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Transição energética: ES vai precisar de R$ 5 bi e governador convoca empresários

O primeiro bilhão virá do Fundo de Descarbonização, uma parceria do governo estadual com o BTG Pactual, que começou a funcionar oficialmente nesta terça-feira (27)

Vitória
Publicado em 28/01/2026 às 03h00
Indústria
Crédito: Carlos Alberto

Pelas contas do governo do Estado, o Espírito Santo vai precisar de investimentos da ordem de R$ 5 bilhões para conseguir reduzir em 27%, até 2030, a emissão de gases de efeito estufa. O primeiro bilhão virá do Fundo de Descarbonização, uma parceria do governo estadual com o BTG Pactual, que começou a funcionar oficialmente nesta terça-feira (27), mas está longe de ser o suficiente.

Diferente da média nacional, a emissão de gases de efeito estufa, no Espírito Santo, tem muito a ver com a produção industrial. Por aqui, a produção de energia e a indústria respondem pela maior parte das emissões. No Brasil, o agronegócio e a mudança do uso da terra respondem pela maior parte. A diferença principal é que fazer a transição no Estado é mais difícil e mais caro.

"O Fundo Soberano do Espírito Santo, que é abastecido com recursos dos royalties do petróleo, colocou R$ 500 milhões no Fundo de Descarbonização. O BTG, que está assumindo a gestão, entrou com uma partida de R$ 400 milhões. Calculamos que outros R$ 100 milhões virão das empresas que terão os seus projetos financiados pelo Fundo de Descarbonização. É um começo, mas precisa ir mais, as empresas do Estado, e temos algumas das grandes empresas do Brasil aqui dentro, precisam contribuir. Já apresentamos o projeto para algumas, mas até agora nada. Além de ser o correto, é um bom negócio", disse o governador Renato Casagrande. "Estou no meu último ano de governo, mas a diretriz atual é que o Fundo Soberano siga aportando recursos no Fundo de Descarbonização ao longo dos próximos anos".

A diretora do Instituto Clima e Sociedade, Maria Netto Schneider, que ajudou na estruturação da parceria entre o governo capixaba e BTG, fez coro. "O Espírito Santo abriga relevantes empresas de mineração, siderurgia, celulose e petróleo e gás. Este fundo pode ajudar, por exemplo, na limpeza da matriz de seus fornecedores. Estamos falando de geração de energia, eficiência energética, boa práticas agrícolas, gestão de resíduos e transporte com baixa emissão. Essas gigantes devem observar isso, seria muito importante".  

Marcelo Fiorellini, CEO do BTG Pactual Asset Management, que será responsável pela operação do Fundo de Descarbonização, destacou a mistura de recursos públicos com dinheiro privado. "Além de dar mais força para o fundo, o que é fundamental em se tratando de financiar a transição energética, esse blend vai permitir que tenhamos uma boa governança com condições de pagamento muito acessíveis. É algo bastante inovador e sofisticado. Vamos sair do discurso e partir para a prática, com bastante pragmatismo".

Nada ainda está fechado, mas a ideia é que os juros fiquem bem perto da Selic, hoje em 15% ao ano, e que o prazo de pagamento chegue a dez anos. As definições serão caso a caso. 

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