Publicado em 9 de novembro de 2021 às 13:36
Diante da pressão no STF (Supremo Tribunal Federal) e de órgãos de controle, líderes partidários começaram a discutir uma forma de deixar mais claro como é usado o dinheiro do Orçamento federal reservado para as emendas de relator, que têm servido de moeda de troca em acordos políticos entre o governo e o Congresso. >
No entanto, o plano prevê que as regras de divulgação de informações sobre essas emendas sejam estabelecidas em projeto a ser aprovado pelo próprio Congresso. >
A proposta ainda não é consenso, mas aliados do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), dizem que essa é uma saída para resolver o impasse com o STF, que começou a julgar nesta terça-feira (9) a suspensão ou desbloqueio dessas emendas. >
Em sessão virtual do plenário, três ministros acompanharam a decisão liminar da relatora, ministra Rosa Weber, pela suspensão. Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso votaram na madrugada. Já pela manhã, o ministro Edson Fachin acompanhou os demais. O julgamento prossegue. >
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A emenda de relator é um tipo de emenda que foi incluída no Orçamento de 2020 pelo Congresso, que passou a ter controle de quase o dobro da verba de anos anteriores. >
Atualmente, ela é a principal moeda de troca em votações importantes no Congresso. O dinheiro disponível neste ano é de R$ 16,8 bilhões. >
O Palácio do Planalto e aliados, principalmente Lira, têm usado esses recursos para privilegiar aliados políticos e, com isso, ampliar a base de apoio deles no Legislativo. >
Hoje, não há uma base de dados pública com a lista de deputados e senadores beneficiados por essa negociação política, tampouco há informações abertas sobre o destino do dinheiro público. >
O projeto em discussão por líderes seria encarregado de determinar que tipo de informações seriam divulgadas. >
Quanto maior a obrigatoriedade de fornecer dados, menor será o poder de aliados do governo na articulação com congressistas, pois a maior transparência irá expor o privilégio dado a quem vota em projetos de interesse do Palácio do Planalto. >
A ideia de mudar as regras para as emendas de relator já era ventilada na discussão do Orçamento de 2022, cujo relator é o deputado Hugo Leal (PSD-RJ). Ele indicou a aliados que é favorável a dar mais transparência ao uso desses recursos. >
Integrantes do STF também se articulam nos bastidores para evitar que a corte proíba totalmente o pagamento das emendas de relator e compre uma briga direta com o Congresso e o Executivo. >
Essas emendas estão suspensas desde sexta-feira (5), quando a ministra Rosa Weber, do STF, deu uma liminar (decisão provisória) bloqueando integralmente o uso dos instrumentos. Agora, o julgamento ocorrerá no plenário virtual entre esta terça e esta quarta-feira (10). >
Uma ala do tribunal tem trabalhado na tentativa de construir uma maioria no sentido de manter a execução dessas emendas, mas com a determinação de que sejam adotados mecanismos para aumentar a transparência. >
Hoje existem quatro tipos de emendas: as individuais (que todo deputado e senador têm direito), as de bancada (parlamentares de cada estado definem prioridades para a região), as de comissão (definida por integrantes dos colegiados do Congresso) e as do relator (criadas por congressistas influentes a partir de 2020 para beneficiar seus redutos eleitorais). >
No caso das emendas individuais e de bancada, há muito mais informações públicas, como quem foi o congressista autor do pedido de liberação de recursos. >
O uso desse novo tipo de emenda (a de relator) para barganhar apoio político na Câmara e Senado tem sido também questionado por órgão de controle, como o TCU (Tribunal de Contas da União). >
O problema levantado é que não há uma divulgação transparente da destinação desse dinheiro. >
O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), apresentou nesta segunda-feira (8) um projeto de resolução que prevê a obrigação de divulgação de informações sobre esses recursos. >
Para ele, essas emendas devem ter critérios de distribuição da verba e total transparência sobre o deputado ou senador autor do pedido, além do estado ou município beneficiado. >
"Qualquer aperfeiçoamento relativo ao instrumento das emendas parlamentares deve partir do próprio Congresso Nacional", defendeu Ramos no projeto apresentado.>
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