Apenas alguns dias atrás, setores mais "linha-dura" da República Islâmica do Irã colocaram uma faixa gigantesca em um dos cruzamentos mais movimentados de Teerã, a capital iraniana.
"O estreito de Ormuz permanecerá fechado", declarava.
A mensagem pretendia sinalizar um decreto do novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que não foi visto em público desde que foi nomeado líder no mês passado.
Isso apesar de o Irã ter dito repetidamente que não concordaria com um cessar-fogo temporário e que queria um fim permanente da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Os linha-dura não estão satisfeitos. Eles se sentiram encorajados pela capacidade do Irã de fechar o estreito e causar caos aos países do Golfo com mísseis e drones — sustentando que o Irã deveria ter continuado a guerra, já que tinha vantagem contra os EUA e Israel.
Relatos de Teerã disseram que bandeiras dos EUA e de Israel foram vistas sendo incendiadas após o anúncio do acordo de cessar-fogo na terça-feira.
Um grupo de homens da milícia voluntária Basij, controlada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), marchou até o Ministério das Relações Exteriores no meio da noite para se opor à decisão.
Algumas horas depois, o editor do jornal linha-dura Kayhan escreveu que concordar com o cessar-fogo foi "um presente para o inimigo", permitindo que ele se reabastecesse e continuasse a guerra.
A decisão de aceitar o pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e de seu chefe do Exército foi tomada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC, na sigla em inglês) — o mais alto órgão decisório do Irã sob o líder supremo, presidido pelo presidente moderado Masoud Pezeshkian.
O SNSC declarou que a passagem segura seria possível pelo estreito de Ormuz por um período de duas semanas em troca de um cessar-fogo dos EUA e de Israel, enquanto Washington e Teerã se engajariam em negociações.
Relatos dizem que a China desempenhou um papel significativo ao convencer o Irã, seu aliado próximo, a concordar com o pedido do Paquistão.
Alívio temporário?
O Irã teve de amargar um considerrável nível de destruição nos 40 dias de guerra.
Mais de 3 mil pessoas morreram, dizem ativistas de direitos humanos, e o presidente dos EUA, Donald Trump, havia ameaçado novas mortes e destruição em uma escala ainda maior.
Mesmo entre os linha-dura, estava ficando claro que uma saída precisava ser encontrada antes que a infraestrutura crítica do Irã fosse ainda mais destruída.
Apenas horas antes do anúncio do cessar-fogo, o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, tido como linha-dura, disse à TV estatal iraniana que o Irã buscava o fim da guerra mantendo ainda uma posição de vantagem.
Ele estava, em linhas gerais, repetindo o que o ex-ministro das Relações Exteriores do país, Mohammad Javad Zarif, um moderado, havia escrito alguns dias antes em um artigo na publicação americana Foreign Affairs.
O SNSC retratou o acordo de cessar-fogo como uma vitória para o Irã, conclamando os apoiadores do regime a permanecerem unidos.
Segundo a mídia iraniana, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, deverá liderar a delegação iraniana nas negociações com os EUA em Islamabad, no Paquistão, negociando diretamente com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance.
Isso representa um distanciamento do roteiro linha-dura. As negociações diretas com os EUA sempre haviam sido proibidas pelo antigo Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em um ataque israelense à sua casa no início da guerra.
Esse contato direto parece ter sido autorizado pelo novo líder, que é seu filho.
Apesar do cessar-fogo, Irã e EUA permanecem longe de uma paz duradoura.
A guerra pode ser retomada se as negociações fracassarem. Essa é uma perspectiva que alguns iranianos que apoiaram a guerra, vendo-a como uma forma de remover o que consideram um regime vil, podem estar esperando.
Para muitos outros, o cessar-fogo oferece um alívio muito necessário diante da morte e da destruição ao seu redor.
Este texto foi traduzido e revisado por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA, como parte de um projeto piloto