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Inflação

Guerra pressiona inflação, que vem acima das projeções com alta de combustíveis e alimentos

IPCA acelera a 0,88% em março, diz IBGE; mercado esperava 0,76%; índice também ganha força no acumulado de 12 meses, alcançando 4,14%

Publicado em 10 de Abril de 2026 às 11:29

Agência FolhaPress

Publicado em 

10 abr 2026 às 11:29
RIO DE JANEIRO - A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), veio acima das projeções dos economistas em março, após o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que pressionou as cotações do petróleo.
O IPCA acelerou a 0,88% no mês passado, após marcar 0,70% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O índice foi pressionado pelas altas dos grupos transportes (1,64%) e alimentação e bebidas (1,56%) — o primeiro inclui os combustíveis. Juntos, eles responderam por 76% do IPCA de março, conforme o IBGE.
Pessoa abastecendo carro.
O principal critério utilizado no ranking foi a quantidade de quilômetros rodados por litro de gasolina. Crédito: Shutterstock
Com o novo resultado, a inflação acelerou a 4,14% no acumulado de 12 meses. A variação era de 3,81% até fevereiro no mesmo recorte.
Analistas do mercado financeiro esperavam taxa de 0,76% para o índice mensal de março, de acordo com a mediana das projeções coletadas pela agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de 0,66% a 0,85%. Ou seja, a variação de 0,88% superou até a previsão máxima.
A economia mundial começou a sentir os impactos inflacionários da guerra após o início do confronto em 28 de fevereiro.
Com os ataques no Oriente Médio, as cotações do petróleo tiveram uma disparada, provocando reajustes nos combustíveis em países como o Brasil.
Em nota, o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, disse que, em alguns subitens do IPCA, "especialmente nos combustíveis", já se sente o "efeito das incertezas no cenário internacional".
A pressão sobre os preços em ano eleitoral preocupa o governo Lula (PT), que lançou um pacote de medidas para tentar conter a carestia.
Um cessar-fogo de duas semanas foi anunciado na terça (7) pelos Estados Unidos, o que aliviou as cotações do petróleo, mas analistas ainda enxergam incertezas quanto aos rumos do conflito.
De acordo com a edição mais recente do boletim Focus, divulgada na segunda (6) pelo BC (Banco Central), a mediana das projeções do mercado para o IPCA deste ano subiu pela quarta semana consecutiva.
A expectativa para o acumulado de 2026 avançou de 4,31% para 4,36%. Com isso, ficou mais próxima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC.
Há quem projete variação acima desse patamar. Analistas também chamam a atenção para um risco adicional: a ameaça do evento climático El Niño no segundo semestre. Dependendo de sua intensidade, o fenômeno pode dificultar a produção de alimentos, com efeitos sobre os preços.
Para economistas, o cenário pode fazer o BC reduzir a intensidade do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic), iniciado em março. O Copom (Comitê de Política Monetária), que integra a instituição, volta a se reunir em 28 e 29 de abril para definir o patamar da Selic, atualmente em 14,75% ao ano.
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