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Economia

Movimento que provoca recordes na Bolsa pode beneficiar ainda mais o Brasil e o ES

Realocação de dinheiro no mundo  pode se aprofundar e chegar aos chamados ativos reais (imóveis, infraestrutura, recursos naturais e commodities). É uma janela interessante que se abre

Publicado em 30 de Janeiro de 2026 às 03:00

Públicado em 

30 jan 2026 às 03:00
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho Abdo Filho
Embarque de minério no navio do tipo Valemax
Embarque de minério no navio do tipo Valemax, da Vale, no Porto de Tubarão Crédito: Leticia Orlandi

Os últimos dias têm sido de recordes sucessivos na Bolsa de Valores de São Paulo, dólar tendo quedas em sequência, ouro supervalorizado... Um movimento que parece distante, fechado aos grandes círculos do mercado financeiro, mas pode não ser bem assim. É claro que tudo é muito recente e que, por isso, é recomendada a parcimônia, mas este movimento dos investidores globais rumo a mercados emergentes, caso do Brasil, que é o que tem provocado este boom do mercado acionário e a queda do dólar, pode se aprofundar e chegar aos chamados ativos reais (imóveis, infraestrutura, recursos naturais e commodities). Quem estiver atento e, principalmente, organizado, tem tudo para se dar bem.

"Existe um medo no mercado. Os investidores estão indo muito forte para ativos reais, veja o ouro batendo recordes, e, uma parte, para mercados emergentes. Por isso entrou tanto dinheiro de investidor estrangeiro no Brasil. É uma baita oportunidade de o Brasil fazer o dever de casa, principalmente do lado fiscal. A nossa economia pode voar", analisa Rafael Furlanetti, sócio da XP e colunista de A Gazeta.

O dinheiro que começou (o movimento, apesar do barulho, ainda é inicial, bom sempre frisar) a irrigar os mercados emergentes está vindo dos Estados Unidos, a maior economia do mundo. A grandeza econômica norte-americana explica o impacto sentido nos últimos dias. O Produto Interno Bruto dos EUA, em 2024, era de US$ 29,1 trilhões. Para efeito de comparação, o do Brasil, no mesmo ano, ficou em US$ 2,3 trilhões. Qualquer movimento por lá gera uma onda por aqui. As crises geopolíticas em sequência envolvendo o país e uma certa dose de insegurança institucional (destacadamente depois que o Departamento de Justiça abriu investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, alvo constante de críticas de Donald Trump, que reclama dos juros norte-americanos) explicam o medo e o consequente movimento de realocação de dinheiro.

O Brasil, por ser uma das maiores economias do mundo emergente e por estar com ativos baratos (tanto o real como o mercado acionário), tem atraído boa parte deste recurso. Janeiro ainda nem acabou e já entraram mais de R$ 20 bilhões. Por ora, o impacto se dá nos ativos financeiros, mas pode chegar aos ativos reais, afinal, os investidores sempre estão atrás de oportunidades. Boa parte dos economistas e analistas acreditam que os Estados Unidos seguirão nesta toada pelo menos enquanto Trump estiver na Casa Branca (o mandato atual acaba em janeiro de 2029). É uma janela que se abre...

Algumas das vantagens competitivas do Brasil: apesar do momento de conturbado, o país mantém, historicamente, boas relações com o mundo todo; enorme mercado consumidor; agronegócio pujante; bilhões de reais em oportunidades de investimento em infraestrutura; grande produtor de energia limpa e muito potencial de expansão; forte na produção de insumos relevantes para o planeta, como petróleo e minério ferro; e detentor de uma das maiores reservas de minerais raros do mundo. O Espírito Santo, um dos estados mais organizados do país (além de boa localização, sede de grandes empresas multinacionais, histórico de abertura ao mercado externo e estabilidade institucional), pode surfar ainda melhor esta boa onda.

Claro, nem tudo são flores. A janela se abre bem no começo de um ano de eleições gerais, o que sempre, a depender das decisões e da boca dos políticos, pode impactar o humor dos donos do dinheiro. É preciso encarar com seriedade a faca e o queijo que estão vindo para as nossas mãos.

Abdo Filho

Abdo Filho Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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