> >
ES adere a plano para reduzir preço do diesel e conter inflação

ES adere a plano para reduzir preço do diesel e conter inflação

Medida deve conter a alta no preço dos alimentos e do transporte no Estado; desconto de R$ 1,20 por litro será bancado em conjunto pelo governo estadual e pela União nas vendas realizadas em território capixaba

Mikaella Campos

Editora do Núcleo de Reportagens / [email protected]

Publicado em 31 de março de 2026 às 10:52

A pressão sobre o preço do diesel após a disparada na cotação do petróleo levou o Espírito Santo a aderir à proposta da União para dividir o custo maior de importação do produto, que deveria ser repassado aos consumidores. O Executivo capixaba confirmou, nesta terça-feira (31), ter fôlego fiscal para bancar metade do subsídio de R$ 1,20, enquanto que o governo federal vai assumir os outros R$ 0,60.

A medida, debatida na última sexta-feira (27) durante a 200ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em São Paulo, é uma estratégia para frear a inflação que chega às prateleiras dos supermercados por meio do valor do frete.

Matéria especial sobre a BR 101 Norte
Proposta é baratear preço do frete Crédito: Fernando Madeira

Como funciona o subsídio

O programa prevê uma redução de R$ 1,20 por litro de diesel importado. O custo dessa operação será dividido igualmente:

  • União: arca com R$ 0,60 por litro
  • Estados: pagam os outros R$ 0,60 por litro

O modelo operacional desenhado pelo Ministério da Fazenda prevê que a União realize o pagamento integral aos importadores para agilizar a precificação nas bombas. Posteriormente, a parcela devida pelos Estados será descontada das transferências do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

A decisão do Espírito Santo de integrar o grupo de entes subnacionais que já sinalizaram positivamente à medida — como São Paulo, Rio Grande do Sul e Sergipe — baseia-se no equilíbrio das contas públicas estaduais. Segundo a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), a saúde financeira atual permite que os cofres estaduais absorvam esse impacto temporário sem comprometer investimentos essenciais.

A Secretaria da Fazenda (Sefaz) destacou três pontos fundamentais para o "sim" capixaba:

  • Caráter temporário: a medida terá duração de apenas dois meses, garantindo previsibilidade orçamentária.
  • Equidade: não haverá redistribuição de ônus, evitando que um estado custeie a operação de outro.
  • Foco econômico: o objetivo central é mitigar a alta dos combustíveis e promover a estabilidade econômica.

A adesão do Espírito Santo é estratégica para o sucesso do plano federal. Como o diesel importado circula por todo o país, mas entra por portos específicos (como os do Maranhão), a União busca a adesão em bloco para evitar dificuldades logísticas e o chamado "risco moral" — quando um Estado se beneficia da redução do preço sem contribuir para o subsídio.

O impacto total do programa no Brasil é estimado em R$ 3,2 bilhões para o período de 60 dias. Para os governadores, a adesão também carrega um peso político, dada a pressão para reduzir a inflação e o custo de vida em um ano de movimentações eleitorais.

Em nota, a Sefaz reforçou que continuará acompanhando o tema de forma técnica, garantindo que a solução construída no Confaz preserve o equilíbrio fiscal.

Por que o diesel está ficando mais caro?

A guerra no Irã com o bloqueio do estreito de Ormuz tem reduzido a oferta global de petróleo. O corredor marítimo é responsável pela passagem de 20% dos produtos de óleo e gás no mercado internacional. Desde a eclosão do conflito pelos Estados Unidos e Israel, com reflexos para outros países do Oriente Médio, a cotação do barril tipo brent só aumentou. Na última segunda-feira (30) chegou a ser vendido por US$ 115, tendo uma leve queda nesta terça para US$ 107.

Com informações da FolhaPress

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

Tópicos Relacionados

Petróleo Diesel

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais