Costa, do BRB (Banco de Brasília), foram tornados públicos na quinta-feira por decisão do ministro Dias Toffoli, relator da investigação no STF.>
À delegada Janaína Palazzo, que conduziu a audiência, Aquino destacou que a crise de liquidez do Master era "muito clara" e que o banco não tinha ativos para fazer face às suas obrigações, o que gerou um processo administrativo sancionatório que ainda está em curso.>
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De acordo com ele, o Master "não estava conseguindo cumprir o compulsório" — parcela de recursos dos clientes, captados em depósitos à vista, a prazo ou poupança, que o banco precisa obrigatoriamente deixar retida no BC.>
"A pergunta central é como alguém que não tinha liquidez poderia gerar tanto crédito, nesta magnitude, para ceder ao BRB. Essa é uma pergunta, do ponto de vista do mercado financeiro, de lógica", diz Aquino à PF. Segundo o diretor do BC, isso "levantou um alerta" de que era necessário "aprofundar os trabalhos".>
Em outro ponto do depoimento, Aquino afirmou que a reserva de recursos a ser feita pelo BRB para cobrir as perdas com o Master "será de elevada monta" e pode se aproximar dos R$ 5 bilhões. Até o momento, há R$ 2,6 bilhões mapeados.>
Aquino também negou ter sofrido qualquer interferência política no processo: "Como diretor de fiscalização, eu não conheço, não recebi nenhuma pressão em termos de liquidar de autoridades da República. Não tenho conhecimento.">
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