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O que se sabe até agora sobre crise do Banco Master e o que falta descobrir

O que se sabe até agora sobre crise do Banco Master e o que falta descobrir

Investigações, rombo bilionário e conexões políticas cercam a quebra do banco e ampliam o clima de expectativa em Brasília.

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 09:11

Imagem BBC Brasil
null Crédito: Bloomberg via Getty Images

A Polícia Federal deve retomar nesta terça-feira (27/1) uma série de depoimentos de executivos e dirigentes do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, como parte da operação Compliance Zero, uma investigação sobre supostas fraudes na tentativa de venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB).

As suspeitas iniciais são de que o Master, controlado por Vorcaro, teria tentado vender R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito falsas ao banco público.

Até agora, as investigações conduzidas pela PF e por órgãos de controle como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam para um esquema de fraudes financeiras bilionárias supostamente liderado por Vorcaro.

Em nota divulgada na semana passada, sua defesa sustentou que Vorcaro é inocente.

"Daniel Vorcaro reafirma sua inocência, segue exercendo plenamente seu direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no esclarecimento dos fatos por meio dos instrumentos regulares do devido processo legal", diz um trecho da nota.

O banqueiro e pessoas ligadas a ele como seu cunhado, Fabiano Zettel, já foram presos (e depois liberados) no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga o caso.

A quebra do Master atingiu mais de 1,6 milhão de clientes e pode levar a um rombo de mais de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma associação privada formada por bancos para garantir o pagamento do reembolso por alguns investimentos em caso de quebra da instituição financeira.

Mas a investigação sobre o caso Master não chama atenção apenas pelo aspecto econômico. Vorcaro era conhecido pelo trânsito que mantinha tanto no ambiente político quanto jurídico do país. Por isso, as revelações que podem surgir com o avanço das investigações vêm causando expectativa em Brasília.

Em meio a toda essa movimentação, o que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o caso envolvendo o Banco Master?

Por que o Banco Central liquidou o Banco Master?

O Banco Master e outras quatro empresas do conglomerado comandado por Daniel Vorcaro foram liquidados extrajudicialmente pelo Banco Central no dia 18 de novembro de 2025. No mesmo dia, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, quando tentava embarcar em um jatinho para os Emirados Árabes Unidos.

Segundo nota oficial divulgada pelo Banco Central naquele mesmo dia, as empresas do conglomerado comandado por Vorcaro foram liquidadas por três motivos principais:

  1. crise de liquidez;
  2. violações de normas que regulam o Sistema Financeiro Nacional e;
  3. comprometimento da situação financeira das empresas.

A crise de liquidez do grupo empresarial de Vorcaro era um dos pontos que vinha chamando atenção de autoridades monetárias e analistas do mercado financeiro há mais de um ano.

Segundo documentos do caso envolvendo Vorcaro aos quais a BBC News Brasil teve acesso, o Banco Master expandiu suas operações entre 2019 e 2024 com base em um modelo de emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) pagando taxas de retorno aos seus investidores acima do que normalmente eram praticadas no mercado.

Os CDBs são ativos financeiros negociados por bancos ou corretoras de valores e que podem ser adquiridos tanto por pessoas físicas quanto por empresas. As taxas acima do mercado serviam para atrair mais clientes e para ampliar o volume de recursos entrando no banco. Por outro lado, o Master se viu obrigado a pagar taxas altas por esses recursos.

Imagem BBC Brasil
A garantia do FGC é usada como marketing pelas plataformas de investimento para estimular aportes em títulos muitas vezes arriscados, mas de alto retorno — como os CDBs do Banco Master Crédito: Getty Images

A estratégia de crescimento do Master, de acordo com um relatório do Banco Central, passou a enfrentar dificuldades depois que o Banco Master começou a ter problemas para captar recursos com os quais ele deveria pagar os juros dos CDBs que ele emitia.

Para reverter essa situação, ele passou a vender parte dos seus ativos, entre eles, carteiras de crédito consignado, que são empréstimos feitos normalmente a funcionários públicos cujas parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento.

"As cessões de carteiras foram intensificadas a partir de novembro de 2024, quando ocorreu agravamento do risco de liquidez, pois o Master passou a não conseguir rolar a totalidade dos vencimentos das captações", diz um trecho do relatório.

Em seu depoimento à Polícia Federal, Vorcaro reconheceu que o Banco Master enfrentou, sim, problemas de liquidez.

"Existia uma crise, não era de hoje, mas o Banco Master sempre foi solvente, sempre teve muito mais ativo que passivo e sempre honrou todos os compromissos até o dia 17 de novembro", disse Vorcaro à PF.

Ainda de acordo com o executivo, o modelo de negócio do Banco Master era baseado no funcionamento do FGC. O fundo garante o reembolso de até R$ 250 mil por investidor (pessoa física ou jurídica) por grupo econômico em caso de liquidação da instituição financeira.

"O plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo", afirmou.

Por que o Will Bank também foi liquidado?

O Will Bank foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no dia 21 de janeiro deste ano. O banco era uma das empresas do conglomerado comandado por Daniel Vorcaro.

Na nota divulgada pelo BC sobre o episódio, o órgão disse que a liquidação da Will Financeira (nome oficial do Will Bank) ocorreu depois que a instituição passou a descumprir seus pagamentos à plataforma de cartões de crédito Mastercard.

"Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial", diz a nota divulgada pelo BC.

Na semana em que a liquidação foi efetuada, clientes do Will Bank relataram que seus cartões do banco com a bandeira Mastercard não estavam funcionando.

A nota do BC também disse que o Will Bank não foi liquidado em novembro de 2025, junto com outras empresas do conglomerado do Banco Master, porque o órgão procurou uma "solução que preservasse o funcionamento" da empresa.

O Will Bank foi comprado pelo Banco Master em fevereiro de 2024. A aquisição fez parte da estratégia de ampliação da base de clientes do banco de Vorcaro. Na época, o Will Bank tinha uma base de aproximadamente 6 milhões de clientes e com forte presença na região Nordeste, o que levou o total de clientes atendidos pelo conglomerado de Vorcaro para 10,5 milhões.

Assim como no caso do Banco Master, o BC também decretou a indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores do Will Bank.

Qual o tamanho do prejuízo e quem vai pagar?

Ainda não há uma estimativa oficial sobre o tamanho do prejuízo causado pela liquidação das empresas ligadas a Daniel Vorcaro.

Isso se deve, em parte, à complexidade das operações realizadas pelo grupo.

Mas as estimativas preliminares apontam que, apenas com clientes diretos dos bancos Master, Letsbank e Will Bank, o prejuízo possa chegar a R$ 47 bilhões. Esse valor é referente ao que será desembolsado pelo FGC aos clientes dos bancos.

Se o valor for confirmado, será o maior caso de quebra de uma instituição financeira brasileira com impacto sobre o FGC, criado em 1995.

Desse total, R$ 39 bilhões deverão ser pagos pelo FGC a clientes do Master e Letsbank e R$ 6,7 bilhões aos clientes do Will Bank.

Pelas regras do fundo, têm direito a ressarcimento os clientes que mantinham depósitos ou investimentos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ nessas instituições.

De acordo com nota divulgada pelo FGC na sexta-feira (23/1), o fundo já havia pago R$ 26 bilhões em garantias a credores do conglomerado Master (exceto os do Will Bank).

O rombo causado pela quebra do FGC será coberto pelas contribuições feitas por todos os bancos associados ao fundo. Então, o prejuízo será pago, em parte, tanto por instituições financeiras privadas quanto pelos cofres públicos.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dois dos maiores bancos públicos do Brasil, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, são responsáveis por aportes ao fundo.

"O FGC, que todo mundo considera fundo privado, é capitalizado também por dois bancos públicos. Banco do Brasil e Caixa respondem por um terço da capitalização do FGC. É um assunto de interesse público por várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos", disse Haddad no dia 13 de janeiro a jornalistas.

O prejuízo aos cofres públicos, no entanto, pode ser ainda maior à medida que a Polícia Federal investiga investimentos feitos por fundos de previdência vinculados a governos estaduais e municipais em títulos emitidos pelo Banco Master.

Na sexta-feira (23/1), a Polícia Federal deflagrou a operação Barco de Papel, que investiga investimentos feitos pela Rioprevidência, instituição que administra o pagamento de pensões a aposentados e pensionistas do governo do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, a Rioprevidência investiu R$ 970 milhões em títulos emitidos pelo Banco Master entre novembro de 2023 e julho de 2024.

Em tese, esses investimentos deveriam gerar rendimentos à Rioprevidência no longo prazo para ajudar o fundo a pagar pensões e aposentadorias de servidores fluminenses.

Essas operações, no entanto, não são cobertas pelo FGC e um eventual prejuízo, segundo o Ministério da Previdência, precisará ser pago pelas instituições e pelos governos municipais e estaduais responsáveis.

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Itaú, Banco do Brasil e Bradesco estão entre os maiores bancos do país e são os principais contribuintes do FGC Crédito: Getty Images/Agência Brasil

A PF quer apurar, agora, se houve irregularidades na escolha dos investimentos pela Rioprevidência.

Na semana passada, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), exonerou o então diretor-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, um dos alvos da operação.

Em nota publicada quando o Banco Master foi liquidado, a Rioprevidência disse que o pagamento aos seus beneficiários está garantido e que "à época das aplicações, o Banco Master S.A detinha autorização de funcionamento emitida pelo Banco Central do Brasil".

Para a economista e professora da Fundação Getúlio Vargas, Carla Beni, o caso dos fundos de previdência inspira preocupação.

"Esse é um caso sério pois, como não há garantia do FGC, acredito que haverá judicialização porque alguém precisa ser responsabilizado pelos investimentos de recursos de servidores públicos nesse tipo de ativo", diz a economista à BBC News Brasil.

O caso do Banco Master é um fato isolado ou existe um problema sistêmico?

A quebra do Banco Master e as investigações sobre como a instituição cresceu aceleradamente nos últimos anos geraram dúvidas entre investidores sobre se o que aconteceu com o Master foi um caso isolado ou se há um problema sistêmico no ambiente financeiro brasileiro.

De acordo com uma ata do Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central divulgada no dia 26 de novembro de 2025, à qual a BBC News Brasil teve acesso, o cenário não indica um risco ampliado sobre o sistema financeiro nacional, em parte, por conta do porte do banco, considerado pequeno.

De acordo com o Banco Central, o conglomerado liderado pelo Banco Master era responsável por 0,57% do ativo total e por 0,55% de todas as captações de recursos do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

"A liquidação extrajudicial de instituições do Conglomerado Master não traz risco sistêmico (...) Trata-se de conglomerado prudencial bancário, classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S.A", diz um trecho da nota.

O segmento S3, citado pela nota, se refere às instituições financeiras com porte entre 0,1 e 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Carla Beni, da FGV, também descarta um risco de "contaminação" causado pela quebra do Master.

"Risco sistêmico, que é o risco de quebra em cadeia dos bancos, não existe neste caso. Vivemos uma situação específica. Há uma crítica até válida sobre se o Banco Central demorou para liquidar o Master, mas temos um nível bom de regulação e o sistema financeiro nacional está bastante sólido", afirma.

Segundo a economista, ainda que o risco de "contágio" seja descartado entre os bancos brasileiros, ela disse que é preciso que as autoridades financeiras apertem a fiscalização sobre as chamadas fintechs, empresas de menor porte em comparação aos bancos e que usam tecnologia para inovar o mercado.

Qual a ligação entre o caso Master e o ministro Dias Toffoli?

A ligação entre o caso do Banco Master e o ministro do STF, Dias Toffoli, começou oficialmente no dia 1º de dezembro de 2025, quando ele assumiu a relatoria de um recurso dos advogados de Daniel Vorcaro pedindo que as investigações da Operação Compliance Zero fossem remetidas para o Supremo, após a PF ter identificado indícios de transações comerciais entre Vorcaro e o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).

Toffoli atendeu ao pedido da defesa do banqueiro e o caso passou a tramitar no Supremo, sob sua supervisão. Logo após essa decisão, Toffoli impôs sigilo sobre a tramitação do caso.

As polêmicas envolvendo a atuação do ministro se ampliaram poucos dias depois, no dia 7 de dezembro, depois que o jornal O Globo revelou que o ministro viajou em um jatinho privado para Lima na companhia do advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende o executivo do Banco Master Luiz Antônio Bull. À época, Bull já havia sido alvo da Operação Compliance Zero.

Uma semana depois, Toffoli deu mais uma decisão favorável à defesa de Vorcaro. No dia 12 de dezembro, ele determinou que os dados das quebras de sigilo bancário e fiscal de Vorcaro, determinadas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, fossem retirados da comissão e encaminhadas para a Presidência do Senado.

Na prática, a decisão limitou a quantidade de parlamentares com acesso aos dados. Toffoli também determinou a acareação entre executivos do Banco Master e o diretor de fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino Santos. A decisão causou surpresa junto à cúpula do BC uma vez que levantou suspeitas sobre a conduta do órgão que determinou a liquidação do Master.

No início de janeiro, porém, a pressão sobre a condução de Toffoli sobre o caso aumentou depois que veículos como o jornal Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e Metrópoles revelaram que irmãos de Toffoli teriam vendido ações de um resort no interior do Paraná em uma transação milionária com um fundo de investimento ligado à gestora Reag.

No dia 15 de janeiro, a Reag, que agora se chama CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, foi liquidada pelo Banco Central em meio a investigações conduzidas pela Polícia Federal que apuram as suspeitas de que a empresa teria cometido fraudes financeiras junto com o Banco Master.

Segundo as investigações, a gestora é suspeita de usar seus fundos para praticar fraudes financeiras em benefício do grupo Master. Entre as supostas fraudes estão movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e minimizar riscos com indícios de lavagem de dinheiro.

À época da liquidação, a Reag não se manifestou. Em seu site, no entanto, a empresa mantém uma nota na qual afirma que "vem a público repudiar alegações publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos".

Em 2021, uma fatia da sociedade foi vendida a um fundo de investimentos que, segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, tinha como dono o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Em resposta à reportagem, ele confirmou que foi cotista do fundo, dizendo ter deixado o investimento em 2022 e destacando que ele foi liquidado em 2025.

Vorcaro e Zettel foram presos durante a Operação Compliance Zero. Ambos, porém, já deixaram a prisão.

A defesa de Vorcaro tem afirmado que ele tem "colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes" e que "todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência".

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Dias Toffoli viajou em avião particular junto com advogado do Banco Master Crédito: AFP via Getty Images

A empresa dos irmãos de Toffoli, que não tem mais participação na gestão do resort desde 2025, tem o endereço registrado em uma casa em Marília, em São Paulo, ainda de acordo com o jornal.

Uma publicação do portal Metrópoles apontou que, desde dezembro de 2022, Toffoli passou 168 dias no resort.

Desde que os vínculos da família Toffoli com o resort Tayayá foram revelados, o ministro não se manifestou publicamente sobre o assunto.

As revelações fizeram com que políticos pedissem a saída de Toffoli da relatoria do caso, mas, na semana passada, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, arquivou três pedidos feitos por parlamentares da oposição que pediram o afastamento de Toffoli do processo.

Apesar disso, lideranças da direita como a senadora Damares Alves (PL-DF) articulam a coleta de assinaturas para pedir o impeachment de Toffoli assim que o Parlamento voltar do recesso, na semana que vem.

Houve influência de políticos em favor do Banco Master?

Os documentos públicos divulgados até o momento não permitem dizer se houve ou não influência política em favor do Banco Master.

Em Brasília, a expectativa é de que os dados extraídos de telefones celulares e computadores apreendidos durante as duas fases da Operação Compliance Zero ajudem a revelar se Vorcaro contou ou não com a ajuda de políticos para realizar seus negócios.

Este ponto, aliás, entrou na mira da Polícia Federal e de parlamentares que articulam um pedido para instauração de uma CPI sobre o Banco Master. A pressão para abertura de uma CPI deverá aumentar na semana que vem, na volta do recesso parlamentar.

Em seu depoimento à Polícia Federal, Vorcaro disse ter conversado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a tentativa de venda do Master para o banco público BRB, do governo do Distrito Federal.

"Já foi à minha casa, se não me engano, uma vez. Eu já fui à casa dele, e a gente se encontrou poucas vezes. Conversas institucionais, todas na presença também", disse.

Ibaneis, por sua vez, negou, ao portal UOL, ter conversado sobre a transação com Vorcaro.

"Eu nunca tratei com ele (Vorcaro) sobre a operação BRB-Master. Todas as tratativas foram feitas pelo Paulo Henrique (Costa, então presidente do BRB)", disse ao portal.

Veículos de imprensa também revelaram que Vorcaro manteve reuniões com outros políticos, inclusive com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Vorcaro teve um encontro fora da agenda oficial com Lula em dezembro de 2024.

De acordo com o jornalista, o encontro teria sido intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que estaria atuando como consultor do Banco Master à época.

No depoimento dado por Vorcaro à Polícia Federal, o banqueiro negou que tivesse contado com a influência de políticos em suas transações.

"Eu queria só dizer o seguinte: se eu tenho tantas relações políticas, como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, eu não estaria aqui de tornozeleira, eu não teria sido preso e estava com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo", disse o empresário.

A menção ao Banco de Brasília (BRB) é por conta da tentativa feita pelo banco vinculado ao governo do Distrito Federal de comprar parte das operações do Banco Master, em 2025. A PF investiga se o Master repassou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas ao BRB.

Outro político com proximidade a Vorcaro é o ex-presidente Michel Temer (MDB).

Temer, que é advogado de formação, foi contratado em setembro de 2025 como mediador para destravar a negociação de venda do banco para o BRB, depois que o Banco Central barrou o acordo original.

"Me chamaram duas semanas atrás a Brasília, quando ainda se achavam interessados na formalização da transação (com o BRB). Estava também o Daniel Vorcaro, e o Ibaneis (Rocha, governador do DF) disse que queria que eu fizesse uma mediação", contou Temer no programa Roda Viva, da TV Cultura, em 15 de setembro.

Outras possíveis relações políticas de Vorcaro são com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

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Caso do Banco Master está tendo grandes repercussões no sistema financeiro e também no mundo político brasileiro Crédito: Reuters

O empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e um dos alvos da operação Compliance Zero, foi o maior doador pessoa física das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio, nas eleições de 2022.

Casado com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro, ele transferiu R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a do governador de São Paulo.

Zettel é fundador e CEO da Moriah Asset, uma gestora de private equity — modalidade de investimento que compra participações em empresas que não estão na bolsa. Em 2022, ele foi o sexto maior doador pessoa física do país.

Pela legislação eleitoral, indivíduos podem doar até 10% da renda bruta do ano anterior à eleição.

A assessoria de imprensa de Tarcísio afirmou que sua campanha contou com mais de 600 doadores e que o governador não possui qualquer vínculo ou relação com Zettel.

"Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi devidamente aprovada pela justiça eleitoral", diz a nota enviada à BBC News Brasil. Já Bolsonaro não respondeu aos questionamentos da reportagem à época.

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