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IPCA

Inflação surpreende e fica abaixo das projeções com queda de alimentos em junho

IPCA desacelera a 0,16%, diz IBGE; mercado financeiro esperava 0,31%. Índice acumula alta de 4,64% em 12 meses e permanece acima do teto da meta

Publicado em 10 de Julho de 2026 às 10:03

Publicado em 

10 jul 2026 às 10:03

RIO DE JANEIRO - A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,16% em junho, após marcar 0,58% em maio, apontou nesta sexta-feira (10) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


O resultado surpreendeu analistas ao ficar bem abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,31% para o sexto mês do ano, conforme a agência Bloomberg. A taxa de 0,16% foi menor até do que o piso das estimativas (0,26%).


Um dos motivos para o alívio, segundo o IBGE, foi o comportamento do grupo alimentação e bebidas.


O segmento teve queda de preços em junho (-0,24%) após registrar altas superiores a 1% nos três meses anteriores. Foi a primeira baixa desde o leve recuo verificado em novembro de 2025 (-0,01%).

O grupo alimentação e bebidas foi o único dos nove do IPCA com queda em junho Imagem gerada pelo ChatGPT

Em 12 meses, o IPCA acumulou inflação de 4,64% até junho. A variação era de 4,72% até maio.


Apesar da trégua, o índice ficou pelo segundo mês consecutivo acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).


A meta é considerada descumprida quando o IPCA acumulado permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). O centro é de 3%.

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O grupo alimentação e bebidas foi o único dos nove do IPCA com queda em junho. A baixa de 0,24% foi a maior do segmento para esse mês desde 2023 (-0,66%).


Dentro de alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio mostrou redução em junho (-0,39%), após alta em maio (1,65%).


Houve influência das quedas do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%) no mês passado. Do lado das altas, o IBGE destacou o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%).


A alimentação fora do domicílio, em locais como bares e restaurantes, ainda subiu em junho (0,15%), mas menos do que em maio (0,49%).

Projeções

Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam IPCA de 5,3% para o acumulado de 12 meses de 2026, conforme o boletim Focus mais recente, publicado pelo BC na segunda (6).


A estimativa recuou frente ao boletim da semana anterior (5,33%). Foi a primeira queda depois do início da guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro. A baixa ocorreu após a trégua no conflito do país com os Estados Unidos.


As forças americanas, porém, recomeçaram os ataques a pontos do Irã na quarta-feira (8). A situação ocorreu após o presidente Donald Trump dizer que a trégua estabelecida entre os rivais em 17 de junho estava acabada.

A explosão da guerra em fevereiro gerou reflexos para a inflação brasileira. Combustíveis ficaram mais caros com a escalada das cotações do petróleo devido ao conflito.


O IPCA também foi pressionado pela alta dos preços dos alimentos no primeiro semestre.


O avanço ocorreu sob impacto da redução sazonal da oferta de parte dos produtos e do aumento dos custos produtivos após o início da guerra.

A situação gerou preocupação para o governo Lula (PT), que apostou em um pacote de medidas para conter a carestia dos combustíveis em ano eleitoral. O presidente deve concorrer à reeleição em outubro.

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O El Niño é um dos riscos para a inflação a partir do segundo semestre. O fenômeno climático desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas no território.


Segundo analistas, eventuais dificuldades para a produção de alimentos podem elevar os preços para o consumidor no final do ano.

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