O narrador Luís Roberto não participará da cobertura da Copa do Mundo de 2026. A informação foi divulgada pelo "ge" nesta terça-feira (7), após ele ter sido confirmado como um dos principais nomes da transmissão. Ele foi diagnosticado com uma neoplasia e precisará se ausentar para o tratamento.
Segundo o "ge", Luís Roberto se afastará para tratar questões de saúde. Ele foi diagnosticado, após exames de rotina, com neoplasia localizada na região cervical, em fase final de avaliação para o tratamento. “Depois do susto, está tudo sob controle. Tenho ao meu lado o que a ciência tem de melhor. Melhores médicos, hospitais. Tenho uma família amorosa seguindo ao meu lado. Em quase 40 anos na Globo, aprendi que essa casa jamais desampara os seus.”
Entenda a condição
As neoplasias da região cervical são tumores que acometem a área da cabeça e pescoço, especialmente o pescoço. Esse grupo inclui diferentes tipos de câncer, como linfomas que atingem os gânglios cervicais, tumores da boca, garganta, cordas vocais e também da tireoide. "Além disso, estruturas como as paratireoides — pequenas glândulas localizadas atrás da tireoide — também podem ser acometidas. Por isso, trata-se de uma condição ampla, que envolve diversas possibilidades e exige investigação adequada", explica o oncologista Fernando Zamprogno, da Rede Meridional.
O médico conta que elas podem surgir em diferentes áreas da região de cabeça e pescoço, como boca, língua, orofaringe, laringe (incluindo as cordas vocais), além dos gânglios do pescoço. Em muitos casos, tumores que se originam nessas regiões podem se manifestar como aumento dos gânglios cervicais. "O sintoma mais frequente é o aumento de volume no pescoço, geralmente de forma assimétrica. Esse aumento costuma se apresentar como caroços ou nódulos endurecidos na região cervical", diz Fábio.
O cirurgião de cabeça e pescoço Marco Homero explica que neoplasia é todo crescimento anormal de células que formam um novo tecido, chamado de massa ou tumor. Já o termo cervical indica que o fenômeno se deu na região do pescoço. "Esse crescimento de células pode tanto ser benigno (quando essas células não têm a capacidade de se espalhar para outros tecidos), como maligno (quando elas podem se espalhar)".
No caso da região da cabeça e pescoço, alguns sintomas comuns são dores persistentes na garganta, alterações na voz, rouquidão, sensação de caroço no pescoço e dificuldade para engolir e feridas e manchas na boca. O médico conta que os principais fatores de risco para neoplasias de cabeça e pescoço são o consumo de álcool, o tabagismo e o HPV (Papilomavírus Humano).
Profissionais que fazem um uso intensivo da voz, como o narrador esportivo Luís Roberto, também podem apresentar alguns desgastes com o passar do tempo
De acordo com a oncologista Aline Lauda, da Oncoclínicas, um dos principais pontos de atenção nesses casos é que o pescoço nem sempre é o local onde a doença começa. “A região cervical concentra cadeias linfáticas importantes, que funcionam como uma espécie de filtro do organismo. Por isso, alterações identificadas ali frequentemente representam tumores que tiveram origem em outras áreas da cabeça e pescoço.”
Esse grupo inclui diferentes tipos de câncer que podem acometer estruturas como cavidade oral, garganta, laringe, tireoide e glândulas salivares. Além disso, outras doenças também podem se manifestar como uma neoplasia cervical e entram no diagnóstico diferencial, como os linfomas, tumores que se originam no sistema linfático e também podem causar aumento de linfonodos nessa região. Por essa razão, o diagnóstico não se encerra na identificação do nódulo: ele marca o início de uma investigação mais ampla.
"Dependendo da origem do tumor, outros sintomas podem surgir de forma associada, como rouquidão persistente, dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam e dor de garganta prolongada. Isoladamente, esses sinais podem parecer comuns, mas sua persistência exige atenção", diz a médica.
Opção de tratamento
O diagnóstico é realizado por meio de biópsia, que confirma a natureza da lesão. "Exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética, são utilizados para complementar a avaliação, permitindo o estadiamento da doença e a análise da extensão do tumor", diz Fernando Zamprogno.
O tratamento varia de acordo com o tipo e o estágio da doença. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia e, em casos de câncer de tireoide, iodoterapia (terapia com iodo radioativo). "Com os avanços da medicina, especialmente na radioterapia, muitos casos podem ser tratados sem necessidade de cirurgia, preservando órgãos e funções", diz Fábio.
Marco também diz que o tratamento varia de acordo com a localização exata e o tipo de neoplasia, podendo incluir cirurgias, para os casos de neoplasias benignas e, no caso das malignas, outros tratamentos associados, como radioterapia, imunoterapia ou quimioterapia.