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Cenário econômico

Controle de preços parece solução, mas pode piorar inflação

Medidas para segurar preços podem gerar escassez, mercado paralelo e queda na qualidade dos produtos. Entenda por que o efeito pode ser o oposto do esperado

Publicado em 04 de Maio de 2026 às 08:14

Públicado em 

04 mai 2026 às 08:14
João Pedro Prata

Colunista

João Pedro Prata

Em momentos de inflação alta, surge uma ideia que soa quase mágica: “por que o governo não segura os preços?”. À primeira vista, parece simples. Se tudo está caro, basta impedir que suba. Pronto, problema resolvido.


Mas a economia não funciona como um botão de volume. É mais parecida com um organismo vivo. Quando você aperta de um lado, algo reage do outro.


Segurar preços nem sempre protege o consumidor
Segurar preços nem sempre protege o consumidor Imagem gerada pelo ChatGPT

O primeiro efeito costuma ser invisível… até que os produtos começam a sumir das prateleiras. Quando o preço é forçado para baixo, muitas empresas simplesmente deixam de produzir ou reduzem a oferta. Afinal, ninguém quer vender no prejuízo. Foi exatamente isso que aconteceu no Brasil durante o Plano Cruzado.


E quando o produto desaparece das lojas, ele não deixa de existir. Ele só muda de lugar. Surge o famoso “por fora” (mercados paralelos, vendas informais, preços escondidos), quase sempre mais caros. Ou seja, aquilo que era para ajudar o consumidor acaba, muitas vezes, prejudicando ainda mais.


Tem também um detalhe curioso, quando não dá para subir o preço, muda-se o produto. Menos quantidade, qualidade inferior, serviço pior. Você paga o mesmo e leva menos. É uma inflação disfarçada, silenciosa.

Quando o controle afeta o investimento

Agora, reflita por um momento se você investiria seu dinheiro em um negócio onde o governo pode decidir quanto você pode cobrar?


O empresário precisa levar esse tipo de situação em conta antes de definir como alocar os recursos. E o resultado mais comum é de menos investimento, menos produção e menos crescimento econômico. No fim das contas, o problema que se queria resolver acaba ficando maior.


A história está cheia de exemplos. Na Venezuela, o controle de preços levou a um cenário extremo de escassez. Na Argentina, medidas semelhantes trouxeram efeitos recorrentes de desorganização e perda de confiança. Até em países desenvolvidos, como nos Estados Unidos de Richard Nixon, esse tipo de política funcionou só por um curto período e deixou efeitos colaterais depois.


No fim, o preço não é o problema, ele é apenas o termômetro. Quebrar o termômetro não faz a febre desaparecer. E quando o preço deixa de ser livre, o risco entra em cena.

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João Pedro Prata

Atua no mercado financeiro desde 2017. É assessor de investimentos na Valor Investimentos e membro do Ibef/ES. É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

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