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Altas temperaturas

Super El Niño: calor extremo pode deixar frutas e grãos de café menores no ES

Com previsão de estiagem prolongada e de altas temperaturas, ES se prepara para evitar efeitos climáticos e o risco de grãos queimados

Publicado em 08 de Julho de 2026 às 20:01

Leticia Orlandi

Publicado em 

08 jul 2026 às 20:01
Enio Bergoli é secretário de Agricultura do Espírito Santo
Enio Bergoli é secretário de Agricultura do Espírito Santo Carlos Alberto Silva

Com a confirmação do Super El Niño, previsto para os próximos meses,vários setores do agronegócio do Espírito Santo, principalmente o da agricultura familiar, devem sofrer com efeitos climáticos extremos. Entre os impactos do fenômeno, que pode atingir lavouras de forma severa, está a redução da qualidade e do tamanho de frutos e grãos.


Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno atinge a categoria de "forte" ou "super" quando as temperaturas permanecem 1,5°C acima da média por vários meses e neste ano, as estimativas apontam que a elevação pode chegar a 3°C. 


As anomalias climáticas esperadas podem provocar estiagens prolongadas em algumas regiões e episódios de chuvas intensas em outras. O período seco convencional, que normalmente vai de maio a setembro, pode avançar pelos meses de outubro, novembro e dezembro, com possibilidade de persistir até fevereiro ou março. Outra consequência pode ser um aumento significativo nas temperaturas. 


A combinação de estiagem prolongada e altas temperaturas extremas pode comprometer não apenas o volume de produção. De acordo com o secretário de Agricultura, Enio Bergoli, os resultados variam conforme a região e o tipo de cultivo.


No Norte e Noroeste do Estado, onde o Super El Niño deve ser sentido com mais intensidade, a preocupação recai sobre a produção de café, do mamão e da pimenta-do-reino. Apesar de terem boa parte irrigada, as plantações podem sofrer com a falta de água para recarga hídrica e com o calor excessivo. 


Já nas regiões de montanha e no Caparaó o risco é maior para as hortaliças e o café arábica, que têm menor índice de irrigação. No Sul do estado, as áreas de baixada com conilon, não totalmente irrigadas, também estão em situação vulnerável, lembra Bergoli.


Uma das ameaças é o abortamento de flores e frutos causado pelas ondas de calor. Conforme explica Bergoli, as temperaturas acima da média histórica podem reduzir o metabolismo das plantas, gerando frutos menores e grãos de café "queimados", o que prejudica diretamente a renda do produtor e a oferta de alimentos.


"Com a temperatura maior, há um abortamento da flor do café. Como o fruto deriva de uma flor, então o produtor terá menos grãos. E esses serão menores" alertou Enio Bergoli.


Pecuária


Há a preocupação também com a pecuária. No Estado, as principais áreas da produção de leite estão no Noroeste e também na Região Sul. Bergoli detalha que com a seca, o pasto fica seco, o que gera impacto na alimentação.


Por isso, o governo do Estado já distribuiu 140 ensacadores de forragem e formação de estoque de silagem para manter o gado alimentado em período de seca.


“Os efeitos do Super El Niño podem diminuir o volume de produção, reduzir oferta e renda para o produtor. E com isso pode até ficar mais caro para a população, bem como a qualidade cair. Ainda é muito cedo, mas estamos monitorando justamente para evitar”, afirma.

Medidas para mitigar impactos

Para enfrentar esse cenário, o governador Ricardo Ferraço assinou um decreto nesta quarta-feira (8) instituindo um Centro Integrado de Comando e Controle. O objetivo é integrar diversos órgãos estaduais, como a Seag, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, para monitorar o fenômeno em tempo real e emitir boletins semanais de orientação à sociedade e aos produtores. 


"A previsão é que nós tenhamos aqui no Espírito Santo, em função do El Niño, uma estiagem mais prolongada, mais intensa, com mais profundidade. Isso, por certo, vai trazer consequências econômicas e sociais. Mas tudo que foi feito ao longo dos últimos anos ajudou a estarmos preparados para enfrentar os impactos", afirmou Ferraço.


No caso da agricultura, foram estruturadas algumas ações preventivas para mitigar impactos. A Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) já realizou a entrega antecipada de carros-pipa e maquinários, como caçambas, escavadeiras e pás carregadeiras aos municípios, além da distribuição de ensacadoras de forragem e da formação de estoques estratégicos de silagem para garantir a alimentação dos rebanhos.


Também foi criado o Programa de Financiamento para Construção de Pequenas Barragens, com linhas de crédito de até R$ 150 mil por propriedade rural, juros reduzidos e prazos ampliados.


Além disso, técnicos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) vão intensificar o atendimento aos produtores rurais, prestando orientações sobre manejo sustentável do solo, elaboração de projetos para acesso ao crédito e contratação do Seguro Rural.


O comandante da Defesa Civil, coronel Ferrari, destacou que o Centro Integrado de Comando e Controle vai fazer um monitoramento diário e em tempo real de vários indicadores para acompanhar os impactos do fenômeno.


"É uma condição diferente de outros anos que a gente teve. Isso pode mudar um pouco os reflexos que a gente vai ter aqui", disse. Essa preocupação se deve ao fato de tanto o Oceano Pacífico quanto o Atlântico estarem mais aquecidos simultaneamente, criando um cenário atípico em comparação a eventos anteriores

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